LED – desabafo de um lighting designer italiano

Hoje venho, através do nosso blog, transmitir um post do arquiteto e lighting designer italiano Giacomo Rossi, publicado no seu site Lux Emozione. Tive a oportunidade de conhecê-lo no evento sobre iluminação em que partipei em Como na Itália, no ano passado – você pode ler mais sobre ele neste post.

O assunto a ser abordado é o do momento: LED. Porém visto através do profissional da área de iluminação com todas as vantagens e facilidades da tecnologia (conforme divulgado na mídia) e as dificuldades reais para a sua instalação.

Dificuldades estas que não são exclusividade do mercado italiano. Infelizmente, ainda hoje para certas aplicações a substituição plena para o LED ainda tem como consequência uma boa dor de cabeça. Um pouco do assunto já foi abordado por nós anteriormente no post mudança de comportamento.

Mas vamos ao texto do Giacomo:

Caros amigos projetistas da luz, não sei se vocês já se dispuseram a utilizar a tecnologia LED nos seus trabalhos, talvez como alternativa às tradicionais lâmpadas. Bem, eu tive o prazer de usar recentemente esta tecnologia, em uma aplicação onde a questão não era somente a necessidade da alta eficiência luminosa, mas também uma alta performance em termos de reprodução de cor e possibilidade de escolher a temperatura de cor. Enfim, o resultado final é digno de comentário (ao menos ao meu ver), mas realmente, juro a vocês, foi muito complicado!

Um esforço enorme não tão ligado ao produto mas à tecnologia em si, que realmente, segundo o que penso, apresenta ainda algumas lacunas devido à falta de normas específicas. Fato este que não se deve ao mundo da elétrica e portanto da iluminação tradicional, mas específica da tecnologia LED e a sua evolução.

Temos que ser sinceros, LED e lâmpadas tradicionais (incandescentes, vapor metálico, etc) são dois mundo totalmente diferentes. É inútil esperar o mesmo resultado  obtido com uma e com a outra! Isto é, explicando melhor, é como a mudança da lâmpada incandescente com a halógena com o bulbo de vidro externo (que está substituindo a primeira), que hoje encontramos por tudo: ok a estética é idêntica mas o efeito, mesmo que muito próximo, não pode ser comparado.

Voltando aos problemas encontrados, adianto que as luminárias e produtos usados no caso em questão não são do último chinês que apareceu no comércio, porque como vocês bem sabem, o LED para funcionar corretamente precisa de uma boa dissipação e ter a alimentação adequada, senão adeus à vida média de 50.000h, adeus à alta performance luminotécnica, adeus garantia e muitos outros adeus. A utilização de um produto bem projetado é fundamental para aproveitar as características da luz na sua totalidade.

Se quisermos o único “problema” correspondente ao produto, é justamente na maneira de como operar por nós arquitetos da luz, ou seja, escolher o material mais adequado às exigências do projeto, seja em eficiência, estética e custo. Frequentemente isto nos leva a folhear muitos catálogos de fabricantes e utilizar vários fornecedores para chegar ao melhor resultado possível.

Tudo bem, só que, usar luminárias de fabricantes diferentes significa também LEDs de origens variadas, e logo, como aconteceu comigo, para chegar à seleção da “cor branca”, temperatura de cor de 3000K, que fossem parecidas entre os vários fornecedores, foram utilizados muitos recursos.

Não falemos da difícil avalição prévia feita ainda no escritório, considerando as fotometrias dos produtos LED que, ainda hoje, mesmo existindo uma norma específica, muito frequentemente vem “fotometrados” como se fossem luminárias com lâmpadas comuns.

Uma série de problemas que deixam um pouco mais difícil o trabalho do especialista da luz, que deve sempre manter-se informado, atualizado, comparando produtos, selecionando-os, etc, com muito mais dedicação do que uma vez, para oferecer a melhor solução e para chegar ao optimum final que todos desejam. Esperamos ao menos que todo este trabalho de especializações no campo aumente um pouco mais o nosso reconhecimento no mercado que muitas vezes reduz o projeto de iluminação em 4 pontos no papel (mas isto é uma outra história).

Enfim, apesar da tecnologia LED permitir alcançar resultados, seja do ponto de vista quantitativo, mas também qualitativo da luz, até poucos inesperados anos atrás, diria eu, existem ainda muitas questões a serem abordadas.

No post, o lighting designer Giacomo termina o artigo, falando sobre um workshop que será realizado na Itália, no final do mês de novembro, na sede da Entidade Americana de Certificação Elétrica UL. O título? LED – entre inovação e certificação – o papel do Lighting Designer.

Entrei em contato com os organizadores e este evento não será transmitido online. Será um momento em que os profissionais – construtores e arquitetos do setor da iluminação –  terão a oportunidade de se atualizar e informar, confrontando, questionando e discutindo o Lighting Design.

Quem, por acaso estiver passeando pela península, pode participar ao evento, que é gratuito, na sede da UL de Burago Molgora – o interessante é que ao final da jornada, uma visita guiada ao laboratório será feita. O programa você pode conferir aqui.

 

 

 

UM POUCO MAIS SOBRE GIACOMO ROSSI:

  • Arquiteto especializado em projeto luminotécnico e fundados do Luxemozione.com. De 1999 a 2009 colaborou com o estúdio Ferrara Palladino de Milão como responsável de projetação. Até julho de 2011 foi responsável do escritório de projetos de Milão da empresa Martini Iluminação. De 2011 é titular, juntamente com Maria Lia Ferraro do estúdio de projetos e assessoria de iluminação FerraroRossi Lighting Design. Além da atividade como arquiteto de iluminação, é autor de vários artigos em importantes revistas do setor da iluminação.

 

 

mudança de comportamento. um pensamento critico

Hoje eu venho falar sobre a evolução que o campo da iluminação está sofrendo nos últimos anos, e o quanto ainda irá mudar nos próximos.

Na Europa a mudança já começou em setembro de 2009: a lâmpada incandescente não existe mais. Sabe aquela leitosa, superconfortável e não ofuscante? Pois é, ela morreu e eu sinto muito a falta dela por aqui. A transparente hoje você ainda encontra no comércio, mas no seu interior apresenta uma minihalógena. O filamento incandescente desapareceu, juntamente com o seu charme.

a nova incandescente com uma halopin no lugar do filamento

Mas não pensemos que o Brasil está muito atrás e que necessitará de anos-luz para entrar no mérito da questão. A mesma decisão foi aprovada e a produção será interrompida num futuro muito próximo. Por quê?

foto extraida da pagina de Wind Virtual Insanity no facebook

Ponto 1. A motivação oficial é a questão da economia que se fará no cálculo geral de consumo de energia elétrica. De todas as lâmpadas, a incandescente é aquela que mais consome energia e a que menos produz quantidade de luz. Ou seja, menos eficiente.

O meu poder crítico e o conhecimento adquirido na área me fazem pensar que não é so essa a motivação. Aliás, a vejo mais como uma desculpa.

Ponto 2. Outro estudo – desenvolvido na última decada pela WWF – acabou sendo aproveitado como argumento: a pegada ecológica. Resumindo muito superficialmente, nele é apresentado um cálculo sobre a quantidade  de gás carbônico emitido na atmosfera de todas as atividades e hábitos quotidianos. A ideia é genial, afinal a emissão de CO2 é um dos maiores fatores para o aquecimento global, mas vejo que em muitos casos decisões estão sendo tomadas – apressadamente e erroneamente – se apoiando sempre no estudo.

a pegada ecológica da WWF

Ponto 3. Obviamente o mundo está em crise, e já fazem alguns anos. O que mantem o sistema em funcionamento é a evolução das tecnologias que impulsiona o capitalismo, afinal se não vende, não se enriquece. Porém pensando na realidade da iluminação, uma vez feito um projeto luminotécnico coerente, a necessidade de uma total reforma não ocorre com a mesma frequência de tantos outros projetos de arquitetura. Falo de uma vida de ao menos 5 anos para um projeto padrão comercial, 10 -15 anos para escritórios e hotéis, sem mencionar o projeto residencial.

Um dos grandes nomes que estão por trás da decisão é nada menos que a Philips. Criar novas lâmpadas, sempre mais eficientes acaba não sendo o melhor negócio. Voce não precisa substituir toda a luminária, só a lâmpada. Mas incentivar a troca de uma lâmpada que é utilizada em grande escala e encontrada em qualquer casa em todo o mundo, aborda cifras muito mais elevadas. Em muitos casos será necessário trocar TODA a luminária. Uma lâmpada de 1 real, que já começou a ser substituída pela fluorescente compacta eletrônica de 15 reais, deverá ser substituída agora por uma de no mínimo 50 reais*. Interessante isso, não?

Eu fico imaginando, num país que ainda tem uma diferença social enorme, famílias deverão investir 50x mais para trocar uma simples lâmpada, que se usada de forma errada – e isso ainda será um tema a ser abordado – dura tanto quanto uma incandescente, na pior das hipóteses. País esse que produz energia elétrica suficiente, exemplo em todo o mundo pela tecnologia “limpa” – hidrelétrica, solar e eólica. Mas não vou me apegar a pequenos detalhes, o balanço no final das contas chega a bilhões. Positivo para as fabricantes.

Chi ha spento la luce? Projeto de Helena Gentili do Studio Susanna Antico Lighting Design de Milao para a mostra Contemporary Lighting Context realizado em 2011 na cidade de Como, Italia.

No blog italiano LuxEmozione, do arquiteto e lighting designer (e posso dizer amigo) Giacomo Rossi, foi publicado ao seu tempo – 2009 – uma matéria a respeito da “morte” da lâmpada incandescente. Voce pode ler na íntegra aqui.

A conclusão dele infelizmente é a mesma a qual eu cheguei: todo esse bafafá estourou na parte mais frágil do sistema de produtos elétricos/eletrônicos.

A iluminação em uma casa representa cerca de 10% do valor final da conta elétrica. Trocando a incandescente por uma fluorescente ou LED, a contribuição seria de 5%. Geladeiras, microondas, ar-condicionado cada vez mais potente, chuveiro elétrico, secador de cabelo, máquina de lavar-roupas ou louças, sem mencionar todos os pequenos gadgets tecnológicos, computadores, iPad, celulares, etc, poderiam ser desenvolvidos para economizar 50% de energia!

Termino a minha conclusão com um pensamento pessoal e (admito) muito crítico: negar à civilização o direito de usar uma tecnologia sem antes desenvolver outra que tenha todas as vantagens da anterior, me parece burrice e estupidez.

Até hoje, todos os tipos de lâmpada que vocâ encontra hoje no mercado – incandescente, halógena, fluorescente, vapor metálico, LED – tem caracteristicas muito diferentes uma da outra, e você não pode simplesmente substituir sem nenhuma desvantagem.

A conscientização é a nossa esperança para um mundo melhor em todos os sentidos. 

Lampadinha, o ajudante do Professor Pardal com certeza não gostou da idéia

Acho que as crianças no futuro não entenderão mais o personagem... será que vai virar LEDzinho?

O próximo passo na Europa é a “otimização” das halógenas. O que irá retirar do mercado muitos outros modelos, até a sua gradual extinção.

* a proporção dos preços foi baseada na diferença encontrada hoje no mercado europeu.

Contemporary Lighting Context 2

Muito bem, voltando ao post de alguns dias atrás onde falei sobre esse evento, venho agora publicar fotos das instalações.

Foram convidados alguns profissionais da área, seja do Lighting teatral que o mais técnico, para brincar com a luz.
A exposição aconteceu em paralelo às confêrencias, no mesmo batlocal – o Quartel de Como – porém em outro andar. Cada lighting designer ganhou uma sala, antigo quarto militar, exatamente da mesma dimensão. A partir daí rolou a criatividade, com a idéia base de tirar proveito da própria estrutura e o que ela nos transmite psicologicamente.

As fotos que você vê a seguir são diretamente direcionadas do álbum da Associação Cultural Erodoto, responsável pela realização do evento juntamente com Romano Baratta, lighting designer e mentor.

Na sequência você encontra:
1. Área Lounge – luminárias feitas de livros by Lighting Lab
2. Studio Perfomance by Collettivo Azione Luce
3. Eyes Wide shut – frame video
4. Lumiere Blanche Oblique – Franco Campioni
5. Anima 135 – Fulvio Michelazzi
6. Chi ha spento la luce – Helena Gentili by Studio Susanna Antico
7 e 8. Luce naturale colori – Luce naturale forme byErodoto
9. In un battito d’ali – Marcello Zagaria by Studio Scenes
10, 11 e 12. Ex contrario enitere – Margherita Suss by Studio GMS
13 e 14. Eco-Re link origins – Mario Frau e Monica Cozzi by Frau1808 partners
15. Dietro la bandiera ci sono gli uomini – Paola Urbano 
16 e 17. Il tempo dell’ombra – PierPaolo Koss
18 e 19. Deconstructing Windows – Stefano Mazzanti
20. Nuovi modi di illuminare lo spazio o di pensare la luce – Piero Castiglioni
21. Lampadina a incadescenza e motore per moto circolare – Alessandro Mayer
22. Lumiere Blanche Oblique – Franco Campioni
23. Studio Perfomance by Collettivo Azione Luce
24. Deconstructing Windows – Stefano Mazzanti
25. Anima 135 – Fulvio Michelazzi
26. Direzione artistica by Erodoto