Horário de verão: seja bem-vindo!

Muito bem, hoje entrou em vigor o que, nós aqui no Brasil, chamamos de horário de verão.

Por que este nome?

A pergunta é relativamente óbvia: o horário é adotado durante o verão, porque nas regiões mais distantes do Equador, os dias são mais longos.

Se vocês olharem no mapa abaixo, dá para ver esta relação diretamente aplicada. As regiões próximas à linha do Equadro acabam tendo pouca interferência durante o ano inteiro entre a duração do dia e da noite. Logo, colocar em prática a mudança de horário não tem muito fundamento.

Em azul, os países que aplicam o horário de verão. Em laranja, aqueles que já utilizaram o recurso mas hoje em dia não está em vigor. Em vermelho, aqueles que nunca aderiram.

Sempre recebendo a explicação da economia efetiva no consumo elétrico, fico me perguntando: mas como e quando decidiram pular 1h de uma nação inteira? (medida muito corajosa, eu diria!)

1784. Antes mesmo que existisse a energia elétrica – e consequente problema de horários de pico – Benjamin Franklin, político e inventor americano, teve a ideia de adiantar o relógio em uma hora para aproveitar melhor as horas de sol. Porém ele não conseguiu sensibilizar o governo dos Estados Unidos. Teve o seu artigo publicado também na França, ressaltando a possível economia em cera de vela, sem resultados efetivos.

1907. Mais de 100 anos depois, na Inglaterra, o construtor William Willett – integrante da Sociedade de Astronomia Real –  tentou persuadir a sociedade. A motivação: haver mais tempo para o lazer, reduzir a criminalidade e reduzir o consumo de luz artificial. Também sem sucesso.

1916. A Alemanha entra para a História como o primeiro país a adotar oficialmente o horário de verão. Reparem na data, durante a Primeira Guerra Mundial eles decidiram adiantar o ponteiro do relógio para economizar o carvão!

Pegando a onda da Alemanha, outros países europeus – envolvidos na Guerra – e também os Estados Unidos, acabaram adotando a medida nos anos seguintes.

1931. O Brasil passa a seguir a medida, visando a economia no consumo de energia elétrica. Abaixo você confere a advertência do Observatório Nacional.

1932, O decreto

Aqui, foi estabelecida como regra, a adoção do horário de verão a partir do terceiro domingo de outubro até o terceiro domingo de fevereiro, com exceção do ano em que o feriado de Carnaval cai no mesmo domingo. Um evento talmente importante tem a capacidade de adiar para mais uma semana o horário de verão!

Como curiosidade, a confusão acontece quando os Estados que não aplicam a medida – a maior área territorial do Brasil fica próximo ao Equador – tem que adaptar os programas de televisão para não alterar o dia-a-dia da população.

 

mudança de comportamento. um pensamento critico

Hoje eu venho falar sobre a evolução que o campo da iluminação está sofrendo nos últimos anos, e o quanto ainda irá mudar nos próximos.

Na Europa a mudança já começou em setembro de 2009: a lâmpada incandescente não existe mais. Sabe aquela leitosa, superconfortável e não ofuscante? Pois é, ela morreu e eu sinto muito a falta dela por aqui. A transparente hoje você ainda encontra no comércio, mas no seu interior apresenta uma minihalógena. O filamento incandescente desapareceu, juntamente com o seu charme.

a nova incandescente com uma halopin no lugar do filamento

Mas não pensemos que o Brasil está muito atrás e que necessitará de anos-luz para entrar no mérito da questão. A mesma decisão foi aprovada e a produção será interrompida num futuro muito próximo. Por quê?

foto extraida da pagina de Wind Virtual Insanity no facebook

Ponto 1. A motivação oficial é a questão da economia que se fará no cálculo geral de consumo de energia elétrica. De todas as lâmpadas, a incandescente é aquela que mais consome energia e a que menos produz quantidade de luz. Ou seja, menos eficiente.

O meu poder crítico e o conhecimento adquirido na área me fazem pensar que não é so essa a motivação. Aliás, a vejo mais como uma desculpa.

Ponto 2. Outro estudo – desenvolvido na última decada pela WWF – acabou sendo aproveitado como argumento: a pegada ecológica. Resumindo muito superficialmente, nele é apresentado um cálculo sobre a quantidade  de gás carbônico emitido na atmosfera de todas as atividades e hábitos quotidianos. A ideia é genial, afinal a emissão de CO2 é um dos maiores fatores para o aquecimento global, mas vejo que em muitos casos decisões estão sendo tomadas – apressadamente e erroneamente – se apoiando sempre no estudo.

a pegada ecológica da WWF

Ponto 3. Obviamente o mundo está em crise, e já fazem alguns anos. O que mantem o sistema em funcionamento é a evolução das tecnologias que impulsiona o capitalismo, afinal se não vende, não se enriquece. Porém pensando na realidade da iluminação, uma vez feito um projeto luminotécnico coerente, a necessidade de uma total reforma não ocorre com a mesma frequência de tantos outros projetos de arquitetura. Falo de uma vida de ao menos 5 anos para um projeto padrão comercial, 10 -15 anos para escritórios e hotéis, sem mencionar o projeto residencial.

Um dos grandes nomes que estão por trás da decisão é nada menos que a Philips. Criar novas lâmpadas, sempre mais eficientes acaba não sendo o melhor negócio. Voce não precisa substituir toda a luminária, só a lâmpada. Mas incentivar a troca de uma lâmpada que é utilizada em grande escala e encontrada em qualquer casa em todo o mundo, aborda cifras muito mais elevadas. Em muitos casos será necessário trocar TODA a luminária. Uma lâmpada de 1 real, que já começou a ser substituída pela fluorescente compacta eletrônica de 15 reais, deverá ser substituída agora por uma de no mínimo 50 reais*. Interessante isso, não?

Eu fico imaginando, num país que ainda tem uma diferença social enorme, famílias deverão investir 50x mais para trocar uma simples lâmpada, que se usada de forma errada – e isso ainda será um tema a ser abordado – dura tanto quanto uma incandescente, na pior das hipóteses. País esse que produz energia elétrica suficiente, exemplo em todo o mundo pela tecnologia “limpa” – hidrelétrica, solar e eólica. Mas não vou me apegar a pequenos detalhes, o balanço no final das contas chega a bilhões. Positivo para as fabricantes.

Chi ha spento la luce? Projeto de Helena Gentili do Studio Susanna Antico Lighting Design de Milao para a mostra Contemporary Lighting Context realizado em 2011 na cidade de Como, Italia.

No blog italiano LuxEmozione, do arquiteto e lighting designer (e posso dizer amigo) Giacomo Rossi, foi publicado ao seu tempo – 2009 – uma matéria a respeito da “morte” da lâmpada incandescente. Voce pode ler na íntegra aqui.

A conclusão dele infelizmente é a mesma a qual eu cheguei: todo esse bafafá estourou na parte mais frágil do sistema de produtos elétricos/eletrônicos.

A iluminação em uma casa representa cerca de 10% do valor final da conta elétrica. Trocando a incandescente por uma fluorescente ou LED, a contribuição seria de 5%. Geladeiras, microondas, ar-condicionado cada vez mais potente, chuveiro elétrico, secador de cabelo, máquina de lavar-roupas ou louças, sem mencionar todos os pequenos gadgets tecnológicos, computadores, iPad, celulares, etc, poderiam ser desenvolvidos para economizar 50% de energia!

Termino a minha conclusão com um pensamento pessoal e (admito) muito crítico: negar à civilização o direito de usar uma tecnologia sem antes desenvolver outra que tenha todas as vantagens da anterior, me parece burrice e estupidez.

Até hoje, todos os tipos de lâmpada que vocâ encontra hoje no mercado – incandescente, halógena, fluorescente, vapor metálico, LED – tem caracteristicas muito diferentes uma da outra, e você não pode simplesmente substituir sem nenhuma desvantagem.

A conscientização é a nossa esperança para um mundo melhor em todos os sentidos. 

Lampadinha, o ajudante do Professor Pardal com certeza não gostou da idéia

Acho que as crianças no futuro não entenderão mais o personagem... será que vai virar LEDzinho?

O próximo passo na Europa é a “otimização” das halógenas. O que irá retirar do mercado muitos outros modelos, até a sua gradual extinção.

* a proporção dos preços foi baseada na diferença encontrada hoje no mercado europeu.