mudança de comportamento. um pensamento critico

Hoje eu venho falar sobre a evolução que o campo da iluminação está sofrendo nos últimos anos, e o quanto ainda irá mudar nos próximos.

Na Europa a mudança já começou em setembro de 2009: a lâmpada incandescente não existe mais. Sabe aquela leitosa, superconfortável e não ofuscante? Pois é, ela morreu e eu sinto muito a falta dela por aqui. A transparente hoje você ainda encontra no comércio, mas no seu interior apresenta uma minihalógena. O filamento incandescente desapareceu, juntamente com o seu charme.

a nova incandescente com uma halopin no lugar do filamento

Mas não pensemos que o Brasil está muito atrás e que necessitará de anos-luz para entrar no mérito da questão. A mesma decisão foi aprovada e a produção será interrompida num futuro muito próximo. Por quê?

foto extraida da pagina de Wind Virtual Insanity no facebook

Ponto 1. A motivação oficial é a questão da economia que se fará no cálculo geral de consumo de energia elétrica. De todas as lâmpadas, a incandescente é aquela que mais consome energia e a que menos produz quantidade de luz. Ou seja, menos eficiente.

O meu poder crítico e o conhecimento adquirido na área me fazem pensar que não é so essa a motivação. Aliás, a vejo mais como uma desculpa.

Ponto 2. Outro estudo – desenvolvido na última decada pela WWF – acabou sendo aproveitado como argumento: a pegada ecológica. Resumindo muito superficialmente, nele é apresentado um cálculo sobre a quantidade  de gás carbônico emitido na atmosfera de todas as atividades e hábitos quotidianos. A ideia é genial, afinal a emissão de CO2 é um dos maiores fatores para o aquecimento global, mas vejo que em muitos casos decisões estão sendo tomadas – apressadamente e erroneamente – se apoiando sempre no estudo.

a pegada ecológica da WWF

Ponto 3. Obviamente o mundo está em crise, e já fazem alguns anos. O que mantem o sistema em funcionamento é a evolução das tecnologias que impulsiona o capitalismo, afinal se não vende, não se enriquece. Porém pensando na realidade da iluminação, uma vez feito um projeto luminotécnico coerente, a necessidade de uma total reforma não ocorre com a mesma frequência de tantos outros projetos de arquitetura. Falo de uma vida de ao menos 5 anos para um projeto padrão comercial, 10 -15 anos para escritórios e hotéis, sem mencionar o projeto residencial.

Um dos grandes nomes que estão por trás da decisão é nada menos que a Philips. Criar novas lâmpadas, sempre mais eficientes acaba não sendo o melhor negócio. Voce não precisa substituir toda a luminária, só a lâmpada. Mas incentivar a troca de uma lâmpada que é utilizada em grande escala e encontrada em qualquer casa em todo o mundo, aborda cifras muito mais elevadas. Em muitos casos será necessário trocar TODA a luminária. Uma lâmpada de 1 real, que já começou a ser substituída pela fluorescente compacta eletrônica de 15 reais, deverá ser substituída agora por uma de no mínimo 50 reais*. Interessante isso, não?

Eu fico imaginando, num país que ainda tem uma diferença social enorme, famílias deverão investir 50x mais para trocar uma simples lâmpada, que se usada de forma errada – e isso ainda será um tema a ser abordado – dura tanto quanto uma incandescente, na pior das hipóteses. País esse que produz energia elétrica suficiente, exemplo em todo o mundo pela tecnologia “limpa” – hidrelétrica, solar e eólica. Mas não vou me apegar a pequenos detalhes, o balanço no final das contas chega a bilhões. Positivo para as fabricantes.

Chi ha spento la luce? Projeto de Helena Gentili do Studio Susanna Antico Lighting Design de Milao para a mostra Contemporary Lighting Context realizado em 2011 na cidade de Como, Italia.

No blog italiano LuxEmozione, do arquiteto e lighting designer (e posso dizer amigo) Giacomo Rossi, foi publicado ao seu tempo – 2009 – uma matéria a respeito da “morte” da lâmpada incandescente. Voce pode ler na íntegra aqui.

A conclusão dele infelizmente é a mesma a qual eu cheguei: todo esse bafafá estourou na parte mais frágil do sistema de produtos elétricos/eletrônicos.

A iluminação em uma casa representa cerca de 10% do valor final da conta elétrica. Trocando a incandescente por uma fluorescente ou LED, a contribuição seria de 5%. Geladeiras, microondas, ar-condicionado cada vez mais potente, chuveiro elétrico, secador de cabelo, máquina de lavar-roupas ou louças, sem mencionar todos os pequenos gadgets tecnológicos, computadores, iPad, celulares, etc, poderiam ser desenvolvidos para economizar 50% de energia!

Termino a minha conclusão com um pensamento pessoal e (admito) muito crítico: negar à civilização o direito de usar uma tecnologia sem antes desenvolver outra que tenha todas as vantagens da anterior, me parece burrice e estupidez.

Até hoje, todos os tipos de lâmpada que vocâ encontra hoje no mercado – incandescente, halógena, fluorescente, vapor metálico, LED – tem caracteristicas muito diferentes uma da outra, e você não pode simplesmente substituir sem nenhuma desvantagem.

A conscientização é a nossa esperança para um mundo melhor em todos os sentidos. 

Lampadinha, o ajudante do Professor Pardal com certeza não gostou da idéia

Acho que as crianças no futuro não entenderão mais o personagem... será que vai virar LEDzinho?

O próximo passo na Europa é a “otimização” das halógenas. O que irá retirar do mercado muitos outros modelos, até a sua gradual extinção.

* a proporção dos preços foi baseada na diferença encontrada hoje no mercado europeu.

mas afinal, o que é a luz?

Muito bem, para bom entendendor meia palavra basta. Ou não!

No caso da iluminação, essa frase não se aplica pois até hoje não existe uma única teoria – física – que consegue ragrupar o fenômeno dela. Digamos que a dualidade sempre vai fazer parte desse contexto: luz e sombra, psicologia e técnica, e nada mais justo que a sua explicação também seja ambígua, não?

Sem querer ser entendiante, a luz tem 4 teorias!

1. Teoria Corpuscular – século XVII

Tudo bem que o primeiro a comentar sobre corpúsculos para explicar a luz solar e o calor era Lucrécio, entre outros, ainda no período dos gregos no séc. I a.C. Mas foi no século XVII que o famoso físico Newton propôs a teoria que trata a luz como sendo composta por inúmeras microscópicas partículas. Através dessa idéia ele conseguiu explicar a reflexão e o arco-íris primário e secundário.

2. Teoria da onda – século XVII

Dessa vez foi Huyges, que descreveu a luz como sendo ondas emitidas pela fonte de luz. Para cada cor existe um comprimento de onda diferenciado, e a união de todas as cores resulta na luz branca.

O engraçado é que Huyges era contrário à teoria de Newton. Mas como o primeiro era já famoso pela sua sabedoria científica, por séculos a Teoria da Onda foi desprezada, até Thomas Young no século XIX mostrar que tinha fundamento.

A imagem abaixo é o resumo da teoria. Considere que você tem um elemento opaco A com um furo apenas para a passagem da luz. O resultado visível em um plano opaco B seria a projeção do furo iluminada. Acontece que se no plano B existem outros dois furos não alinhados ao primeiro, a luz mesmo assim passa. Isso porque a luz pode ser concentrada em um ponto, mas não é direcionada. Ela repercute por todo o espaço em movimentos ondulatórios. E ao passar pelos furos S1 e S2, o plano C acaba sendo totalmente iluminado, porém com pontos de menor intensidade – onde as ondas de cada furo S1 e S2 se colidem.

3. Teoria eletromagnética – segunda metade do século XIX:

Mais um nome para ser decorado: Maxwell! Ele viu que a luz tem propriedades elétricas e magnéticas (ondas eletromagnéticas). Acaba sendo uma evolução da Teoria da Onda, restringindo-se à explicação da luz visível. Essa teoria é basicamente matemática.

4 – Teoria Quantística – 1905:

Ok, se você pensava que a matemática acabava na terceira teoria, foi um pequeno engano. Essa última reúne a Teoria Corpuscular do Newton, mas ao invés de explicar a luz como partículas, a luz vem definida como a composição de “pacotes de energia” ou fótons. A energia do fóton determina a cor. Quem contribuiu nessa parte foi ninguém menos que Einstein.

E no final de tudo isso você pode estar se perguntando: e daí?

Daí que é praticamente inacreditável que em 2011, depois de tantos séculos de evolução e descobertas, com os maiores nomes da História Científica no meio, exista alguma coisa não totalmente explicável, uma coisa que vimos e vivenciamos todos os dias, do momento que acordamos até o momento de ir dormir. Essa é a parte fascinante da luz, tão fascinante que nem a ciência consegue ser totalmente racional e defini-la com uma só teoria.