O que vimos da Rio+20 – Humanidade 2012

Durante o evento da Rio+20 tive a oportunidade de participar de duas palestras do evento  Empreendedorismo Social e também de visitar a mostra montada no Forte de Copacabana do Rio de Janeiro.

Pavilhão temporário Humanidade 2012 no Forte de Copacabana

A primeira plaestra teve como tema Moradias Cidadãs, onde três palestrantes provenientes da Cidade do México, Mumbai e Curitiba buscam soluções todos os dias para que as pessoas que vivem na pobreza possam ter moradias dignas e incluídas na sociedade. Foram discutidas questões de como ajudar essas comunidades a regularizarem suas casas assentadas em terrenos privados ou públicos, meios de ajudá-las a ter a própria casa com economias feitas pela própria comunidade e até mesmo em como construir suas próprias casas com matérias-primas encontradas no seu entorno, como por exemplo blocos de concreto serem substituídos por blocos de argila resistentes. Foi interessante ver como essas pessoas já ajudaram muitas comunidades pelo mundo e como mesmo contribuiu uma pessoa da platéia, moradora de uma comunidade do Rio: “A casa é a primeira referência que uma pessoas possa ter para se sentir incluída na cidade em que ela vive. Primeiro precisamos de uma casa, depois de barriga-cheia para aí sim compreender os outros direitos e conseguir se desenvolver dentro da sociedade”.
 A segunda palestra o tema foi Cidades Sustentáveis, onde aqui muitos representantes de comunidades e projetos sociais debateram sobre como tornar as nossas cidades mais sustentáveis. Um dos projetos mostrados foi o Programa Cidades Sustentáveis que consiste em mobilizar e oferecer ferramentas para que nossas cidades se desenvolvam de forma econômica, social e ambientalmente mais sustentável. Para que isso aconteça, eles criaram uma Carta Compromisso com metas sobre o assunto a serem atingidas dentro dos quatro anos de mandato do prefeito. Essas metas funcionam como uma agenda para este prefeito onde ele assinando a Carta, se comprometa a cumprir as metas, podendo os cidadãos cobrarem e analisarem o andamento durante o mandato. Achei muito interessante, porém como foi dito nas duas palestras, sem a mobilização conjunta das comunidades, não tem-se o poder da decisão e da ação. Há comunidades com habitantes “invisíveis” na cidade, que nâo se incluem dentro desta. Temos sim que fazer a nossa parte, dentro de casa, onde trabalhamos e na cidade mas também precisamos exigir mais em quem votamos.
Estas palestras e tantas outras aconteceram no pavilhão construído especialmente para a Rio+20 no Forte de Copacabana. O conceito foi desenvolvido por Bia Alessa e sendo uma tipologia efêmera de arquitetura, a edificação foi toda construída com andaimes criando espaços com muita luz natural, ventilação e transparência.

Circulações

“Forro” do pavilhão comporto por calungas de plástico

Rampas

Rampas!

Aqui também acontece a mostra Humanidade  que foi divida em nove temas sendo estes inseridos em nove contêiner em diferentes alturas, para acessar cada contêiner foram criadas grandes rampas também em andaimes.

1 – O Mundo em que Vivemos – reflete sobre o quanto complexo são nossas vidas compradas a outros séculos passados

3 – O Homem e suas Conexões

4 – Brasil Contemporâneo – espaço que mostra dados do Brasil atual

4 – Biodiversidade Brasileira – espelhos e projeções da nossa biodiversidade

5 – Diversidade Humana Brasileira – conta de onde vem as nossas origens – sala espelhadas com cubo iluminados com milhares de nomes de brasilerios

6 – Produções Humanas – sala onde mostra todos os recursos que o ser humano retira da natureza para viver tanto nas cidades quanto no campo – maquete utilizando catodo frio onde cada cor representa um recurso como água, gás e energia.

9 – Museu do Amanhã – sala mostra o conteúdo que será abordado no museu e também o projeto de arquitetura em si.

Sobre a iluminação dos ambientes, muito do que estava no manual de construção para a Rio+20 não foi comprido. Encontramos lâmpadas halógenas e fluorescentes tubulares T8 em diversos ambientes da edificação, onde era permitido utilizar apenas LED, fluorescentes tubulares T5 e Vapor metálico.

Foyer dos auditórios

Mas mesmo assim o resultado foi agradável. Utilizaram as estruturas inclinadas dos andaimes para fixar as fluorescentes tubulares, criando um certo ritmo nos espaços de circulação.
No terraço do pavilhão as jardineiras eram grandes blocos brancos retro-iluminados com fitas de LED, criando uma ambientação e efeito muito interessantes, adorei! Além da vista para a praia de Copacabana.

Terraço do Olhar

detalhe dos blocos iluminados

Copacabana ao fundo

Durante a Rio+20 está acontecendo também o festival de iluminação em diversos pontos da cidade o Luz na Cidade, em breve mostraremos aqui!
Referências:

Quando a luz é líquida

A luminária pode não ser somente um objeto que forneça luz. No quesito luminárias decorativas, a imaginação corre cada vez mais solta em busca de originalidade. Essa última cada vez mais difícil já que com o passar do tempo se deu vida às idéias mais mirabolantes.

Eis que a luminária de etérea passa a brincar com a luz no estado líquido:

Pouring Light Lamp – by Yeongwoo Kim

A Pouring foi especialmente desenhada para transmitir o conceito emocional da queda de luz, como uma queda d’água. A base da luminária reforça essa ideia com a forma da poça que se formaria. A haste foi feita com material fosforescente, o que dá o brilho quando é ligada a lâmpada: o efeito de que a luz escorre como a água pela estrutura; e o mesmo material retém parte da luz quando a luminária é desligada, emitindo-a em tom quente, tornando o ambiente acolhedor e aconchegante para dormir. A tecnologia é LED.

Light Drop – by Rafael Morgan

O design da luminária foi criado para fazer as pessoas pensarem sobre o desperdício dos recursos naturais, particularmente, a água: principal fonte de energia e de vida para todos os organismos presentes no planeta. Água é sinônimo de energia.
Aplicada na parede, o LED se encontra dentro da estrutura da “torneira”, e como tal, é regulável a sua intensidade através do quanto você abre a torneira. Quanto mais aberta, mais luz emite ao longo do policarbonato leitoso que forma o difusor. Isso contextualiza a luminária também como uma forma de conscientizar em termos visuais o quanto se utiliza de água em uma situação normal, sensibilizando a população para o uso de energia.
Esse conceito acabou dando aos idealizadores da luminária o prêmio de terceiro ligar no concurso de design internacional Bright LED, promovido pela Design Boom.
A luminária foi colocada em produção e venda pela Wever& Ducre da Bélgica.

Light Blubs – by Pieke Bergmans

Com essa luminária, se resolveu brincar com a pergunta: “Olhe para a sua luminária, você já pensou que ela pode se aquecer, pode se deformar e simplesmente fluir para fora da lâmpada?”

A partir da silhueta clássica da lâmpada, a Royal Crystal Bergman em conjunto com o designer criou uma coleção exclusiva: BLUBS.

Estas lâmpadas de cristal, com a adição de iluminação LED são muito criativas. A luz, ou melhor, a fonte de luz está agora livre. Cada luminária cria uma sensação de lâmpadas fluídas, de viscosidade luminosa, como uma gota pendurada no abajur, ou se derramando sobre a mesa ou armário. Esta é uma coleção impressionante que pode reviver o interior da casa.

A coleção, de 2008 já rodou o mundo inteiro. Eu tive a possibilidade de vê-la exposta durante o Salão do Móvel em Milão, no bairro Tortona.

Você compraria alguma dessas luminárias? Qual delas?

Rio+20 – debates sobre energias sustentáveis

O Rio+20, que acontecerá no Rio de Janeiro na próxima semana, está prestes a começar e nele serão discutidas questões importantes sobre medidas para um desenvolvimento sustentável que nos guiará nas próximas décadas.

foto: Marília Saccaro

E a questão da energia não poderia ficar de fora. Este elemento presente em nossas vidas 24 horas por dia, que necessitamos para quase tudo o que fazemos hoje em dia. E para isso o retiramos de recursos naturais.
Das reuniões oficiais políticas, terão dois momentos que serão de nosso maior interesse: o debate sobre Cidades Sustentáveis e Inovação e sobre Energia Sustentável para Todos, no dia 18/06/12, onde o Governo Brasileiro, juntamente com as Nações Unidas irão debater as possíveis medidas a serem a adotadas pelos seus dirigentes para melhorar os seus países.

Muitos eventos independentes também se espalharão pela cidade nesta próxima semana, um deles será o TEDxRio+20 (11 e 12 de junho), o debate será sobre o Poder do Ser Humano e a nossa capacidade de pensar, agir e poder de mudança. Achei o tema muito interessante, pois em momentos de mudança é necessário haver um pensamento claro, boas idéias e muita perseverança e coragem para agir.

A sustentabilidade não é algo simples, exige um novo pensamento e a colaboração de tudo e de todos. Implantar novos pensamentos e idéias em uma sociedade que sempre fez um processo igual por anos é difícil, porém com a colaboração de todos e acreditar na nova idéia lhe dá o poder de mudar.
A conferência se preocupou desde o inicio com a sustentabilidade do evento e foram criados manuais descritivos para as instalações efêmeras e temporárias que foram construídas para o evento. Houve sempre a preocupação em utilizar o máximo possível da luz natural em abientes onde isso será possível. Para a geração de energia, serão utilizados nos geradores diesel misturado com 20% de Biodiesel.
Para a iluminação artificial, foram utilizadas as lâmpadas mais eficientes do mercado, como LED, fluorescentes T5 e vapor metálico. Para as áreas externas foi preciso haver cuidado com a questão pouco discutida aqui no Brasil que é Poluição Luminosa, deixando apenas luminárias orientáveis e luz indireta. As lâmpadas permitidas para as áreas externas são vapor de sódio e LED.
Acho muito importante de tenhamos cada vez mais consciência e que dentro do possível possamos fazer a nossa parte para um desenvolvimento cada vez mais sustentável, tanto em nossas casas como no nosso trabalho e tudo isso refletido em tudo que projetamos.

Light+Building 2012. impressões

Passado mais de um mês da última edição de Light+Building em Frankfurt, publico as minhas impressões.

O complexo da feira… TODOS os pavilhões tomados por expositores.

Este ano, mais do que novidades sensacionais em termos de inovação ou de design, a consolidação da tecnologia a LED dominou todos os stands.

Se nas edições passadas se tentava entender um pouco melhor o funcionamento do LED e o como mudar o modo de pensar para projetar as luminárias, a eficiência e a qualidade da emissão luminosa foi destaque em todas as empresas.

LÂMPADAS: 

No quesito tecnologia, Philips e Osram estão substituindo todos os tipos de lâmpadas para versões a LED, mantendo o mesmo soquete encontrado hoje no mercado. Isso facilita o público em geral em não precisar fazer uma troca forçada de todas as luminárias, por enquanto ainda em pequenos ambientes, residencial, hospitality ou retail. Vale lembrar que para alguns desses tipos – como lâmpadas com soquete GU5.3 ou G53, que substituiriam as lâmpadas halógenas dicróicas ou QR111, convêm pedir informações à fabricante da luminária em questão para saber se é possível instalar a nova lâmpada.

Stand da Osram, muita iluminação RGB!

Stand da Philips, como o da concorrente, apresentando o OLED entre os LEDs…

As lâmpadas a LED como alternativa para substituir as incandescentes e halógenas

LUMINÁRIAS TÉCNICAS:

Aqui vem parte do meu desapontamento da feira. Praticamente todas as empresas se concentraram tanto em entender e otimizar o LED, que acabaram esquecendo a evolução do design nas luminárias técnicas – outdoor, office e retail – e o resultado: luminárias IGUAIS, repetidas infinitamente nos pavilhões. A minha crítica maior é que uma das vantagens do LED, em ocupar menos espaço, foi totalmente esquecida. Considerando que quanto mais potente, maior o calor produzido (sim, LED também esquenta) e por isso maior deve ser a superfície de dissipação de calor, não vi grandes estudos sobre como resolver essa questão com um design inteligente. A “cara” das luminárias voltou aos anos 70.

o fechamento das luminárias técnicas utilizam a tecnologia dos primas para difundir melhor a luz sem ofuscar o usuário

iluminação com LED RGB

as diferentes temperaturas de cor do LED – do branco quente ao branco frio… qual vc prefere?

LUMINÁRIAS DECORATIVAS:

As principais fabricantes de luminárias decorativas lançaram poucos produtos originalmente novos. A eficiência energética tomou controle e muitas foram as versões a LED apresentadas. Interessante mas muito caro para o consumidor comum, já que essas versões consideram a troca total da luminária.

Merece destaque a luminária da Artemide IN-EI da sensação do momento no mundo fashion design: Issey Miyake. Por quê? Inteligência, praticidade, tecnologia, design e sustentabilidade colocadas juntas no mesmo objeto!

Inteligência: a sabedoria japonesa dos origamis aplicada na escala de uma luminária. Um módulo que se repete indistintamente com lógica, formando volumes espaciais.

Praticidade: partindo da idéia do origami, a luminária não é nada mais do que uma dobradura. O volume acaba se condensando em uma caixa alta 1cm.

Tecnologia: o material que remete ao papel de arroz e tem uma luz uniforme e difusa ao longo de todo o corpo não é nada mais que o estudo patenteado pelo designer de um material que tem o toque de um tecido, é um tipo de plástico resistente e impermeável, é lavável.

Design: origami, precisa dizer mais? Modernidade da tradição japonesa.

Sustentabilidade: o material plástico com o qual são desenvolvidas as luminárias provêm da reciclagem de garrafas PET. Ecologicamente correto.