Capela Sistina: o que está por vir em 2014

A fabricante de lâmpadas, luminárias e acessórios Osram está providenciando a iluminação da Capela Sistina no Vaticano com uma nova solução em LED. Depois de 500 anos, a grande obra de arte poderá ser vista em um nível de detalhamento inédito, e a instalação especial para conservar a obra-prima dará maiores níveis de iluminância. Além disto, o sistema terá uma redução de 60% no consumo energético comparado ao sistema de iluminação atual.

A arte exige a melhor e mais eficiente iluminação. Seguindo a iluminação especial realizada para o Museu Lenbachhaus  em Munique, os famosíssimos afrescos da Sistina agora ganharão a mesma luz, contando sempre com a autoridade da Osram para integrar a experiência de acordo com as especificações.

Ao longo do próximo ano, cerca de 7000 LEDs serão distribuídos de forma a iluminar uniformemente a Capela Sistina de modo a mostrar a totalidade dos detalhes das pinturas. O espectro de cor foi feito especialmente, baseado cientificamente para reproduzir com alta precisão os pigmentos coloridos da obra de Michelangelo.

As luminárias serão instaladas de forma invisível aos olhos dos visitantes, entre as janelas para que a luz artificial tenha a mesma direção da luz natural. Até hoje, os afrescos da Capela Sistina eram pouco visíveis pois dependiam da intensidade luminosa da luz solar.

O quesito de conservação e a proteção do trabalho de arte nortearam o conceito do projeto, e a nova solução em LED encontrada é significantemente mais eficiente do que qualquer outro tipo de iluminação artificial. A iluminância de aproximadamente 50 a 100 lx representam 10x mais luz do que o sistema atual, e portanto, todos os aspectos dos afrescos poderão ser claramente visíveis com o menor processo de desgaste possível.

Além disto, a qualidade da iluminação e a redução considerável de 60% no sistema de iluminação são outros aspectos fundamentais do projeto.

O projeto-piloto, nomeado LED4Art é subsidiado pelo PSP-CIP, que pretende demonstrar as novas possibilidades de tecnologia para o LED, além do seu consumo menor em relação às outras tecnologias e maior qualidade de luz para abrir as portas do mercado a esta tecnologia. Além da organização europeia e da Osram, a Universidade de Pannonia da Hungria, o Instituto de Pesquisa em Energia da Catalunha da Espanha e a Faber Technica da Itália estão participando deste projeto.

 

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 Fonte: Osram – Copyright

 

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Mas qual lâmpada?

A ASSIL – Associação Italiana dos Produtores de Iluminação – disponibilizou um site muito interessante e que julgamos pertinente para ser traduzido e apresentado ao público brasileiro.

http://www.lampadinagiusta.it

Com um nome autoexplicativo do site – lâmpada correta – a associação fez um artigo que visa esclarecer em geral os tipos de lâmpadas e em que caso um é mais apto do que outro conforme a finalidade.

Informação necessária para termos a consciência, no momento em que precisamos trocar a lâmpada, seja pela queima ou quando pensamos em melhorar o nosso espaço, qual produto escolher.

Afinal, como já escrevemos em alguns posts passados, quanto maior a nossa cultura sobre os produtos de iluminação, melhor será a nossa qualidade de vida!

As características principais são separadas em 3 categorias:

  1. Características físicas
  2. Tecnologia
  3. Desempenho

1. CARACTERÍSTICAS FÍSICAS

  • Base – conexão

A base da lâmpada permite a conexão da mesma com o soquete. Existe uma infinidade de bases, de nomenclatura internacional, sendo as mais utilizadas as seguintes:

E27 – o tradicional soquete da lâmpada incadescente, halógena PAR, fluorescente compacta eletrônica e agora, das lâmpadas de led.

GU5.3  – soquete da lâmpada halógena dicróica

  • Forma e dimensão

Hoje em dia, encontramos lâmpadas nas formas mais variadas possíveis. E por isso mesmo, pensando no momento atual do mercado – com a eliminação de alguns modelos de incandescentes e halógenas – o “retrofit” faz com que os fabricantes garantam a substituição por novas tecnologias, também com base na dimensão para serem adaptadas nas luminárias existentes.

IMPORTANTE:

As novas lâmpadas, mesmo emitindo a mesma quantidade de luz respeito a uma lâmpada convencional, podem haver dimensões (altura e diâmetro) diferentes. O que implica isto? Dependendo esta diferença, a lâmpada não se encaixa na luminária existente em casa.

As dimensões se tornaram mais um elemento a ser avaliado no momento da compra-troca de uma lâmpada. Deve-se ter atenção e as fabricantes devem reportar na embalagem essas características.

  • TENSÃO DE ALIMENTAÇÃO

Por ‘LUMINÁRIA’ vamos tratar o dispositivo elétrico (spot, projetor, arandela, pendente, abajur, lustre) que faz funcionar uma ou mais lâmpadas. Cada tipo de luminária é projetada de forma a considerar as especificações de uma determinada lâmpada. Por isto, é sempre importante conferir na hora da compra as características desta luminária.

127V, 220V ou 12V?

Um dos primeiros itens a ser considerado no momento da escolha da luminária é a tensão de alimentação elétrica. Muitas funcionam com tensão de rede, variando entre 127V (encontrada nas metrópoles brasileiras) e 220V (encontrada em todo o país) ou a 12V (baixa tensão).

Antes da vinda do LED, as lâmpadas mais comuns que funcionavam a baixa tensão eram as incadescentes e halógenas, particularmente as de soquete G4, GU4, GU5.3, GX5.3, GY6.35. Hoje você encontra soluções com tecnologia LED capazes de substituir estas. O importante é sempre saber a proveniência e qualidade do produto.

Já existe na Europa a preocupação de colocar nas embalagens das lampLEDs a informação de qual lâmpada estaria sendo substituída pelo produto, de forma a evitar uma aquisição errônea.

2. TECNOLOGIA

Desde junho de 2012, o Brasil decidiu seguir o restante do mundo e aposentar gradualmente as lâmpadas incandescentes. A motivação principal é o fato de que a eficiência energética (quantidade de potência em W necessária para produzir uma quantidade de luz em lúmens) ser muito modesta.

Para preencher a lacuna que as lâmpadas incandescentes deixarão no mercado, nos últimos anos as fabricantes procuraram desenvolver novas tecnologias para garantir uma maior eficiência energética. Desta forma, consumindo menos potência, as lâmpadas de nova geração contribuem para a redução de CO2 na atmosfera.

Na imagem abaixo se pode conferir as etapas para a eliminação total de produção, distribuição e venda das lâmpadas incandescentes.

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A eficiência energética das lâmpadas é classificada como os eletrodomésticos, CLASSE A, CLASSE B, CLASSE C, etc, de forma a auxiliar o consumidor a entender qual lâmpada consome mais energia elétrica e qual rende mais.

As tecnologias existentes hoje no mercado mais populares para o uso doméstico, são:

  • HALÓGENAS

Da família das lâmpadas incandescentes, as halógenas também tem filamento. A grande diferença é a presença de gás halogênio que permite ao filamento de tungstênio atingir temperaturas mais elevadas, emitindo mais luz e maior duração se compararmos com a ‘prima mais velha’ incandescente.

Por atingir temperaturas muito altas pela sua característica, as halógenas NÃO devem ser tocadas enquanto ligadas.

As halógenas estão disponíveis nas formas clássicas de gota, esfera, vela e linear como emissão luminosa geral e com refletor alumínio ou dicroico como emissão luminosa direcionada, com a opção de diversos fachos de abertura.

O seu funcionamento pode ser em tensão de rede ou a baixa tensão, normalmente 12V. A diferença principal para a existência de formas diferentes de alimentação é que a tensão de rede, seja 127V ou 220V não exige nenhum tipo de acessório para completar o seu funcionamento, basta conectar a lâmpada no soquete da luminária. A baixa tensão, 12V, exige o uso de um transformador que converte a tensão de rede para os 12V. Apesar da desvantagem de necessitar de um acessório, os pontos positivos são a redução de choques elétricos mortais e a maior durabilidade da lâmpada que pode chegar a 5x mais do que uma lâmpada incandescente tradicional.

A maior parte das lâmpadas halógenas podem ser controladas e reguladas diretamente no interruptor sem problemas. Para a versão à baixa tensão, o transformador deve ser compatível com o dimmer.

O dimmer, representado na imagem acima, é o dispositivo – botão ou toque – que regula a intensidade da luz ao invés de simplesmente ligar e desligar a luz como um interruptor normal.

  • FLUORESCENTES COMPACTAS ELETRÔNICAS

As famosas lâmpadas econômicas representam um tipo da tecnologia fluorescente. A característica desta família é a presença de um pó fluorescente no interior do tubo de vidro da lâmpada que em conjunto com gases nobres e uma pequena quantidade de mercúrio, emite luz após uma descarga elétrica. A composição química do pó fluorescente determina a cor da luz e a qualidade dela na reprodução de cor dos objetos iluminados.

Com base E14 e E27, elas surgiram como alternativa às lâmpadas incandescentes, tendo dentro da base plástica o alimentador eletrônico miniaturizado. Devido à necessidade de ter este alimentador para funcionar em tensão de rede, NEM TODOS OS MODELOS SÃO COMPATÍVEIS COM O DIMMER TRADICIONAL.

A lâmpada fluorescente compacta com reator integrado ficou conhecida como lâmpada econômica porque foi uma das primeiras da geração de fontes luminosas com baixo consumo energético para a iluminação.

  • LAMPLED

Esta é a tecnologia mais moderna para iluminação, disponibilizada amplamente no mercado. As LAMPLEDs são da família do LED mas já com forma, dimensão e soquete compatíveis com as lâmpadas tradicionais. Elas utilizam no seu interno o microcomponente optoeletrônico que dá o nome à tecnologia – Lighting Emitting Diode.

Tecnologia descoberta na década de 60, utilizada inicialmente dentro de produtos eletrônicos, o LED foi desenvolvido para o ramo da iluminação a partir de 2000, quando teve um salto na eficiência energética.

Uma das grandes vantagens é a durabilidade muito maior das demais tecnologias, claro que desde que seja instalada e mantida nas condições adequadas. O acendimento imediato e a dimensão diminuta faz com que esta tecnologia tenha um nicho exclusivo de utilizo.

A cor da luz branca do LED inicialmente vinha a partir da combinação de LEDs coloridos RGB – vermelho, verde e branco – o que resultava em diversas tonalidades de branco – do mais azulado (frio) ao mais amarelado (quente) – porém não satisfatória para um uso indiscriminado já que produzia sombras fragmentadas coloridas.

Utilizando fósforos, assim como a tecnologia que vimos anteriormente, a fluorescente, sobre um LED azul, podemos obter a luz branca com a qual estamos habituados.

IMPORTANTE:

Nem todas as lâmpadas de LED são compatíveis com os dimmers tradicionais. 


3. DESEMPENHO

  • QUANTA LUZ A LÂMPADA EMITE?

O lúmen (lm) é a unidade de medida para o fluxo luminoso de uma lâmpada, ou seja, é a quantidade de luz emitida por ela.

Saber quantos lúmens são emitidos é importante para entender a quantidade de luz que a lâmpada produz e se é ou não de acordo com o que o consumidor está procurando.

Uma lâmpada incadescente de 100W tem um fluxo de cerca de 1400lm, enquanto que uma de 60W tem 740lm.

  • EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

A eficiência é a relação do fluxo luminoso (lúmen) de uma lâmpada pela potência (watt) que esta emprega ao ser ligada.

É o parâmetro encontrado de classificação da eficácia de uma lâmpada, independente da tecnologia utilizada. Quanto maior fluxo e menor a potência, mais eficiente é a lâmpada.

  • ÍNDICE DE REPRODUÇÃO DE COR (IRC)

As cores que vimos sob uma luz aritificial é a relação da emissão da luz e a sua característica em reproduzir fielmente a cor do objeto que nela incide.

Como padrão, o SOL  é a única fonte luminosa que reproduz com uma fidelidade perfeita de 100% as cores de tudo o que vimos. Por exemplo, se uma lâmpada tem como característa a reprodução entre 90 e 100%, a sua qualidade é ótima. Quanto mais baixo o índice indicado pela fabricante, mais comprometida fica a visualização e diferenciação das cores.

  • TONALIDADE DA LUZ – TEMPERATURA DE COR

A temperatura de cor indica a tonalidade da luz emitida pela lâmpada. A unidade de medida é feita em grau Kelvin (K). É por causa desta característica que falamos de uma luz ser ‘fria’, ‘morna’ ou ‘quente’. Já escrevemos sobre o assunto no post Esse tal de Kelvin.

Uma lâmpada halógena varia de 2500 a 3100K, dependendo do modelo, o que dá o tom mais amarelado da sua emissão.

Uma lâmpada fluorescente compacta pode ser 2700K ou 6500K, conforme os padrões disponíveis no mercado, e por isto a primeira é amarelada e a segunda é azulada.

A extensão do artigo acabou se tornando longa, porém espero que você, leitor, tenha não só desfrutado do conteúdo como também absorvido uma parte das informações.

Estas são somente a base mais sintética possível para aproximar o consumidor, esclarecendo melhor as tecnologias mais usadas a níveis domésticos. Em um futuro próximo, estaremos disponibilizando mais conteúdo com a finalidade de formar uma cultura da luz, gerando mais esclarecimentos por parte de todos e difundindo a importância da percepção dos espaços através da iluminação, natural e/ou artificial.

LED – desabafo de um lighting designer italiano

Hoje venho, através do nosso blog, transmitir um post do arquiteto e lighting designer italiano Giacomo Rossi, publicado no seu site Lux Emozione. Tive a oportunidade de conhecê-lo no evento sobre iluminação em que partipei em Como na Itália, no ano passado – você pode ler mais sobre ele neste post.

O assunto a ser abordado é o do momento: LED. Porém visto através do profissional da área de iluminação com todas as vantagens e facilidades da tecnologia (conforme divulgado na mídia) e as dificuldades reais para a sua instalação.

Dificuldades estas que não são exclusividade do mercado italiano. Infelizmente, ainda hoje para certas aplicações a substituição plena para o LED ainda tem como consequência uma boa dor de cabeça. Um pouco do assunto já foi abordado por nós anteriormente no post mudança de comportamento.

Mas vamos ao texto do Giacomo:

Caros amigos projetistas da luz, não sei se vocês já se dispuseram a utilizar a tecnologia LED nos seus trabalhos, talvez como alternativa às tradicionais lâmpadas. Bem, eu tive o prazer de usar recentemente esta tecnologia, em uma aplicação onde a questão não era somente a necessidade da alta eficiência luminosa, mas também uma alta performance em termos de reprodução de cor e possibilidade de escolher a temperatura de cor. Enfim, o resultado final é digno de comentário (ao menos ao meu ver), mas realmente, juro a vocês, foi muito complicado!

Um esforço enorme não tão ligado ao produto mas à tecnologia em si, que realmente, segundo o que penso, apresenta ainda algumas lacunas devido à falta de normas específicas. Fato este que não se deve ao mundo da elétrica e portanto da iluminação tradicional, mas específica da tecnologia LED e a sua evolução.

Temos que ser sinceros, LED e lâmpadas tradicionais (incandescentes, vapor metálico, etc) são dois mundo totalmente diferentes. É inútil esperar o mesmo resultado  obtido com uma e com a outra! Isto é, explicando melhor, é como a mudança da lâmpada incandescente com a halógena com o bulbo de vidro externo (que está substituindo a primeira), que hoje encontramos por tudo: ok a estética é idêntica mas o efeito, mesmo que muito próximo, não pode ser comparado.

Voltando aos problemas encontrados, adianto que as luminárias e produtos usados no caso em questão não são do último chinês que apareceu no comércio, porque como vocês bem sabem, o LED para funcionar corretamente precisa de uma boa dissipação e ter a alimentação adequada, senão adeus à vida média de 50.000h, adeus à alta performance luminotécnica, adeus garantia e muitos outros adeus. A utilização de um produto bem projetado é fundamental para aproveitar as características da luz na sua totalidade.

Se quisermos o único “problema” correspondente ao produto, é justamente na maneira de como operar por nós arquitetos da luz, ou seja, escolher o material mais adequado às exigências do projeto, seja em eficiência, estética e custo. Frequentemente isto nos leva a folhear muitos catálogos de fabricantes e utilizar vários fornecedores para chegar ao melhor resultado possível.

Tudo bem, só que, usar luminárias de fabricantes diferentes significa também LEDs de origens variadas, e logo, como aconteceu comigo, para chegar à seleção da “cor branca”, temperatura de cor de 3000K, que fossem parecidas entre os vários fornecedores, foram utilizados muitos recursos.

Não falemos da difícil avalição prévia feita ainda no escritório, considerando as fotometrias dos produtos LED que, ainda hoje, mesmo existindo uma norma específica, muito frequentemente vem “fotometrados” como se fossem luminárias com lâmpadas comuns.

Uma série de problemas que deixam um pouco mais difícil o trabalho do especialista da luz, que deve sempre manter-se informado, atualizado, comparando produtos, selecionando-os, etc, com muito mais dedicação do que uma vez, para oferecer a melhor solução e para chegar ao optimum final que todos desejam. Esperamos ao menos que todo este trabalho de especializações no campo aumente um pouco mais o nosso reconhecimento no mercado que muitas vezes reduz o projeto de iluminação em 4 pontos no papel (mas isto é uma outra história).

Enfim, apesar da tecnologia LED permitir alcançar resultados, seja do ponto de vista quantitativo, mas também qualitativo da luz, até poucos inesperados anos atrás, diria eu, existem ainda muitas questões a serem abordadas.

No post, o lighting designer Giacomo termina o artigo, falando sobre um workshop que será realizado na Itália, no final do mês de novembro, na sede da Entidade Americana de Certificação Elétrica UL. O título? LED – entre inovação e certificação – o papel do Lighting Designer.

Entrei em contato com os organizadores e este evento não será transmitido online. Será um momento em que os profissionais – construtores e arquitetos do setor da iluminação –  terão a oportunidade de se atualizar e informar, confrontando, questionando e discutindo o Lighting Design.

Quem, por acaso estiver passeando pela península, pode participar ao evento, que é gratuito, na sede da UL de Burago Molgora – o interessante é que ao final da jornada, uma visita guiada ao laboratório será feita. O programa você pode conferir aqui.

 

 

 

UM POUCO MAIS SOBRE GIACOMO ROSSI:

  • Arquiteto especializado em projeto luminotécnico e fundados do Luxemozione.com. De 1999 a 2009 colaborou com o estúdio Ferrara Palladino de Milão como responsável de projetação. Até julho de 2011 foi responsável do escritório de projetos de Milão da empresa Martini Iluminação. De 2011 é titular, juntamente com Maria Lia Ferraro do estúdio de projetos e assessoria de iluminação FerraroRossi Lighting Design. Além da atividade como arquiteto de iluminação, é autor de vários artigos em importantes revistas do setor da iluminação.

 

 

abril. o mês da luz.

Uma feira que acontece a cada dois anos e este ano chega na sua sétima edição. Está se aproximando o momento de participar deste evento, cada vez mais consagrado, no que se refere a mostrar ao público toda a pesquisa e produção na iluminação mundial, eletrotécnica, gestão e controle da luz.

Estou falando da Light+Building, que acontece sempre em abril, frequência bienal, em Frankfurt Alemanha. Quem é da área sempre dá um jeito em aparecer para ver as tendências dos próximos anos.

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Na última edição que se realizou em 2010, a feira atraiu mais de 180.000 visitantes, sendo 43% dele do exterior. A atração que acaba fidelizando e ampliando o seu público, é o fato que dentro da feira você encontra praticamente tudo o que está ligado com a iluminação: luminárias de design das maiores e mais renomadas empresas do mundo, componentes luminotécnicos e acessórios.

Em 2010, a cidade de Frankfurt contou com eventos paralelos à manifestação: teve a premiação da segunda edição do Concurso de Idéias do AIDI – Associação Italiana de Iluminação – com parceria do Gruppo Cariboni, há mais de 100 anos atuando na área energética.
A iniciativa, voltada para o mundo universitário se destaca pela sua importância cultural e didática teve como vencedores Francesco Guastella e Saara Sofia Ingeborg Jaaniten com o produto “Twist”, desenvolvido para o âmbito urbano.

Além dos tradicionais nomes, já consolidados no mercado luminotécnico mundial como Axo Light, Artemide, Catellani&Smith, Flos, IGuzzini, algumas empresas se destacarams em 2010 que ganharam espaço na mídia. São elas:

Lucente – fabricante de luminárias para ambientes interno, a luminária de piso Semjase impressionou pela sua dimensão. Desenhada pelo Studio Santantonio. Com a estrutura em poliuretano expanso, se destaca pelo perfil delgado, remetendo às imagens”extraterrestres”. O arco acaba permitindo uma área mais ampla iluminada auxiliada pela orientabilidade da parte superior.

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O projetor Kalypso desenhado por Paolo De Lucchi, em versões suspensa, à parede e tipo plafond foi outro destaque da marca. A particularidade do produto é dada pelas bolhas escavas na parte superior da calota. A grande jogada é também o utilizo da tecnologia a LED, com baixo consumo de energia e por isso mais procurada.

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Sao, luminária fixada na parede ou teto e Style, com aplicação a suspensão ou parete, foram outros dois produtos muito comentados para o uso não só residencial mas também do setor Contract, Hoteleiro.

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Metalspot – outra empresa italiana que tem como lema o respeito pelo ambiente e a atenção ao detalhe e apresentou muitas propostas com LED. O modelo Epsilon, suspenso, tem como designer o famoso Karim Hashid. O diferencial é o material utilizado: espelho AntichMirror.

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Já a suspensão Tratto brinca com a leveza dos prismas luminosos.

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mudança de comportamento. um pensamento critico

Hoje eu venho falar sobre a evolução que o campo da iluminação está sofrendo nos últimos anos, e o quanto ainda irá mudar nos próximos.

Na Europa a mudança já começou em setembro de 2009: a lâmpada incandescente não existe mais. Sabe aquela leitosa, superconfortável e não ofuscante? Pois é, ela morreu e eu sinto muito a falta dela por aqui. A transparente hoje você ainda encontra no comércio, mas no seu interior apresenta uma minihalógena. O filamento incandescente desapareceu, juntamente com o seu charme.

a nova incandescente com uma halopin no lugar do filamento

Mas não pensemos que o Brasil está muito atrás e que necessitará de anos-luz para entrar no mérito da questão. A mesma decisão foi aprovada e a produção será interrompida num futuro muito próximo. Por quê?

foto extraida da pagina de Wind Virtual Insanity no facebook

Ponto 1. A motivação oficial é a questão da economia que se fará no cálculo geral de consumo de energia elétrica. De todas as lâmpadas, a incandescente é aquela que mais consome energia e a que menos produz quantidade de luz. Ou seja, menos eficiente.

O meu poder crítico e o conhecimento adquirido na área me fazem pensar que não é so essa a motivação. Aliás, a vejo mais como uma desculpa.

Ponto 2. Outro estudo – desenvolvido na última decada pela WWF – acabou sendo aproveitado como argumento: a pegada ecológica. Resumindo muito superficialmente, nele é apresentado um cálculo sobre a quantidade  de gás carbônico emitido na atmosfera de todas as atividades e hábitos quotidianos. A ideia é genial, afinal a emissão de CO2 é um dos maiores fatores para o aquecimento global, mas vejo que em muitos casos decisões estão sendo tomadas – apressadamente e erroneamente – se apoiando sempre no estudo.

a pegada ecológica da WWF

Ponto 3. Obviamente o mundo está em crise, e já fazem alguns anos. O que mantem o sistema em funcionamento é a evolução das tecnologias que impulsiona o capitalismo, afinal se não vende, não se enriquece. Porém pensando na realidade da iluminação, uma vez feito um projeto luminotécnico coerente, a necessidade de uma total reforma não ocorre com a mesma frequência de tantos outros projetos de arquitetura. Falo de uma vida de ao menos 5 anos para um projeto padrão comercial, 10 -15 anos para escritórios e hotéis, sem mencionar o projeto residencial.

Um dos grandes nomes que estão por trás da decisão é nada menos que a Philips. Criar novas lâmpadas, sempre mais eficientes acaba não sendo o melhor negócio. Voce não precisa substituir toda a luminária, só a lâmpada. Mas incentivar a troca de uma lâmpada que é utilizada em grande escala e encontrada em qualquer casa em todo o mundo, aborda cifras muito mais elevadas. Em muitos casos será necessário trocar TODA a luminária. Uma lâmpada de 1 real, que já começou a ser substituída pela fluorescente compacta eletrônica de 15 reais, deverá ser substituída agora por uma de no mínimo 50 reais*. Interessante isso, não?

Eu fico imaginando, num país que ainda tem uma diferença social enorme, famílias deverão investir 50x mais para trocar uma simples lâmpada, que se usada de forma errada – e isso ainda será um tema a ser abordado – dura tanto quanto uma incandescente, na pior das hipóteses. País esse que produz energia elétrica suficiente, exemplo em todo o mundo pela tecnologia “limpa” – hidrelétrica, solar e eólica. Mas não vou me apegar a pequenos detalhes, o balanço no final das contas chega a bilhões. Positivo para as fabricantes.

Chi ha spento la luce? Projeto de Helena Gentili do Studio Susanna Antico Lighting Design de Milao para a mostra Contemporary Lighting Context realizado em 2011 na cidade de Como, Italia.

No blog italiano LuxEmozione, do arquiteto e lighting designer (e posso dizer amigo) Giacomo Rossi, foi publicado ao seu tempo – 2009 – uma matéria a respeito da “morte” da lâmpada incandescente. Voce pode ler na íntegra aqui.

A conclusão dele infelizmente é a mesma a qual eu cheguei: todo esse bafafá estourou na parte mais frágil do sistema de produtos elétricos/eletrônicos.

A iluminação em uma casa representa cerca de 10% do valor final da conta elétrica. Trocando a incandescente por uma fluorescente ou LED, a contribuição seria de 5%. Geladeiras, microondas, ar-condicionado cada vez mais potente, chuveiro elétrico, secador de cabelo, máquina de lavar-roupas ou louças, sem mencionar todos os pequenos gadgets tecnológicos, computadores, iPad, celulares, etc, poderiam ser desenvolvidos para economizar 50% de energia!

Termino a minha conclusão com um pensamento pessoal e (admito) muito crítico: negar à civilização o direito de usar uma tecnologia sem antes desenvolver outra que tenha todas as vantagens da anterior, me parece burrice e estupidez.

Até hoje, todos os tipos de lâmpada que vocâ encontra hoje no mercado – incandescente, halógena, fluorescente, vapor metálico, LED – tem caracteristicas muito diferentes uma da outra, e você não pode simplesmente substituir sem nenhuma desvantagem.

A conscientização é a nossa esperança para um mundo melhor em todos os sentidos. 

Lampadinha, o ajudante do Professor Pardal com certeza não gostou da idéia

Acho que as crianças no futuro não entenderão mais o personagem... será que vai virar LEDzinho?

O próximo passo na Europa é a “otimização” das halógenas. O que irá retirar do mercado muitos outros modelos, até a sua gradual extinção.

* a proporção dos preços foi baseada na diferença encontrada hoje no mercado europeu.

A luz no trabalho. Ergonomia

O post de hoje quer trazer uma “luz” para a importância de uma iluminação adequada no ambiente de trabalho. Para cada atividade que se faça, existem maneiras ‘mais coerentes’ de iluminar. Hoje começo com o exemplo da iluminação no trabalho – considerando uma pessoa que permanece na frente de um computador – por ser aquela em que empregamos mais tempo diariamente, mínimo 8 horas.

Esqueça a idéia de uma só luminária central no escritório, de “luz fria”*.

anos 80: a clássica iluminação com fluorescente linear e nada mais.

Assim como o espaço construído e o design de interiores têm suas respectivas proporções que fazem ser mais ou menos confortáveis ao ser humano, a luz também merece um pouco de atenção. E daí entramos no fator Ergonomia**. O termo foi utilizado pela primeira vez somente em 1857. Definitivamente, a Ergonomia é um assunto moderno. A questão é que sempre foi focada para a produtividade no trabalho tendo como beneficiário maior o sistema.

Agora, vamos esquecer a cadeia de produção e pensar no conforto de quem trabalha.

exemplo de um cálculo luminotécnico, considerando a área de trabalho com luminárias específicas.

Existem normas que sugerem os níveis de iluminação mínimo, médio e máximo que respeitam a acuidade visual exigida por cada atividade, conferidas por um técnico superior de seguranção já que é vista como um risco físico ao trabalhador pelo setor de Higiene e Segurançao do Trabalho. Estima-se uma redução de 30 a 60% na ocorrência de erros de trabalho, além de diminuição do cansaço visual, que muitas vezes é o motivador de dores de cabeça, náuseas, dores de pescoço e nos casos mais críticos, insônia.

liga ou desliga: um só ponto para todo o espaço = luz insuficiente e nada ergonômica

Se você reparar, nos últimos anos o mobiliário de escritório tem se aproximado mais em design e material do ambiente residencial.

Assim como a flexibilidade dos móveis, a iluminação ganhou muitas opções.

2 em 1. flexibilidade em uma só luminária: uma lâmpada focada na escrivaninha e a outra nos complementos da sala

O que antes era uma iluminação massificada fornecida por apenas um tipo de luminária, e muitas vezes com um só interruptor para ligar e desligar, começou a ter uma flexibilidade quando, no momento da previsão dos circuitos e comandos elétricos, se começou a separar as filas de luminárias com vários acendimentos. Assim, aquelas que se encontravam próximas às janelas poderiam permanecer desligadas quando a luz solar fazia a sua parte.

Do acendimento separado, como consequência, veio a consciência da economia na conta da energia elétrica no final do mês.

Na década de 90 se intensificou a pesquisa e desenvolvimento nos reatores para oferecer uma maior flexibilidadena iluminação: a lâmpada não precisava mais ter o comando de liga e desliga. Ela poderia ter a sua intensidade controlada.

Mais um tempo depois e esse controle passou a considerar a contribuição da luz natural. Afinal, era burrice colocar cortinas em todas as janelas, desperdiçando uma fonte gratuita de luz (sem dizer que sem comparação em termos de qualidade), porque a iluminação artificial era muito forte.

aproveitar a luz natural é fundamental: claro com a possibilidade de controlar a quantidade de luz que entra no ambiente, através de cortinas.

Uma iluminação eficiente no trabalho é uma iluminação inteligente, que acompanha o nosso ritmo e o passar do tempo – dia e noite. As normas existentes recomendam uma iluminância média no plano de trabalho, ou seja, sobre a escrivaninha, de 500 lux. Nesse momento não entrarei no mérito do valor específico, temos apenas que tomar como parâmetro geral. Como iluminância média em todo o espaço, é recomendável um déficit de 30%, o que resultaria em cerca de 350lux médios. Essa diferença entre as iluminâncias é importante porque aborda a questão do contraste. Assunto já tratado aqui.

Luminária da Artemide, que considera as diferentes nuances da luz branca, acompanhando a mudança da luz solar ao longo do dia.

Eu considero a forma mais inteligente do momento a iluminação combinada: luz geral, responsável pelos 70% finais com sistema de regulação baseado na luz natural, com a integração de uma luminária concentrada para cada escrivaninha – seja de apoio na mesa ou de piso – que forneça os 30% restantes sobre o plano de trabalho. Assim, quem tem menos necessidade de luz pode trabalhar confortavelmente satisfeito com a sua luminária ‘pessoal’, enquanto quem precisa de maior claridade liga a sua.

Além de inteligente, esse sistema é democrático.

iluminação mais do que plural: natural, perimetral e focada na escrivaninha, sempre com estilo.

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* Até hoje existe o pré-conceito de relacionar erroneamente a fluorescente linear com a luz azul. O tom azulado emitido pela lâmpada se dá porque logo no início da sua produção, como já mencionei no post  24h ligado ela tinha maior eficiência energética com a temperatura de cor maior que 4000K. Mas convenhamos, muitas décadas já se passaram e está na hora de cair esse mito.

** Do dicionário se descobre a sua origem: do grego Ergon (trabalho) e Nomos (lei natural), em uma só palavra se resume a disciplina que aborda a avaliação de todos os aspectos humanos. Cientificamente falando, é a compreensão das interações entre as pessoas e outros elementos de um sistema.  Como profissão, é a aplicação da teoria para otimizar o bem-estar humano e o desempenho geral das interrelações.

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fontes: