Uma homenagem ao dia mundial da água

Em homenagem ao dia Mundial da Água, criado pela ONU em 22 de março de 1992, gostaríamos de publicar alguns produtos de iluminação que tiveram como inspiração a ÁGUA!

Light Drop – by Studio Mango, produzida por Wever e Ducré

Aqua Cil – by Ross Lovegrove, produzida por Artemide

Droplet – by Ross Lovegrove, produzida por Artemide

Long & Hard – by Philippe Starck, produzida por Flos

Sebastian 7 Drop Lights – by John Lewis

Buy John Lewis Sebastian 7 Light Drop Ceiling Light Online at johnlewis.com

Liquid Light Drop – by Next

2015 – O ano internacional da LUZ!

Pois bem, depois de um longo hiato no site, retomamos às atividades “iluminantes”!

O acaso fez com que, justamente em um período onde o Brasil enfrenta a escassez hídrica em diversas regiões e sofre com o aumento da taxa de energia elétrica – fatos que nos fazem voltar a nossa atenção para o quanto consumimos em W, logo também em iluminação – 2015 tenha sido eleito internacionalmente como o ano da LUZ.

IYL2015 – International Year of Light

O Ano Internacional da Luz é uma iniciativa global que tem como objetivo destacar a todos a importância da iluminação e suas tecnologias na vida de todos, como ela pode interferir no nosso futuro e no desenvolvimento da sociedade. É uma grande oportunidade para inspirar, educar e conectar todo o mundo sobre este tema!

Em 20 de dezembro de 2013 a UNESCO comunicou que o tópico para o ano de 2015 seria a ciência da luz e suas aplicações, reconhecendo a importância em aumentar a consciência global sobre como tecnologias da iluminação podem promover o desenvolvimento sustentável e buscar soluções para desafios mundiais nos campos da energia, educação, agricultura e saúde (eis que retornamos nossos pensamentos para a crise hídrica brasileira).

Como já publicamos diversas vezes, a luz é vital para o ser humano. IYL 2015 promoverá a divulgação para uma maior compreensão pública e política do papel da luz no mundo moderno, e celebrar diversas descobertas realizadas na área óptica desde os primeiros cursos mil anos atrás até a internet de hoje. Sociedades científicas, sindicatos, instituições educacionais, ONGs, profissionais do setor e fabricantes estão unidos nesta missão. São mais de 100 parceiros em mais de 85 países.

Com o secretariado localizado em Trieste, na Itália, a Cerimônia de Abertura foi realizada na UNESCO em Paris, nos dias 19 e 20 de janeiro, dando início a um ano repleto de eventos.

No Brasil o calendário está cheio! Separamos por cidades, todos podem participar: confira!

ANÁPOLIS, GO

16 a 19/09 – O Caminho da Luz

BELO HORIZONTE, MG

03/03 a 28/04 – Einstein e o 3º Milênio

04/03 a 25/03 – Teoria da Relatividade para não especialistas

05/03 a 30/04 – Introdução à Astrofísica

CURITIBA, PR

18 a 25/03 – Luz: por trás do bulbo 

28/09 a 02/10 – 24a Conferência Internacional de Sensores em Fibra Ótica

28/09 a 02/10 – Luz: por trás do bulbo

OURO PRETO, MG

23 a 27/02 – HF our window on the universe

PORTO ALEGRE, RS

19 a 20/05 – Estilo Luz Brasil 2015

21 a 24/10 – L-RO: Luz em ação

RIO DE JANEIRO, RJ

23 a 25/05 – 15a IPA: Bienal Internacional da Associação de Fotodinâmica

23 a 25/05 – SPIE Biofotônica América do Sul 

SÃO CARLOS, SP

01 a 25/07 – Kits de Luz e Óptica 

14 a 16/07 – Workshop Ano Internacional da Luz

16/07 – A luz e suas aplicações

17 a 18/07 – Show de Ciência do Ano Internacional da Luz

17 a 18/07 – O Ano Internacional da Luz para deficientes visuais

SÃO PAULO, SP

14 a 15/03 – Sundial UVimentro

15 a 19/08 – L-RO: Criando luz para a coexistência

17 a 21/08 – Semana da Luz no Brasil

No canal do Youtube, Lighting Designers, se pode encontrar mais de 50 vídeos que abordam como tema principal a Luz! Vale a pena dar uma olhada.

A luz de Bruce Munro

Hoje vamos apresentar a arte de Bruce Munro.

Este artista britânico utiliza a luz como forma de expressão em sua arte e leva em consideração a interação humana como troca de experiências.

Bruce tem a tendência de usar componentes e materiais reutilizados de forma criativa, além de integrar tudo isso com o manuseio da luz. Com isso ele nos traz obras de arte temporárias porém que ficam marcadas para sempre pela sua beleza.

Clique nas imagens abaixo para visualizar a obra de Bruno :

Equalizadores de luz !

Na semana de design de Londres, a Established & Sons abrigou em seu showroom uma instalação de luz do artista Faye Toogood que consiste basicamente em uma mesa com diversos interruptores que são conectados a fluorescentes tubulares fixadas em uma parede revestida em páineis de zinco iridescente.

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Quando os usuários interagem com a obra, ligando e desligando os diversos interruptores da mesa, a parede se transforma em um grande equalizador ! Adoramos esta instalação, e vocês?

Em Nova Iorque, de 21 junho a 25 setembro 2013

Guggenheim Museum

O título já deixa bem claro onde e quando vocês poderão presenciar uma situação única. O local é o renomado Museu Guggenheim de Frank Lloyd Wright. Mas preste atenção, se você já esteve pelo Museu vale retornar. Com certeza, ESTE Museu que estou falando você nunca viu. E é por tempo limitado:

Com uma das maiores instalações em curso, o artista americano James Turrell transformou  totalmente o icônico Guggenheim. A clássica espiral ganha força e repetição.

Aten Reign, 2013 / James Turrell; Photo: David Heald © Solomon R. Guggenheim Foundation, New York

Aten Reign, 2013 / James Turrell; Photo: David Heald © Solomon R. Guggenheim Foundation, New York

Mesclando a iluminação natural e artificial, Aten Reign, James Turell coloca uma cor no espaço, imitando as famosas rampas. A luz ganha materialidade, ponto forte de Turrell nos seus vários trabalhos, apresentando uma experiência dinâmica de percepção do espaço.

“A luz é um elemento poderoso” diz Turrell. “Nós temos uma conexão primordial com ela. Mas, para algo tão poderoso, situações para sentí-la presente são muito raras… Eu gostaria de trabalhar com ela de uma forma que todos possam sentí-la fisicamente, tocável, de modo a preencher o espaço.”

A mostra, que ficará durante todo o verão instalada no museu, faz parte de um projeto que coloca em 3 museus obras fenomenais de James Turrell. Solomon R. Guggenheim Museum, LACMA (Los Angeles County Museum of Art) e MFAH (Museum of Fine Arts Houston).

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Claro que não são somente estas as instalações correntes do artista. No site dele você pode conferir em que partes do mundo existe a possibilidade de vivenciar uma experiência totalmente nova.

Para ver e sentir a luz de uma forma artística e transformadora, vale a pena!

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Aten Reign, 2013 / James Turrell; Photo: David Heald © Solomon R. Guggenheim Foundation, New York

Aten Reign, 2013 / James Turrell; Photo: David Heald © Solomon R. Guggenheim Foundation, New York

Fuorisalone 2013

Depois de uma semana em Milão, com muita caminhada em busca das novidades na nossa área, voltamos com algumas novidades que acreditamos que serão tendência!

Com a nossa experiência de outros anos no Salone e nos Fuorisalone, não podemos deixar de observar que a crise financeira na Europa afetou todos os campos da sociedade e a questão da criatividade e viabilidade de projetos e produtos ficou mais limitado. Foi possível notar que uma solução para isso foi a derivação de produtos que já haviam sido lançados nos anos anteriores  Mas claro, há sempre uma luz no fim do túnel e ainda há grandes empresas e muitos jovens designers que conseguem trazer à tona novas formas e idéias em meio a um clima de contenção financeira e, pode-se dizer também, artística.

Neste post falarei mais sobre os Fuorisaloni, onde neste ano encontramos não somente a tradicional Via Tortona mas também muitos outros bairros da cidade que apresentavam produtos e idéias muito interessantes.

O museu dedicado ao desgn, o Triennale di Milano, remodelou a sua mostra permanente com o tema A Síndrome da Influência, onde nos mostra os grandes nomes do design italiano pós-guerra e os novos artistas que hoje ainda são influenciados por eles. Muito interessante a retrospectiva. Também uma mostra interessante é sobre a obra de Iosa Ghini, um grande designer que leva a sua criação intimamente ligada à mídia, com esse conceito, desenvolveu muitas logomarcas e conceitos para muitas lojas que muitas vezes a utilizamos e nem sabemos que por trás daquilo tem todo um pensamento de um grande designer! Exposta em ordem cronológica, podemos ver um pouco do seu trabalho nas diversas áreas e seus maravilhosos croquis!

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O que mais gostei e achei interessante foi a região da Via Ventura, onde são apresentados os projetos e objetos de muitas escolas de design da Europa, sendo os mais interessantes os belgas, dinamarqueses, ingleses e escandinavos. 

Notamos que foram muito utilizados os materiais como cobre (tanto polido como oxidado), vidros com esfumatura parcial (apenas onde há a fonte luminosa), utilizo de tubos metálicos, papel tratado utilizado como difusores.

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Já na Via Tortona, achamos interessante a instalação luminosa feita pela Hyundai, chama Fluidic, onde as pessoas podem interagir com a instalação, movimentando a massa de luz produzida por lasers.

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Outro produto que nos chamou a atenção foi a lâmpada da Gispen, situada no SuperStudioPiù, na Via Tortona. O produto consiste em uma esfera dividia em duas partes onde cada parte pode ser controlada separadamente, podendo mudar de cor e dimerizar a luz.

A Melogranoblu também trouxe ao SuperstudioPiù uma instalação luminosa com a sua luminária difusa Drop.

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Saindo do burburinho da Via Tortona, porém não menos agitada, na Via Savona encontrava-se o pavilhão da Moooi, com suas novidades e uma belíssima cenografia para a sua nova coleção, você pode conferir um giro 360º pelo pavilhão no site www.moooi.com.

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Nos próximos posts, falaremos mais sobre os outros locais Fuorisalene e a feira Euroluce!

Até em breve!

Cor e luz: Peter Struycken

Hoje, véspera de Páscoa, vamos colocar um pouco de cor nos projetos!

O holandês Peter Struycken é conhecido pela sua intrínseca relação com a cor. Formado em Artes, Struycken trabalha com diferentes tipos de instalações artísticas, como pinturas, desenhos, tecidos, cinema, mídias digitais e design de espaços interiores e exteriores. Nestes últimos, muitas vezes usando o recurso do controle da luz pela informatização.

Peter Struycken

Peter Struycken

Em 1969 ele usou pela primeira vez um computador para uma obra de arte. Desde então, passou a ser elemento-chave de sua pesquisa sobre a visualização de estruturas. Lógica, precisão e variação são as diretrizes para o seu trabalho. Struycken cria uma estrutura base que serve para criar uma infinidade de formas, cores e processos.

‘Splash’ é o nome de um programa informático criado por Peter. Da apresentação, o artista acabou por explicar o seu pensamento:

“No curso dos últimos séculos, particularmente na Europa, as artes plásticas se desenvolveram através da esfera pessoal, estritamente individual. Antes de mais nada, as pessoas ainda buscam transmitir as suas emoções nela. (…) A arte pode ser comparada a um organismo vivo, a substância da qual pode ser definida, mas a essência que escapa de qualquer análise.”

No entanto, é verdadeira a percepção de que pinturas e esculturas se fazem notar primeiramente por significados visuais, estes dispostos pelo artista em uma determinada maneira, ainda muito intuitiva, revelando o seu temperamento quando em criação.

Alguns artistas, entretanto, mostram uma crescente tendência em banir o elemento pessoal da arte para determiná-la a partir de regras particulares. Tal arte estaria então em um patamar acima de preferências subjetivas ou conceitos como bonito ou feio; a obra torna-se o resultado de uma lógica, matemática e como tal, verdadeira.”

“Eu tenho procurado pelo significado elementar da expressão e formulei as minhas descobertas em um conjunto de proposições: a minha proposta é mostrar que forma e cor podem ser correlacionados matematicamente. E o resultado não é apenas a unidade completa mas a comprovação de que ela pode ser calculada. Esta fórmula pode ser de grande valia no planejamento urbano, arquitetônico e do design industrial.”

Splash é um programa que permite explorar a cor com uma série de condições logicamente formuladas. O seu caráter é formalista, sem conteúdo ou significado. O resultado da execução do programa o número de cores ou série de padrões de cores. A ideia é determinar a forma da mudança entre as cores, se gradual, se contrastante, pequena ou grande. A diferença entre as cores no seu padrão é muito mais importante que os padrões de cores em si. É este o objetivo do programa: indicar o tipo e o grau da variação, o que é bonito e o que é feio.

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Splash – cores em valores numéricos

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Splash – os valores numéricos em cores

Na iluminação arquitetural, ele usou estes instrumentos para executar o lighting design do Muziektheater em Amsterdam, assim como para o auditório da Faculdade de Beatrix, a Sala de Concerto de Tilburg e a colunata do Netherlands Architectuurinstituut (Instituto de Arquitetura) em Roterdam. Você pode conferir algumas fotos que mostram a dinamicidade do programa, que altera a cada 10 minutos as cores do espaço.

caminhando pelas colunas

caminhando pelas colunas

São 550 metros de colunas iluminados linearmente como linhas de tela, formando um imenso arco-íris. Com um sistema de engenharia simples – lâmpadas azuis, vermelhas e vermelhas – o computador comanda a variação da intensidade de cada uma, o famoso sistema RGB, transformando as 3 cores em infinitas opções.

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Uma feliz e colorida Páscoa a todos!

Fonte:

  • atariarchives.org
  • nl.wikipedia.org
  • mymodernmet.com

Fortuny 110 anos!

Quando um objeto de design se transforma em um ícone, ele simplesmente torna-se atemporal, sempre contemporâneo, e é exatamente isso que acontece com a maravilhosa luminária pedestal Fortuny, que hoje completa 110 anos!!

Elaborada no início do século passado, Mariano Fortuny era não somente um pintor mas sim uma pessoa multidisciplinar e soube desenvolver muitos talentos não só na pintura e na fotografia mas principalmente na moda e na iluminação. Ficou famoso em devido às suas criações em tecidos luxuosos e no modelo de vestido Delphos que ganha admiração ainda nos dias de hoje.

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Porém a sua obra que mais nos apaixona é a luminária Fortuny, onde naquela época pode estudar em como ter uma iluminação difusa e aconchegante. Hoje, patenteada pela Pallucco, possui diversas versões inclusive com o utilizo dos tecidos puro luxo da Fortuny na cúpula da luminária!

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Uma peça de design-desejo!

A luz e o cinema

Outro assunto que nos fascina é o cinema! Nada mais lógico falar de luz e falar de cinema.

E que papel a luz desempenha na sétima arte?

Como na fotografia e na pintura, a matéria-prima que materializa as imagens e as idéias é a luz. A câmera é apenas o meio de conexão entre esses elementos sobre a luz e a emoção do espectador.

As imagens estruturam um filme, são elas que traduzem, de uma forma não textual, o modo de enxergar a história a ser contada. Porém não podemos esquecer que no cinema não são as imagens que fazem um filme e sim a alma delas.

E o que dá sentido a essas imagens se não a luz? É função dela criar ambientes, cenas, contrastes, mostrar o que deve ser destacado e esconder o que deve ser mistério, é ela que traz ao espectador algo que vai além do visível – a dramaticidade.

No Cinema Noir, movimento que surgiu entre as décadas de 40 e 50 em que se narravam histórias geralmente policiais, o utilizo intenso de contraste entre escuro e claro eram predominantes para dar ênfase na dramaticidade da história.

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Já no Cinema contemporâneo a luz serve para dar realidade às cenas e ambientes.  Porém ela não serve apenas para registar a imagem e sim para inserir a mensagem que está por trás daquela imagem, a luz é muitas vezes a identidade visual de um filme, é a poesia. Nos filmes atuais há toda uma equipe envolvida na Fotografia do filme, onde se estudam todos esses aspetos como enquadramento, foco e luz nas cenas.

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Hoje a iluminação no cinema aparece muito mais sutil aos nossos olhos, porém muito mais poderosa no seu efeito subjetivo que nos faz entender e nos emocionar com essa arte que é o cinema!

A estranha figura do lighting designer

Hoje o assunto é teórico.

Quem é o lighting designer?

Antes de mais nada, para usar alguma coisa, seja um serviço ou objeto, devemos entender a real necessidade e o objetivo ao qual chegaremos através dele.Nos últimos anos temos acompanhado um crescente interesse de todos na Arquitetura. Isso se concretiza ao ver que todo mundo está querendo um conforto maior no seu dia-a-dia, seja em casa como no trabalho. Este fator determina o que podemos definir como as diversas “especializações” que apareceram.

Antes, uma obra funcionava como uma fórmula simples:

ARQUITETO (X) + ENGENHEIRO (Y) + MAO-DE-OBRA (Z) = PROJETO EDIFICADO

Hoje a fórmula continua a mesma, porém podemos dizer que dentro de cada item existem diversos profissionais:

X = Arquiteto + Arquiteto de Interiores + Decorador + Comunicação Visual + Lighting Designer

Y = Engenheiro Civil, Engenheiro Elétrico, Engenheiro Hidrossanitário, Lógica e Sistemas

Z = pedreiro, hidráulico, eletricista, gesseiro, colocador de pisos, colocador de revestimentos nas paredes (azulejo, papel de parede), pintor, colocador de acabamentos (rodapés, luminárias, marceneiro, etc)

E para fazer a conexão entre X, Y e Z, existe o gerenciador de projetos, elemento D e o gerenciador de obras (E).Ou seja, para sermos mais exatos, a fórmula de hoje passaria a ser um emaranhado como este:

[D*(X+Y)] + (E*Z)= PROJETO EDIFICADO

A terceirização e a especialização das áreas estão diretamente ligadas às exigências do cliente. Cada vez mais consciente do que ele deseja, a necessidade de serviços específicos aumenta exponencialmente. E dali, da setorização destes, vem a maior dificuldade de entender a interrelação de todos estes serviços. O que geralmente acontece é a confusão de que uma área sobrepõe a outra, gerando uma falsa e inexistente “concorrência”.

É o caso do Lighting Designer.

Uma profissão considerada “nova” porque até pouco tempo era desconhecida, e que vem ganhando muito espaço e curiosidade graças aos apagões e avanços tecnológicos, como o LED.

Então, afinal, para que serve um lighting designer?

Ao programar um novo projeto, seja arquitetônico ou de interiores, se deveria fazer entre as perguntas fundamentais do programa de necessidades, uma em particular: como será a iluminação deste projeto? Uma “boa” iluminação é importante para ele?

Todo e qualquer espaço a ser projetado TAMBÉM deverá ser iluminado.

A questão principal sobre o tema é que a luz é um meio tecnicamente difícil e extremamente surpreendente, exigindo o domínio de diversas disciplinas que estão em contínua evolução. Como já escrevemos em alguns posts anteriores, a matéria LUZ ainda não foi 100% decifrada pelo homem, mesmo estando no século XXI e tendo todos os recursos tecnológicos para desvendar este mistério.

Um projeto de iluminação além da base teórica – programa de necessidades, adaptação das exigências arquitetônicas, consideração das atividades exercidas e materiais para fins de cálculos luminotécnicos, decisão da tecnologia e tipologia de sistema elétrico, luminárias, lâmpadas e acessórios – deve considerar o fator humano e ambiental, assim como um projeto arquitetônico.

Falando sobre o fator humano, o maior problema é que cada indivíduo tem uma reação diferente com a luz. Alguns gostam de muita luz, outros de uma iluminação tênue. Mas, o que é muito? O que é pouco?

A iluminação, antes de mais nada é subjetiva.

Existem parâmetros que garantem a ergonomia da luz, o conforto e quantidade “recomendadas”. Assim como a ergonomia dos móveis depende da condição física do usuário – estatura, limitações, etc – para a iluminação a variação também é grande. E assim como para o desenho dos móveis, para a melhor iluminação precisamos ter profissionais especializados.

Além do fator “físico” do usuário, a iluminação também deve ter em conta os fatores psicológico e fisiológico do cliente. Distúrbios de sono, hiperatividade, concentração e fotosensibilidade são alguns elementos a serem considerados em um projeto de iluminação.

Um lighting designer entende que não só de lux, watts e grau Kelvin se executa um bom projeto.

O ambiente é outro personagem importantíssimo, essencial. Completa a tríade da iluminação: usuário – espaço construído – ambiente.

Considerar a reação da luminosidade natural, já por si um elemento imprevisível por uma série de questões como a posição da Terra em relação ao Sol, o movimento deste, a nebulosidade do céu, poluição do ar, entorno edificado, para complementarmos com a iluminação artificial, garantindo a iluminação ideal em todas as horas do dia ao longo de todo ano, é uma tarefa árdua se somarmos também a reflexão. A luz como princípio se torna visível quando é refletida. Para ser refletida ela necessita de um material. E para cada tipo de material, o efeito da reflexão é diferente. E todo o material sofre algum tipo de deterioração com o passar do tempo, o que interfere diretamente na reflexão e por consequência, na iluminação.

Ou seja, pensar em iluminar um espaço comporta muitas condicionantes variáveis.

É por isso que hoje, com tantos meios tecnológicos, o conhecimento da técnica e da teoria deve ser obrigatório para trabalhar com a iluminação.

E nem todo o conhecimento nos livra de alguma interpretação errônea de dados que podem acarretar em um efeito luminoso inesperado. Porém, assim como qualquer outro profissional, ter o conhecimento sobre o assunto faz diminuir a chance disto.

Quando um lighting designer deve ser contratado?

O melhor a dizer seria SEMPRE. Não necessariamente para um projeto de iluminação. Vale a consultoria, um esclarecimento aplicado mesmo que em pequena escala, em detalhes.

O lighting designer trabalha em equipe.

Para o arquiteto, o lighting designer deve estar pronto a ajudar, a melhorar, a agregar valor ao projeto arquitetônico.

Para o engenheiro elétrico, o lighting designer auxilia no cálculo de cargas necessárias para a iluminação. Um projeto de iluminação eficiente pode comportar uma redução de potência instalada em 40%, se compararmos um sistema elétrico tradicional. Basta ter o conhecimento das atividades para calcular de maneira eficiente a carga total da iluminação.

Em fases de projeto, o lighting designer pode colaborar paralelamente com os demais profissionais. Participando em todas as fases, poderão ser analisadas as possibilidades de iluminação e chegar a um melhor rendimento custo x benefício x resultado.

Para o cliente privado, o lighting designer poderá aconselhar os melhores efeitos para o conforto e a obtenção de uma maior qualidade de vida.

Uma iluminação eficiente agrega valor ao projeto, ao espaço, aos materiais, às atividades exercidas.

O contratante e o responsável do projeto podem não ter consciência das vantagens que acarretam servir-se de uma consultoria luminotécnica externa, consideradas as modernas modalidades de projetação e construção.

Por exemplo: Que diferença existe entre a consultoria dada por um profissional da iluminação daquela fornecida por um engenheiro elétrico ou por um arquiteto de interiores? O engenheiro elétrico projeta a iluminação porque faz parte do sistema elétrico, e o arquiteto de interiores escolhe as luminárias conforme o estilo dos móveis. Certo? E portanto, o que tem mudado tanto para necessitar de um profissional especializado em iluminação?

Mais uma tríade para a iluminação: tecnologia + técnica + formação.

Tecnologia.

Os produtos da área de iluminação sofrem constantes aprimoramentos: luminárias, lâmpadas e acessórios evoluem rapidamente. A cada ano aparecem no mercado centenas de novos produtos.

O lighting designer deve estar a par de todas as novas informações para então oferecer as soluções projetuais mais apropriadas. Para isso, faz parte a contínua visitação em feiras e seminários do setor, examinar as novidades, manter-se informado para ter certeza de que a tecnologia a ser escolhida responderá como o desejado. Não faz parte do papel do lighting designer vender ou instalar produtos.

O bom profissional se preocupa com a pesquisa e com a honestidade do produto que está propondo, sem conflitos de interesse. 

Técnica.

A luz é um parceiro efêmero da Arquitetura. Intocável mas visível. E é justamente o controle sobre este meio transitório que dá ao artista da luz a capacidade de criar hierarquias, dinâmicas, contrastes e estados de espírito. A iluminação é na verdade a extensão criativa da projetação arquitetônica, ressaltando a visibilidade, integrando formas, finalidade, cores e volumetrias.

Formação.

O conhecimento de assuntos como a física, a ótica, a eletricidade, a ergonomia, as normas e recomendações, os problemas ambientais, a edificação, a visão e a arte da projetação são essenciais para idealizar soluções de iluminação adequadas.

Os profissionais da iluminação devem ter um vasto dominio do assunto e ter um contínuo aperfeiçoamento profissional para poder fornecer o melhor serviço possível. Para realizar isto, devem manter um constante relacionamento com os colegas, ler revistas especializadas, participar de seminários como espectador ou também como relatores. Este tipo de interação, de troca (além de uma concorrência saudável), favorece a profissão no todo.

O arquiteto é o instrumento que dá volumes, formas e cores aos desejos dos clientes.

O lighting designer é aquele que transforma os desejos em sensações visuais.