Luminale 2012 no Jardim Botânico

Estando a trabalho na maior feira bienal de iluminação acaba não dando muito tempo para aproveitar a cidade e eventos pós-feira.

Pois bem, remexendo nas minhas fotos encontrei algumas feitas durante a visita no Jardim Botânico de Frankfurt. A brincadeira das instalações é surpreender o visitante em meio à vegetação. Deu certo, não?

Imagem

Imagem

Imagem

Imagem

Imagem

Imagem

Anúncios

Esse tal de kelvin

Recomeçando a trabalhar no Brasil, me deparei com um problema (por enquanto posso dizer que existente no RS) na hora de comprar uma lâmpada: a falta de opção na cor da luz.

Pois bem, para não tornar o assunto maçante, a luz tem diversas propriedades e características. As mais famosas são potência e voltagem. Além dessas existe a COR que ela emite. Que fique bem claro que não estou envolvendo outros parâmetros como eficiência energética, quantidade de luz ou reprodução das cores.

Nesse post falarei simplesmente do tom de cor emitido pela fonte luminosa. A cor que vemos sair da lâmpada.

Todo mundo na vida falou ao menos uma vez: essa luz é muito “fria”ou então essa luz é muito “amarela”, não?

Acontece que mesmo sendo fria ou amarela, a lâmpada é de cor branca, e não estou falando de aquecimento. Como na hora de pintar as paredes de sua casa, quando mesmo sendo branca a cor que você quer, você vai ter que decidir se vai querer um branco puro, um branco acinzentado, um branco mais amarelo (areia, perola, etc), na hora de iluminar a sua casa você vai poder escolher a COR da lâmpada.

Para distinguir os tons, no caso da iluminação, existe uma unidade de medida: graus Kelvin.

Mas quem é esse Kelvin?

Com a invenção da luz artificial e posteriormente a elétrica, os estudiosos da área se deram conta que materiais diferentes na composição da lâmpada (filamento, gás, etc) emitiam cores diferentes de luz. Dali partiu a necessidade de entender e medir essa alteração.

O físico e engenheiro irlandês William Thomson, a partir de um bloco de carbono, também conhecido como corpo negro porque ele absorve toda a luz que incide nele, fez uma escala das cores que esse material emite quando aquecido – da temperatura mínima, estabelecida como o zero absoluto 0K = -273.15ºC em diante, já que ficou comprovado que não existe uma temperatura máxima. Assim como você pode reparar no fogão de casa, o fogo mais quente é azulado, tendendo à transparência. Um corpo mediamente aquecido fica avermelhado, indo para o amarelo e chegando no tom azul quando aquecido ao máximo. Depois que a Irlanda fez parte do Reino Unido, Thomson passou a ser o primeiro Lorde Kelvin.

William Thomson

Mas como essa teoria foi aplicada para a iluminação?

A temperatura de cor descreve o espectro de luz irradiada de um corpo negro com uma dada temperatura.

O sol, por exemplo, nos dá a impressão de ser uma cor quente, não? TAMBÉM! Só porque ele nos aquece, não quer dizer que a cor da sua luz seja necessariamente quente. Na verdade ao nascer do sol e ao pôr do sol, a luz emitida pelo astro é “quente” sim. E por isso vemos os prédios e tudo o que é iluminado por ele num tom mais amarelado ou avermelhado.

Porém durante o dia, quando o sol está mais alto, a luz que ele emite é muito mais fria. Nós não reparamos nisso ao ar livre pois entram em questão outros fatores de percepção ótica.

Por isso, quando compramos uma lâmpada fluorescente que diz na embalagem LUZ DO DIA ou DAYLIGHT e a ligamos em casa, vemos o quanto ela é azulada de tão branca.

Para termos uma ideia mais clara, vamos aos números:

2500K – 3500K – é a variação de temperatura que se pode encontrar nos vários tipos de lâmpada tungstênio: incandescentes e halógenas.

2700K – é a lâmpada incandescente, ou a luz do sol nos horários próximo ao nascer ou ao por do sol. A luz que vemos é “amarela”. *

3000K – as lâmpadas fluorescentes oferecem essa temperatura de cor: o branco quente. Menos amarela do que a 2700K, ela é a ideal com essa tecnologia para deixar os ambientes mais aconchegantes como a nossa casa.

4000K – branco neutro. Essa temperatura de cor é a mais neutra entre todas. Ao observamos a sua emissão vemos que chega o mais próximo do branco, sem tender para o quente ou para o frio. É como o branco puro nas tintas. E por isso é ideal para ambientes de trabalho. Mais do que 4000, a luz começa aos poucos a tender para o azul.

6500K – ou como pertinentemente as fabricantes chamam: luz do dia. Poderia ser chamada de “luz das 11h” ou então “luz das 14h” (horário de verão). Esse tom é muito mais frio e por isso chega ao tom azulado.

* por sermos acostumados com essa cor de luz nas incandescentes, acabamos instintivamente relacionando a cor ao calor emitido por esse tipo de lâmpada e à menor quantidade de luz emitida por ela (eficiência energética).

Infelizmente, no comércio em geral de lâmpadas fluorescentes compactas com o soquete de rosca (E27) temos à disposição DUAS opções: 2700K ou 6500K. Eu diria que as duas menos utilizadas pelos grandes mercados da América do Norte e da Europa. Deixo a conclusão para o leitor, porém me parece curioso o fato de que as temperaturas ideais para a nossa vida – 3000K e 4000K não chegue facilmente no nosso comércio.

As várias temperaturas de cor também são possíveis com LED. Feira de Frankfurt, Light+Building, este ano.

Nos catálogos das fabricantes, elas disponibilizam todas as temperaturas de cores em produção hoje em dia: 2700, 2900, 3000, 3100, 4000, 5000, 6500K. Ou seja, não é que não existem, é só que se você realmente quiser uma outra temperatura que não seja as standards do mercado brasileiro, você precisa encomendar e saber como instalar pois grande parte requer alimentação.

E daí o consumidor que não entende todas as nuances nas características da iluminação, acaba tendo que se limitar ao mercado normal.

and the Oscar goes to…

Hoje, 2 de julho de 2012, está acontecendo neste exato instante, a cerimônia de entrega dos vencedores do Red Dot Design Award. Um prêmio anual para a área de design – produto, projeto, comunicação – comparado ao Oscar do cinema mundial.

São várias as categorias participantes, divididas em 3 famílias:

  • Product Design
  • Communication Design
  • Design Concept

Dentro da primeira, existe a categoria Light and Lighting Design. E é sobre essa, por óbvios motivos, que eu vou me concentrar.

Os premiados deste ano foram:

1. Econe Ceiling and Pendant Luminairesidealizado por Hartmut S.Engel Design Studio e produzido por RZB-Leuchten, ambos de origem alemã.

Dueto dinâmico: se estudarmos os ensinamentos do Feng Shui, veremos que a luz tem uma influência central sobre o bem-estar de cada indivíduo. O objetivo deste projeto é usá-la em benefício de todos. O sistema de iluminação Econe – versão aplicada no teto e versão suspensa – trabalha com a dinâmica da luz para se adaptar aos humores e necessidades individuais, combinando com uma grande superfície iluminada homogeneamente com luz branca e um quadro de luz colorida o seu redor. Os dois tipos de iluminação se unem como em um dueto, criando uma atmosfera harmoniosa e agradável. A fonte de luz é projetada para não ofuscar o usuário, gerando reflexos suaves e sombras sutis. A luminária, pensada principalmente para uso comercial e de escritório, na versão pendente é suspensa através de cabos de aço de até 3 metros de comprimento.

Declaração do júri: “Econe enfeitiça os sentidos do espectador e cria uma sensação de bem-estar em qualquer sala. O conceito de design de luz estética ultrapassa os limites das estruturas de iluminação contemporâneos. Ao fazê-lo define uma relação nova e emocionante entre as pessoas, espaço e luz.”

Econe Pendant Luminaire

2. Jinn Floor Light and Table Lightidealizado pelo inglês Mathias Hahn – Product Design Studio e produzido pela eslovaca Vertigo Bird d.o.o.

Um novo espírito: o movimento Art Nouveau teve o seu marco na iluminação na década de 20 com os abajures de vidro colorido Tiffany. Na década de 80 o grupo Memphis desenvolveu luminárias que pareciam mais objetos Pop-Arte do que luminárias em si. A combinação clássica e equilibrada das peças que compõem a luminária dão uma unidade formal coesa. A luz, “presa” na parte central da luminária, nos recorda o conto 1001 Noites. Esse é o diferencial do produto: ao invés de seguir o modelo tradicional das luminárias, Jinn deslocou o ponto luminoso para o centro do objeto, refletido pela máscara de alumínio interna, emitindo a luz para fora do mesmo. O ajuste de intensidade lembra um candeeiro: o interruptor circular permite o ajuste intuitivo da luz. Design inteligente.

Declaração do júri: “Sua linguagem de forma inovadora faz com a que série Jinn seja muito atraente. Aqui uma fonte de luz é dada uma expressão forte e homogênea. Jinn demonstra como, ao questionar as formas estabelecidas, pode-se criar algo novo convincente.”

Jinn – modelo na cor preta.

3. Moon Outdoor Lightingidealizado pelo estúdio sueco LundBerg Design e produzido pela italiana Platek Light srl.

Na luz clara – a iluminação externa noturna desempenha um papel central na imagem dada por um edifício e deveria criar uma relação simbiótica com a arquitetura. Com esse conceito, a Moon faz com que a iluminação externa seja integrativa, completando e destacando a arquitetura moderna que a inspira. A harmonia visual é baseada na coerência entre as duas formas geométricas desenhadas, que servem como base para diversas aplicações: o círculo e o quadrado. O primeiro é relacionado a como o LED é integrado na luminária, transformando a ausência de matéria dentro dele no elemento principal, formando a auréola luminosa.

Declaração do júri – “O purismo de Moon Outdoor Lighting é altamente convincente. A interpretação inovadora da tecnologia LED cria um link na atmosfera entre a arquitetura e seu ambiente. A natureza modular da luminária a torna utilizável em uma ampla variedade de situações.

Moon Outdoor Lighting – uma das tantas possibilidades de instalação

4. Xoolum Linear Led – Lighting Fixtureidealizado pelos designers Michael Kramer e Gabriela Vidal, da Alemanha e produzido pela também alemã LED Linear GmbH.

Funcialmente alinhado: A teoria do sistema descreve a linearidade como a capacidade de reagir a mudanças. Xoolum é uma luminária a LED com tensão de saída de 24Vdc com enorme versatilidade: seus vários elementos oferecem novas possibilidades para um projeto de iluminação de caráter corporativo exigente. Acoplável, a luminária pode chegar a 6 metros lineares, sendo uma boa opção para espaços internos de dimensões consideráveis, fornecendo uma iluminação homogênea. A cabeça do objeto, octogonal, é ajustável em 45°, podendo ser utilizada em casos de iluminação direta difusa ou então assimétrica wallwasher.

Declaração do júri: “Xoolum apresenta um sistema de iluminação LED em uma linguagem de forma completamente nova e funcionalidade. Elegância formal combina com perfeição nos detalhes. Este conceito pensado oferece uma base para uma enorme variedade de usos na arquitetura.”

módulo linear da Xoolum.

fonte: http://en.red-dot.org