A estranha figura do lighting designer

Hoje o assunto é teórico.

Quem é o lighting designer?

Antes de mais nada, para usar alguma coisa, seja um serviço ou objeto, devemos entender a real necessidade e o objetivo ao qual chegaremos através dele.Nos últimos anos temos acompanhado um crescente interesse de todos na Arquitetura. Isso se concretiza ao ver que todo mundo está querendo um conforto maior no seu dia-a-dia, seja em casa como no trabalho. Este fator determina o que podemos definir como as diversas “especializações” que apareceram.

Antes, uma obra funcionava como uma fórmula simples:

ARQUITETO (X) + ENGENHEIRO (Y) + MAO-DE-OBRA (Z) = PROJETO EDIFICADO

Hoje a fórmula continua a mesma, porém podemos dizer que dentro de cada item existem diversos profissionais:

X = Arquiteto + Arquiteto de Interiores + Decorador + Comunicação Visual + Lighting Designer

Y = Engenheiro Civil, Engenheiro Elétrico, Engenheiro Hidrossanitário, Lógica e Sistemas

Z = pedreiro, hidráulico, eletricista, gesseiro, colocador de pisos, colocador de revestimentos nas paredes (azulejo, papel de parede), pintor, colocador de acabamentos (rodapés, luminárias, marceneiro, etc)

E para fazer a conexão entre X, Y e Z, existe o gerenciador de projetos, elemento D e o gerenciador de obras (E).Ou seja, para sermos mais exatos, a fórmula de hoje passaria a ser um emaranhado como este:

[D*(X+Y)] + (E*Z)= PROJETO EDIFICADO

A terceirização e a especialização das áreas estão diretamente ligadas às exigências do cliente. Cada vez mais consciente do que ele deseja, a necessidade de serviços específicos aumenta exponencialmente. E dali, da setorização destes, vem a maior dificuldade de entender a interrelação de todos estes serviços. O que geralmente acontece é a confusão de que uma área sobrepõe a outra, gerando uma falsa e inexistente “concorrência”.

É o caso do Lighting Designer.

Uma profissão considerada “nova” porque até pouco tempo era desconhecida, e que vem ganhando muito espaço e curiosidade graças aos apagões e avanços tecnológicos, como o LED.

Então, afinal, para que serve um lighting designer?

Ao programar um novo projeto, seja arquitetônico ou de interiores, se deveria fazer entre as perguntas fundamentais do programa de necessidades, uma em particular: como será a iluminação deste projeto? Uma “boa” iluminação é importante para ele?

Todo e qualquer espaço a ser projetado TAMBÉM deverá ser iluminado.

A questão principal sobre o tema é que a luz é um meio tecnicamente difícil e extremamente surpreendente, exigindo o domínio de diversas disciplinas que estão em contínua evolução. Como já escrevemos em alguns posts anteriores, a matéria LUZ ainda não foi 100% decifrada pelo homem, mesmo estando no século XXI e tendo todos os recursos tecnológicos para desvendar este mistério.

Um projeto de iluminação além da base teórica – programa de necessidades, adaptação das exigências arquitetônicas, consideração das atividades exercidas e materiais para fins de cálculos luminotécnicos, decisão da tecnologia e tipologia de sistema elétrico, luminárias, lâmpadas e acessórios – deve considerar o fator humano e ambiental, assim como um projeto arquitetônico.

Falando sobre o fator humano, o maior problema é que cada indivíduo tem uma reação diferente com a luz. Alguns gostam de muita luz, outros de uma iluminação tênue. Mas, o que é muito? O que é pouco?

A iluminação, antes de mais nada é subjetiva.

Existem parâmetros que garantem a ergonomia da luz, o conforto e quantidade “recomendadas”. Assim como a ergonomia dos móveis depende da condição física do usuário – estatura, limitações, etc – para a iluminação a variação também é grande. E assim como para o desenho dos móveis, para a melhor iluminação precisamos ter profissionais especializados.

Além do fator “físico” do usuário, a iluminação também deve ter em conta os fatores psicológico e fisiológico do cliente. Distúrbios de sono, hiperatividade, concentração e fotosensibilidade são alguns elementos a serem considerados em um projeto de iluminação.

Um lighting designer entende que não só de lux, watts e grau Kelvin se executa um bom projeto.

O ambiente é outro personagem importantíssimo, essencial. Completa a tríade da iluminação: usuário – espaço construído – ambiente.

Considerar a reação da luminosidade natural, já por si um elemento imprevisível por uma série de questões como a posição da Terra em relação ao Sol, o movimento deste, a nebulosidade do céu, poluição do ar, entorno edificado, para complementarmos com a iluminação artificial, garantindo a iluminação ideal em todas as horas do dia ao longo de todo ano, é uma tarefa árdua se somarmos também a reflexão. A luz como princípio se torna visível quando é refletida. Para ser refletida ela necessita de um material. E para cada tipo de material, o efeito da reflexão é diferente. E todo o material sofre algum tipo de deterioração com o passar do tempo, o que interfere diretamente na reflexão e por consequência, na iluminação.

Ou seja, pensar em iluminar um espaço comporta muitas condicionantes variáveis.

É por isso que hoje, com tantos meios tecnológicos, o conhecimento da técnica e da teoria deve ser obrigatório para trabalhar com a iluminação.

E nem todo o conhecimento nos livra de alguma interpretação errônea de dados que podem acarretar em um efeito luminoso inesperado. Porém, assim como qualquer outro profissional, ter o conhecimento sobre o assunto faz diminuir a chance disto.

Quando um lighting designer deve ser contratado?

O melhor a dizer seria SEMPRE. Não necessariamente para um projeto de iluminação. Vale a consultoria, um esclarecimento aplicado mesmo que em pequena escala, em detalhes.

O lighting designer trabalha em equipe.

Para o arquiteto, o lighting designer deve estar pronto a ajudar, a melhorar, a agregar valor ao projeto arquitetônico.

Para o engenheiro elétrico, o lighting designer auxilia no cálculo de cargas necessárias para a iluminação. Um projeto de iluminação eficiente pode comportar uma redução de potência instalada em 40%, se compararmos um sistema elétrico tradicional. Basta ter o conhecimento das atividades para calcular de maneira eficiente a carga total da iluminação.

Em fases de projeto, o lighting designer pode colaborar paralelamente com os demais profissionais. Participando em todas as fases, poderão ser analisadas as possibilidades de iluminação e chegar a um melhor rendimento custo x benefício x resultado.

Para o cliente privado, o lighting designer poderá aconselhar os melhores efeitos para o conforto e a obtenção de uma maior qualidade de vida.

Uma iluminação eficiente agrega valor ao projeto, ao espaço, aos materiais, às atividades exercidas.

O contratante e o responsável do projeto podem não ter consciência das vantagens que acarretam servir-se de uma consultoria luminotécnica externa, consideradas as modernas modalidades de projetação e construção.

Por exemplo: Que diferença existe entre a consultoria dada por um profissional da iluminação daquela fornecida por um engenheiro elétrico ou por um arquiteto de interiores? O engenheiro elétrico projeta a iluminação porque faz parte do sistema elétrico, e o arquiteto de interiores escolhe as luminárias conforme o estilo dos móveis. Certo? E portanto, o que tem mudado tanto para necessitar de um profissional especializado em iluminação?

Mais uma tríade para a iluminação: tecnologia + técnica + formação.

Tecnologia.

Os produtos da área de iluminação sofrem constantes aprimoramentos: luminárias, lâmpadas e acessórios evoluem rapidamente. A cada ano aparecem no mercado centenas de novos produtos.

O lighting designer deve estar a par de todas as novas informações para então oferecer as soluções projetuais mais apropriadas. Para isso, faz parte a contínua visitação em feiras e seminários do setor, examinar as novidades, manter-se informado para ter certeza de que a tecnologia a ser escolhida responderá como o desejado. Não faz parte do papel do lighting designer vender ou instalar produtos.

O bom profissional se preocupa com a pesquisa e com a honestidade do produto que está propondo, sem conflitos de interesse. 

Técnica.

A luz é um parceiro efêmero da Arquitetura. Intocável mas visível. E é justamente o controle sobre este meio transitório que dá ao artista da luz a capacidade de criar hierarquias, dinâmicas, contrastes e estados de espírito. A iluminação é na verdade a extensão criativa da projetação arquitetônica, ressaltando a visibilidade, integrando formas, finalidade, cores e volumetrias.

Formação.

O conhecimento de assuntos como a física, a ótica, a eletricidade, a ergonomia, as normas e recomendações, os problemas ambientais, a edificação, a visão e a arte da projetação são essenciais para idealizar soluções de iluminação adequadas.

Os profissionais da iluminação devem ter um vasto dominio do assunto e ter um contínuo aperfeiçoamento profissional para poder fornecer o melhor serviço possível. Para realizar isto, devem manter um constante relacionamento com os colegas, ler revistas especializadas, participar de seminários como espectador ou também como relatores. Este tipo de interação, de troca (além de uma concorrência saudável), favorece a profissão no todo.

O arquiteto é o instrumento que dá volumes, formas e cores aos desejos dos clientes.

O lighting designer é aquele que transforma os desejos em sensações visuais.

LED – desabafo de um lighting designer italiano

Hoje venho, através do nosso blog, transmitir um post do arquiteto e lighting designer italiano Giacomo Rossi, publicado no seu site Lux Emozione. Tive a oportunidade de conhecê-lo no evento sobre iluminação em que partipei em Como na Itália, no ano passado – você pode ler mais sobre ele neste post.

O assunto a ser abordado é o do momento: LED. Porém visto através do profissional da área de iluminação com todas as vantagens e facilidades da tecnologia (conforme divulgado na mídia) e as dificuldades reais para a sua instalação.

Dificuldades estas que não são exclusividade do mercado italiano. Infelizmente, ainda hoje para certas aplicações a substituição plena para o LED ainda tem como consequência uma boa dor de cabeça. Um pouco do assunto já foi abordado por nós anteriormente no post mudança de comportamento.

Mas vamos ao texto do Giacomo:

Caros amigos projetistas da luz, não sei se vocês já se dispuseram a utilizar a tecnologia LED nos seus trabalhos, talvez como alternativa às tradicionais lâmpadas. Bem, eu tive o prazer de usar recentemente esta tecnologia, em uma aplicação onde a questão não era somente a necessidade da alta eficiência luminosa, mas também uma alta performance em termos de reprodução de cor e possibilidade de escolher a temperatura de cor. Enfim, o resultado final é digno de comentário (ao menos ao meu ver), mas realmente, juro a vocês, foi muito complicado!

Um esforço enorme não tão ligado ao produto mas à tecnologia em si, que realmente, segundo o que penso, apresenta ainda algumas lacunas devido à falta de normas específicas. Fato este que não se deve ao mundo da elétrica e portanto da iluminação tradicional, mas específica da tecnologia LED e a sua evolução.

Temos que ser sinceros, LED e lâmpadas tradicionais (incandescentes, vapor metálico, etc) são dois mundo totalmente diferentes. É inútil esperar o mesmo resultado  obtido com uma e com a outra! Isto é, explicando melhor, é como a mudança da lâmpada incandescente com a halógena com o bulbo de vidro externo (que está substituindo a primeira), que hoje encontramos por tudo: ok a estética é idêntica mas o efeito, mesmo que muito próximo, não pode ser comparado.

Voltando aos problemas encontrados, adianto que as luminárias e produtos usados no caso em questão não são do último chinês que apareceu no comércio, porque como vocês bem sabem, o LED para funcionar corretamente precisa de uma boa dissipação e ter a alimentação adequada, senão adeus à vida média de 50.000h, adeus à alta performance luminotécnica, adeus garantia e muitos outros adeus. A utilização de um produto bem projetado é fundamental para aproveitar as características da luz na sua totalidade.

Se quisermos o único “problema” correspondente ao produto, é justamente na maneira de como operar por nós arquitetos da luz, ou seja, escolher o material mais adequado às exigências do projeto, seja em eficiência, estética e custo. Frequentemente isto nos leva a folhear muitos catálogos de fabricantes e utilizar vários fornecedores para chegar ao melhor resultado possível.

Tudo bem, só que, usar luminárias de fabricantes diferentes significa também LEDs de origens variadas, e logo, como aconteceu comigo, para chegar à seleção da “cor branca”, temperatura de cor de 3000K, que fossem parecidas entre os vários fornecedores, foram utilizados muitos recursos.

Não falemos da difícil avalição prévia feita ainda no escritório, considerando as fotometrias dos produtos LED que, ainda hoje, mesmo existindo uma norma específica, muito frequentemente vem “fotometrados” como se fossem luminárias com lâmpadas comuns.

Uma série de problemas que deixam um pouco mais difícil o trabalho do especialista da luz, que deve sempre manter-se informado, atualizado, comparando produtos, selecionando-os, etc, com muito mais dedicação do que uma vez, para oferecer a melhor solução e para chegar ao optimum final que todos desejam. Esperamos ao menos que todo este trabalho de especializações no campo aumente um pouco mais o nosso reconhecimento no mercado que muitas vezes reduz o projeto de iluminação em 4 pontos no papel (mas isto é uma outra história).

Enfim, apesar da tecnologia LED permitir alcançar resultados, seja do ponto de vista quantitativo, mas também qualitativo da luz, até poucos inesperados anos atrás, diria eu, existem ainda muitas questões a serem abordadas.

No post, o lighting designer Giacomo termina o artigo, falando sobre um workshop que será realizado na Itália, no final do mês de novembro, na sede da Entidade Americana de Certificação Elétrica UL. O título? LED – entre inovação e certificação – o papel do Lighting Designer.

Entrei em contato com os organizadores e este evento não será transmitido online. Será um momento em que os profissionais – construtores e arquitetos do setor da iluminação –  terão a oportunidade de se atualizar e informar, confrontando, questionando e discutindo o Lighting Design.

Quem, por acaso estiver passeando pela península, pode participar ao evento, que é gratuito, na sede da UL de Burago Molgora – o interessante é que ao final da jornada, uma visita guiada ao laboratório será feita. O programa você pode conferir aqui.

 

 

 

UM POUCO MAIS SOBRE GIACOMO ROSSI:

  • Arquiteto especializado em projeto luminotécnico e fundados do Luxemozione.com. De 1999 a 2009 colaborou com o estúdio Ferrara Palladino de Milão como responsável de projetação. Até julho de 2011 foi responsável do escritório de projetos de Milão da empresa Martini Iluminação. De 2011 é titular, juntamente com Maria Lia Ferraro do estúdio de projetos e assessoria de iluminação FerraroRossi Lighting Design. Além da atividade como arquiteto de iluminação, é autor de vários artigos em importantes revistas do setor da iluminação.

 

 

and the Oscar goes to…

Hoje, 2 de julho de 2012, está acontecendo neste exato instante, a cerimônia de entrega dos vencedores do Red Dot Design Award. Um prêmio anual para a área de design – produto, projeto, comunicação – comparado ao Oscar do cinema mundial.

São várias as categorias participantes, divididas em 3 famílias:

  • Product Design
  • Communication Design
  • Design Concept

Dentro da primeira, existe a categoria Light and Lighting Design. E é sobre essa, por óbvios motivos, que eu vou me concentrar.

Os premiados deste ano foram:

1. Econe Ceiling and Pendant Luminairesidealizado por Hartmut S.Engel Design Studio e produzido por RZB-Leuchten, ambos de origem alemã.

Dueto dinâmico: se estudarmos os ensinamentos do Feng Shui, veremos que a luz tem uma influência central sobre o bem-estar de cada indivíduo. O objetivo deste projeto é usá-la em benefício de todos. O sistema de iluminação Econe – versão aplicada no teto e versão suspensa – trabalha com a dinâmica da luz para se adaptar aos humores e necessidades individuais, combinando com uma grande superfície iluminada homogeneamente com luz branca e um quadro de luz colorida o seu redor. Os dois tipos de iluminação se unem como em um dueto, criando uma atmosfera harmoniosa e agradável. A fonte de luz é projetada para não ofuscar o usuário, gerando reflexos suaves e sombras sutis. A luminária, pensada principalmente para uso comercial e de escritório, na versão pendente é suspensa através de cabos de aço de até 3 metros de comprimento.

Declaração do júri: “Econe enfeitiça os sentidos do espectador e cria uma sensação de bem-estar em qualquer sala. O conceito de design de luz estética ultrapassa os limites das estruturas de iluminação contemporâneos. Ao fazê-lo define uma relação nova e emocionante entre as pessoas, espaço e luz.”

Econe Pendant Luminaire

2. Jinn Floor Light and Table Lightidealizado pelo inglês Mathias Hahn – Product Design Studio e produzido pela eslovaca Vertigo Bird d.o.o.

Um novo espírito: o movimento Art Nouveau teve o seu marco na iluminação na década de 20 com os abajures de vidro colorido Tiffany. Na década de 80 o grupo Memphis desenvolveu luminárias que pareciam mais objetos Pop-Arte do que luminárias em si. A combinação clássica e equilibrada das peças que compõem a luminária dão uma unidade formal coesa. A luz, “presa” na parte central da luminária, nos recorda o conto 1001 Noites. Esse é o diferencial do produto: ao invés de seguir o modelo tradicional das luminárias, Jinn deslocou o ponto luminoso para o centro do objeto, refletido pela máscara de alumínio interna, emitindo a luz para fora do mesmo. O ajuste de intensidade lembra um candeeiro: o interruptor circular permite o ajuste intuitivo da luz. Design inteligente.

Declaração do júri: “Sua linguagem de forma inovadora faz com a que série Jinn seja muito atraente. Aqui uma fonte de luz é dada uma expressão forte e homogênea. Jinn demonstra como, ao questionar as formas estabelecidas, pode-se criar algo novo convincente.”

Jinn – modelo na cor preta.

3. Moon Outdoor Lightingidealizado pelo estúdio sueco LundBerg Design e produzido pela italiana Platek Light srl.

Na luz clara – a iluminação externa noturna desempenha um papel central na imagem dada por um edifício e deveria criar uma relação simbiótica com a arquitetura. Com esse conceito, a Moon faz com que a iluminação externa seja integrativa, completando e destacando a arquitetura moderna que a inspira. A harmonia visual é baseada na coerência entre as duas formas geométricas desenhadas, que servem como base para diversas aplicações: o círculo e o quadrado. O primeiro é relacionado a como o LED é integrado na luminária, transformando a ausência de matéria dentro dele no elemento principal, formando a auréola luminosa.

Declaração do júri – “O purismo de Moon Outdoor Lighting é altamente convincente. A interpretação inovadora da tecnologia LED cria um link na atmosfera entre a arquitetura e seu ambiente. A natureza modular da luminária a torna utilizável em uma ampla variedade de situações.

Moon Outdoor Lighting – uma das tantas possibilidades de instalação

4. Xoolum Linear Led – Lighting Fixtureidealizado pelos designers Michael Kramer e Gabriela Vidal, da Alemanha e produzido pela também alemã LED Linear GmbH.

Funcialmente alinhado: A teoria do sistema descreve a linearidade como a capacidade de reagir a mudanças. Xoolum é uma luminária a LED com tensão de saída de 24Vdc com enorme versatilidade: seus vários elementos oferecem novas possibilidades para um projeto de iluminação de caráter corporativo exigente. Acoplável, a luminária pode chegar a 6 metros lineares, sendo uma boa opção para espaços internos de dimensões consideráveis, fornecendo uma iluminação homogênea. A cabeça do objeto, octogonal, é ajustável em 45°, podendo ser utilizada em casos de iluminação direta difusa ou então assimétrica wallwasher.

Declaração do júri: “Xoolum apresenta um sistema de iluminação LED em uma linguagem de forma completamente nova e funcionalidade. Elegância formal combina com perfeição nos detalhes. Este conceito pensado oferece uma base para uma enorme variedade de usos na arquitetura.”

módulo linear da Xoolum.

fonte: http://en.red-dot.org

Jacopo Foggini

Mais um exemplo em que a arte e a luz se encontram e se complementam são as obras de Jacopo Foggini.

Nascido em Turim e hoje possui seu Studio em Milão, elabora suas obras a partir de um único material: o metacrilato. Uma resina termoplástica, sintética e econômica, utilizada em fábricas de carros para compor dos refletores dos faróis dos carros, onde destas são feitas milhares de cópias por dia.

Pois Foggini descobriu ali um material que poderia ser usado longe da produção em massa e sim criar objetos de design e de arte únicos, artesanais e poéticos.

Então com uma máquina que ele próprio inventou, leva o metacrilato a 200ºC, transformando-o em uma espessa massa onde depois ele molda com as próprias mãos, formando objetos que pariam entre os conceitos arte e design.

Como o metacrilato, além de ser um material que possibilita infinitas formas, é um material translúcido e a luz se torna fundamental para que a sua obra crie vida e realce suas cores.

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Suas obras já foram expostas em muitas galerias pelo mundo e também Foggini produz uma variedade de obras que complementam a arquitetura, como paredes inteiras trabalhadas em metacrilato em diversas cores com retro-iluminação, para um hall de hotel por exemplo.

Algumas das obras que pude visitar pessoalmente, foram as expostas na época do Salone Del Mobile, que acontece todo abril em Milão. O espaço escolhido é o pátio interno da Università Statale di Milano, um dos edifícios antigos mais belos da cidade e nesta época serve de palco para diversos artistas, entre eles Jacopo Foggini.

Em 2009, ele apresenta a obra (Re)Fuse, em que ele utiliza todos os restos de outras obras e as recicla, criando um grande mar de diferentes formas, cores e transparências.

Em 2010, foi a vez da mostra Golden Fleece, onde ele cria um elemento translúcido com luz colorida refletida sobre ele, suspenso no ar. Como o tema daquele ano era repensar sobre o futuro, ele quis passar a reflexão de não deixarmos de sermos nômades, que não deixemos de mudar para que tenhamos um mundo melhor no futuro.

Em 2011 foi a vez de Plasteroid, um planeta, um novo mundo, onde o artista nos levou a refletir sobre como tudo hoje se tornou descartável e nos remete ao retorno às preocupações com a natureza.

Jacopo Foggini é um artista do nosso tempo, onde ele tira idéias criativas a partir de elementos simples, recriando-os, nunca esquecendo os seus princípios, origens e preocupação ambiental.

Referências e imagens: http://www.jacopofoggini.com/

                                        http://www.leonardo.tv/DesignBook/page/jacopo-foggini.aspx

Contemporary Lighting Context 2

Muito bem, voltando ao post de alguns dias atrás onde falei sobre esse evento, venho agora publicar fotos das instalações.

Foram convidados alguns profissionais da área, seja do Lighting teatral que o mais técnico, para brincar com a luz.
A exposição aconteceu em paralelo às confêrencias, no mesmo batlocal – o Quartel de Como – porém em outro andar. Cada lighting designer ganhou uma sala, antigo quarto militar, exatamente da mesma dimensão. A partir daí rolou a criatividade, com a idéia base de tirar proveito da própria estrutura e o que ela nos transmite psicologicamente.

As fotos que você vê a seguir são diretamente direcionadas do álbum da Associação Cultural Erodoto, responsável pela realização do evento juntamente com Romano Baratta, lighting designer e mentor.

Na sequência você encontra:
1. Área Lounge – luminárias feitas de livros by Lighting Lab
2. Studio Perfomance by Collettivo Azione Luce
3. Eyes Wide shut – frame video
4. Lumiere Blanche Oblique – Franco Campioni
5. Anima 135 – Fulvio Michelazzi
6. Chi ha spento la luce – Helena Gentili by Studio Susanna Antico
7 e 8. Luce naturale colori – Luce naturale forme byErodoto
9. In un battito d’ali – Marcello Zagaria by Studio Scenes
10, 11 e 12. Ex contrario enitere – Margherita Suss by Studio GMS
13 e 14. Eco-Re link origins – Mario Frau e Monica Cozzi by Frau1808 partners
15. Dietro la bandiera ci sono gli uomini – Paola Urbano 
16 e 17. Il tempo dell’ombra – PierPaolo Koss
18 e 19. Deconstructing Windows – Stefano Mazzanti
20. Nuovi modi di illuminare lo spazio o di pensare la luce – Piero Castiglioni
21. Lampadina a incadescenza e motore per moto circolare – Alessandro Mayer
22. Lumiere Blanche Oblique – Franco Campioni
23. Studio Perfomance by Collettivo Azione Luce
24. Deconstructing Windows – Stefano Mazzanti
25. Anima 135 – Fulvio Michelazzi
26. Direzione artistica by Erodoto

Contemporary Lighting Context

Ao longo das próximas semanas estarei publicando um pouco do material absorvido, escutado e visto em um evento muito bacana de iluminação, realizado nos últimos 3 sábados em Como, Itália.

Eu tive o prazer de estar presente nos dois últimos sábados, mas infelizmente não teve muita participação ativa de Lighting Designers. Uma pena já que, conferências gratuitas, abertas também ao público em geral estão cada vez mais raras. A iniciativa partiu do lighting designer Romano Baratta em colaboração com ComOn, e organizada pela Associação Cultural Erodoto.

O tema englobador do evento obviamente foi a iluminação. Mas no termo mais amplo possível, dando espaço tanto para a iluminação cenográfica, técnica, funcional, como para a discussão da difusão da Cultura da Luz, da profissão do Lighting Designer e da antropologia no contexto.

O interessante nessa estória, não foi usar somente termos técnicos e precisos, compreensíveis apenas para quem trabalha na área, mas transportar esse conhecimento “à luz” de todos.

Situado no quartel De Cristoforis em Como, além das conferências, foram convidados 14 profissionais da área para criar uma instalação luminosa no edifício. Cada um recebeu uma sala em um andar, sempre com as mesmas dimensões, e o enfoque era utilizar a história existente e a impressão que temos de um quartel com o efeito obtido através da iluminação. Dessa proposta inicial surgiram instalações muito interessantes. Aos poucos elas também ganharão espaço aqui.

Para quem tem curiosidade em saber melhor o que aconteceu e não quer esperar a publicação dos posts, no site do Lighting Context citado acima, se pode encontrar todas as informações, fotos e vídeos do evento.