Quando a luz é um divisor

2014, Novembro. No dia 09 do mês de novembro, neste ano, serão comemorados os 25 anos desde que Berlim voltou a ser uma só cidade.

A queda do muro, que inspirou a música de Pink Floyd e que sobretudo rendeu imagens belíssimas reportando a liberdade de uma população inteira ao ter o seu direito de ir e vir devolvido, famílias que se reencontraram depois de décadas, foi um dos maiores símbolos perpetuados no século XX da vitória da democracia.

Passados estes 25 anos, Berlim se reconstruiu sem esquecer da sua História, por ela e para que o significado da queda do muro seja sempre relembrado, entre os dias 7 e 9 de novembro, o muro retornará. Retornará de uma maneira um tanto inusitada e muito interessante: será recriado o traçado do muro através do elemento chave do nosso blog, a LUZ.

LICHTGRENZE

No total, serão mais de 8.000 balões luminosos, inflados com gás hélio, dispostos ao longo de 15km, dividindo novamente a Berlim em oriental e ocidental. Nos trechos onde ainda existem partes do muro histórico, serão compartilhadas ainda 100 histórias reais que tiveram o muro como personagem principal. E, ao fim da tarde do dia 09, milhares de moradores irão até o seu respectivo balão, colocarão a sua mensagem nele e depois o lançarão ao ar ao som da 9º Sinfonia de Beethoven “Ode an die Freunde”.

As 100 histórias e as mensagens dos moradores estão no site https://fallofthewall25.com/ e quem quiser contribuir e fazer parte deste evento pode também deixar a sua mensagem lá. Valem memórias, opiniões, desejos e reflexões sobre o significado da Queda do Muro de Berlim.

Os idealizadores do “muro de luz” Christopher e Marc Bauder entre as estruturas. Delas sairá a luz que iluminará os balões presos na parte superior. Foto de Frank Ebert

WHITEvoid

O escritório de design de Berlim está ajudando a tornar real a ideia dos irmãos Bauder, com o apoio da Robert-Havemann-Gesellschaft e Kulturprojekte Berlin GmbH. O designer Christopher Bauder, designer, resolveu unir o seu conhecimento em instalações cinéticas de LED com a experiência do seu irmão, Marc, cineasta. Os balões, de 60 polegadas de diâmetro, ficarão fixados nas estruturas de 3,40m de altura, correspondendo mais ou menos à altura original do muro.

Para o funcionamento da iluminação de LED nas estruturas dos balões, serão utilizadas mais de 60.000 baterias. E após o lançamento deles no céu, a borracha biodegradável que estão sendo fabricados (material desenvolvido em parceria com a Universidade de Hannover), além do gás hélio, irão se decompor naturalmente pelos fatores ambientais: sol, oxigênio ou bactérias.

Além de ser uma ideia brilhante, toda a engenharia pensada para não comprometer o meio ambiente demonstra o quanto a Alemanha se evoluiu após a Queda do Muro. Um exemplo a ser seguido por todas as nações: recordar da sua História, manter a identidade do seu povo e procurar um futuro melhor para todos.

Na página do facebook você pode acompanhar os preparativos e matérias feitas a respeito:

https://www.facebook.com/lichtgrenze

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Energitismo. O Manifesto

 

O blog aborda principalmente a iluminação – natural e artificial. Porém a segunda não pode existir sem o elemento base: a energia. E é por esta mesma, hoje em dia tão em voga com as fontes renováveis, que eu venho escrever a matéria de hoje.

SIm, o nome é estranho mas você pode conferir no site do próprio movimento energitismo.org.

A ideia é a vontade de colocar em prática o que várias pessoas com certeza já pensaram:

Porque as tecnologias de energia devem ser sem rosto, sem identidade e sem dignidade? Por que a maioria das usinas de energias renováveis devem ser consideradas pouco atraentes? Por que elas são tratadas como pragas que infestam as nossas casas?

O movimento, criado por Claudia Bettiol, visa uma nova tecnologia filosófica. Como? Chamando a atenção de designers, artistas, arquitetos e afins, porque “cada artefato deve ser o fruto de três qualidades: ser estrutural, funcional e estético.”

Eu por exemplo, já me peguei pensando porque certas coisas que nos são úteis todos os dias não são pensadas com um design inteligente. Afinal, qualquer máquina ou objeto para executar bem a sua função não precisa ser feio. O ser humano é dotado da visão e é através dela que detectamos o belo e o feio. E muitos estudos comprovam, o belo nos faz bem.

Por enquanto, praticamente todas empresas que estão investindo na produção de fontes de energias renováveis estão preocupadas no sistema, esquecendo a forma final. Olhanda para a História da Humanidade, uma civilização bem sucedida o foi ao seu tempo porque conseguiu conciliar todas as três características.

Em outubro, o desafio lançado pelo Manifesto ganhará vida na Bienal em Vicenza com o “Energitismo Exhibition”. Entre os artistas que irão participar estarão:

  • Orproject, escritório de arquitetura e design de Londres.
  • Luisa Elia, artista italiana de Lecce.
  • Alberto Tessaro, comandando a Enessere.
  • Fabrizio Borello, desenvolvedor de construções renováveis.
  • Jeroen Verhoeven.
  • Simone Giostra, arquiteto do escritório Giostra&Partners especializado em projetos de arquitetura sustentável
  • Theo Jansen, artista holandês.

Abaixo seguem algumas imagens do que está se propondo no momento:

Stuttgart University.

Solar Tree by Ross Lovegrove. Artemide. Poste urbano a LED com painéis solares.

energia eólica: Simen Super 4 8iRm

Aeroporto de Marrakesh.

detalhe das zenitais.

Solar Balloon

Assim como o tema deste blog, o homem é energia pura, intensa e dinâmica. Somos nós quem desenvolvemos a tecnologia e as cidades. Devemos vivê-las com a plenitude que elas nos oferecem e tornando o nosso modo de viver “renovável” em também bonito, agradável aos olhos.

E para finalizar essa iniciativa mais do que bem pensada, se pode concluir com uma citação de Einstein, muito objetiva para este manifesto e o momento que vivemos hoje:

“Não podemos ter a pretensão de que as coisas mudem se continuamos a fazê-las da mesma maneira. A crise é a melhor coisa que pode acontecer às pessoas e a inteiros países porque é a crise que traz o progresso.

A criatividade nasce da ânsia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nasce a invenção, a descoberta e as grandes estratégias.

Quem supera a crise supera a si mesmo sem ser superado. Quem atribui a suas perdas e erros à crise, violenta o próprio talento e respeita mais os problemas que as soluções.

A verdadeira crise é a crise da incompetência. O erro das pessoas e dos países é a preguiça de procurar por soluções.

Sem crise não existem desafios, sem desafios a vida é rotina, uma lenta agonia. Sem crise não existem méritos. É na crise que o melhor de cada um de nós aflora poque sem crise qualquer vento é um carinho.

Falar de crise é criar movimento; acomodar-se nela exalta o conformismo. Ao invés disso, vamos trabalhar duro! A única crise ameaçadora é a tragédia de não querer lutar para superá-la.”

Albert Einstein (1879-1955).

fonte:

 

mudança de comportamento. um pensamento critico

Hoje eu venho falar sobre a evolução que o campo da iluminação está sofrendo nos últimos anos, e o quanto ainda irá mudar nos próximos.

Na Europa a mudança já começou em setembro de 2009: a lâmpada incandescente não existe mais. Sabe aquela leitosa, superconfortável e não ofuscante? Pois é, ela morreu e eu sinto muito a falta dela por aqui. A transparente hoje você ainda encontra no comércio, mas no seu interior apresenta uma minihalógena. O filamento incandescente desapareceu, juntamente com o seu charme.

a nova incandescente com uma halopin no lugar do filamento

Mas não pensemos que o Brasil está muito atrás e que necessitará de anos-luz para entrar no mérito da questão. A mesma decisão foi aprovada e a produção será interrompida num futuro muito próximo. Por quê?

foto extraida da pagina de Wind Virtual Insanity no facebook

Ponto 1. A motivação oficial é a questão da economia que se fará no cálculo geral de consumo de energia elétrica. De todas as lâmpadas, a incandescente é aquela que mais consome energia e a que menos produz quantidade de luz. Ou seja, menos eficiente.

O meu poder crítico e o conhecimento adquirido na área me fazem pensar que não é so essa a motivação. Aliás, a vejo mais como uma desculpa.

Ponto 2. Outro estudo – desenvolvido na última decada pela WWF – acabou sendo aproveitado como argumento: a pegada ecológica. Resumindo muito superficialmente, nele é apresentado um cálculo sobre a quantidade  de gás carbônico emitido na atmosfera de todas as atividades e hábitos quotidianos. A ideia é genial, afinal a emissão de CO2 é um dos maiores fatores para o aquecimento global, mas vejo que em muitos casos decisões estão sendo tomadas – apressadamente e erroneamente – se apoiando sempre no estudo.

a pegada ecológica da WWF

Ponto 3. Obviamente o mundo está em crise, e já fazem alguns anos. O que mantem o sistema em funcionamento é a evolução das tecnologias que impulsiona o capitalismo, afinal se não vende, não se enriquece. Porém pensando na realidade da iluminação, uma vez feito um projeto luminotécnico coerente, a necessidade de uma total reforma não ocorre com a mesma frequência de tantos outros projetos de arquitetura. Falo de uma vida de ao menos 5 anos para um projeto padrão comercial, 10 -15 anos para escritórios e hotéis, sem mencionar o projeto residencial.

Um dos grandes nomes que estão por trás da decisão é nada menos que a Philips. Criar novas lâmpadas, sempre mais eficientes acaba não sendo o melhor negócio. Voce não precisa substituir toda a luminária, só a lâmpada. Mas incentivar a troca de uma lâmpada que é utilizada em grande escala e encontrada em qualquer casa em todo o mundo, aborda cifras muito mais elevadas. Em muitos casos será necessário trocar TODA a luminária. Uma lâmpada de 1 real, que já começou a ser substituída pela fluorescente compacta eletrônica de 15 reais, deverá ser substituída agora por uma de no mínimo 50 reais*. Interessante isso, não?

Eu fico imaginando, num país que ainda tem uma diferença social enorme, famílias deverão investir 50x mais para trocar uma simples lâmpada, que se usada de forma errada – e isso ainda será um tema a ser abordado – dura tanto quanto uma incandescente, na pior das hipóteses. País esse que produz energia elétrica suficiente, exemplo em todo o mundo pela tecnologia “limpa” – hidrelétrica, solar e eólica. Mas não vou me apegar a pequenos detalhes, o balanço no final das contas chega a bilhões. Positivo para as fabricantes.

Chi ha spento la luce? Projeto de Helena Gentili do Studio Susanna Antico Lighting Design de Milao para a mostra Contemporary Lighting Context realizado em 2011 na cidade de Como, Italia.

No blog italiano LuxEmozione, do arquiteto e lighting designer (e posso dizer amigo) Giacomo Rossi, foi publicado ao seu tempo – 2009 – uma matéria a respeito da “morte” da lâmpada incandescente. Voce pode ler na íntegra aqui.

A conclusão dele infelizmente é a mesma a qual eu cheguei: todo esse bafafá estourou na parte mais frágil do sistema de produtos elétricos/eletrônicos.

A iluminação em uma casa representa cerca de 10% do valor final da conta elétrica. Trocando a incandescente por uma fluorescente ou LED, a contribuição seria de 5%. Geladeiras, microondas, ar-condicionado cada vez mais potente, chuveiro elétrico, secador de cabelo, máquina de lavar-roupas ou louças, sem mencionar todos os pequenos gadgets tecnológicos, computadores, iPad, celulares, etc, poderiam ser desenvolvidos para economizar 50% de energia!

Termino a minha conclusão com um pensamento pessoal e (admito) muito crítico: negar à civilização o direito de usar uma tecnologia sem antes desenvolver outra que tenha todas as vantagens da anterior, me parece burrice e estupidez.

Até hoje, todos os tipos de lâmpada que vocâ encontra hoje no mercado – incandescente, halógena, fluorescente, vapor metálico, LED – tem caracteristicas muito diferentes uma da outra, e você não pode simplesmente substituir sem nenhuma desvantagem.

A conscientização é a nossa esperança para um mundo melhor em todos os sentidos. 

Lampadinha, o ajudante do Professor Pardal com certeza não gostou da idéia

Acho que as crianças no futuro não entenderão mais o personagem... será que vai virar LEDzinho?

O próximo passo na Europa é a “otimização” das halógenas. O que irá retirar do mercado muitos outros modelos, até a sua gradual extinção.

* a proporção dos preços foi baseada na diferença encontrada hoje no mercado europeu.