and the Oscar goes to…

Hoje, 2 de julho de 2012, está acontecendo neste exato instante, a cerimônia de entrega dos vencedores do Red Dot Design Award. Um prêmio anual para a área de design – produto, projeto, comunicação – comparado ao Oscar do cinema mundial.

São várias as categorias participantes, divididas em 3 famílias:

  • Product Design
  • Communication Design
  • Design Concept

Dentro da primeira, existe a categoria Light and Lighting Design. E é sobre essa, por óbvios motivos, que eu vou me concentrar.

Os premiados deste ano foram:

1. Econe Ceiling and Pendant Luminairesidealizado por Hartmut S.Engel Design Studio e produzido por RZB-Leuchten, ambos de origem alemã.

Dueto dinâmico: se estudarmos os ensinamentos do Feng Shui, veremos que a luz tem uma influência central sobre o bem-estar de cada indivíduo. O objetivo deste projeto é usá-la em benefício de todos. O sistema de iluminação Econe – versão aplicada no teto e versão suspensa – trabalha com a dinâmica da luz para se adaptar aos humores e necessidades individuais, combinando com uma grande superfície iluminada homogeneamente com luz branca e um quadro de luz colorida o seu redor. Os dois tipos de iluminação se unem como em um dueto, criando uma atmosfera harmoniosa e agradável. A fonte de luz é projetada para não ofuscar o usuário, gerando reflexos suaves e sombras sutis. A luminária, pensada principalmente para uso comercial e de escritório, na versão pendente é suspensa através de cabos de aço de até 3 metros de comprimento.

Declaração do júri: “Econe enfeitiça os sentidos do espectador e cria uma sensação de bem-estar em qualquer sala. O conceito de design de luz estética ultrapassa os limites das estruturas de iluminação contemporâneos. Ao fazê-lo define uma relação nova e emocionante entre as pessoas, espaço e luz.”

Econe Pendant Luminaire

2. Jinn Floor Light and Table Lightidealizado pelo inglês Mathias Hahn – Product Design Studio e produzido pela eslovaca Vertigo Bird d.o.o.

Um novo espírito: o movimento Art Nouveau teve o seu marco na iluminação na década de 20 com os abajures de vidro colorido Tiffany. Na década de 80 o grupo Memphis desenvolveu luminárias que pareciam mais objetos Pop-Arte do que luminárias em si. A combinação clássica e equilibrada das peças que compõem a luminária dão uma unidade formal coesa. A luz, “presa” na parte central da luminária, nos recorda o conto 1001 Noites. Esse é o diferencial do produto: ao invés de seguir o modelo tradicional das luminárias, Jinn deslocou o ponto luminoso para o centro do objeto, refletido pela máscara de alumínio interna, emitindo a luz para fora do mesmo. O ajuste de intensidade lembra um candeeiro: o interruptor circular permite o ajuste intuitivo da luz. Design inteligente.

Declaração do júri: “Sua linguagem de forma inovadora faz com a que série Jinn seja muito atraente. Aqui uma fonte de luz é dada uma expressão forte e homogênea. Jinn demonstra como, ao questionar as formas estabelecidas, pode-se criar algo novo convincente.”

Jinn – modelo na cor preta.

3. Moon Outdoor Lightingidealizado pelo estúdio sueco LundBerg Design e produzido pela italiana Platek Light srl.

Na luz clara – a iluminação externa noturna desempenha um papel central na imagem dada por um edifício e deveria criar uma relação simbiótica com a arquitetura. Com esse conceito, a Moon faz com que a iluminação externa seja integrativa, completando e destacando a arquitetura moderna que a inspira. A harmonia visual é baseada na coerência entre as duas formas geométricas desenhadas, que servem como base para diversas aplicações: o círculo e o quadrado. O primeiro é relacionado a como o LED é integrado na luminária, transformando a ausência de matéria dentro dele no elemento principal, formando a auréola luminosa.

Declaração do júri – “O purismo de Moon Outdoor Lighting é altamente convincente. A interpretação inovadora da tecnologia LED cria um link na atmosfera entre a arquitetura e seu ambiente. A natureza modular da luminária a torna utilizável em uma ampla variedade de situações.

Moon Outdoor Lighting – uma das tantas possibilidades de instalação

4. Xoolum Linear Led – Lighting Fixtureidealizado pelos designers Michael Kramer e Gabriela Vidal, da Alemanha e produzido pela também alemã LED Linear GmbH.

Funcialmente alinhado: A teoria do sistema descreve a linearidade como a capacidade de reagir a mudanças. Xoolum é uma luminária a LED com tensão de saída de 24Vdc com enorme versatilidade: seus vários elementos oferecem novas possibilidades para um projeto de iluminação de caráter corporativo exigente. Acoplável, a luminária pode chegar a 6 metros lineares, sendo uma boa opção para espaços internos de dimensões consideráveis, fornecendo uma iluminação homogênea. A cabeça do objeto, octogonal, é ajustável em 45°, podendo ser utilizada em casos de iluminação direta difusa ou então assimétrica wallwasher.

Declaração do júri: “Xoolum apresenta um sistema de iluminação LED em uma linguagem de forma completamente nova e funcionalidade. Elegância formal combina com perfeição nos detalhes. Este conceito pensado oferece uma base para uma enorme variedade de usos na arquitetura.”

módulo linear da Xoolum.

fonte: http://en.red-dot.org

O que vimos da Rio+20 – Humanidade 2012

Durante o evento da Rio+20 tive a oportunidade de participar de duas palestras do evento  Empreendedorismo Social e também de visitar a mostra montada no Forte de Copacabana do Rio de Janeiro.

Pavilhão temporário Humanidade 2012 no Forte de Copacabana

A primeira plaestra teve como tema Moradias Cidadãs, onde três palestrantes provenientes da Cidade do México, Mumbai e Curitiba buscam soluções todos os dias para que as pessoas que vivem na pobreza possam ter moradias dignas e incluídas na sociedade. Foram discutidas questões de como ajudar essas comunidades a regularizarem suas casas assentadas em terrenos privados ou públicos, meios de ajudá-las a ter a própria casa com economias feitas pela própria comunidade e até mesmo em como construir suas próprias casas com matérias-primas encontradas no seu entorno, como por exemplo blocos de concreto serem substituídos por blocos de argila resistentes. Foi interessante ver como essas pessoas já ajudaram muitas comunidades pelo mundo e como mesmo contribuiu uma pessoa da platéia, moradora de uma comunidade do Rio: “A casa é a primeira referência que uma pessoas possa ter para se sentir incluída na cidade em que ela vive. Primeiro precisamos de uma casa, depois de barriga-cheia para aí sim compreender os outros direitos e conseguir se desenvolver dentro da sociedade”.
 A segunda palestra o tema foi Cidades Sustentáveis, onde aqui muitos representantes de comunidades e projetos sociais debateram sobre como tornar as nossas cidades mais sustentáveis. Um dos projetos mostrados foi o Programa Cidades Sustentáveis que consiste em mobilizar e oferecer ferramentas para que nossas cidades se desenvolvam de forma econômica, social e ambientalmente mais sustentável. Para que isso aconteça, eles criaram uma Carta Compromisso com metas sobre o assunto a serem atingidas dentro dos quatro anos de mandato do prefeito. Essas metas funcionam como uma agenda para este prefeito onde ele assinando a Carta, se comprometa a cumprir as metas, podendo os cidadãos cobrarem e analisarem o andamento durante o mandato. Achei muito interessante, porém como foi dito nas duas palestras, sem a mobilização conjunta das comunidades, não tem-se o poder da decisão e da ação. Há comunidades com habitantes “invisíveis” na cidade, que nâo se incluem dentro desta. Temos sim que fazer a nossa parte, dentro de casa, onde trabalhamos e na cidade mas também precisamos exigir mais em quem votamos.
Estas palestras e tantas outras aconteceram no pavilhão construído especialmente para a Rio+20 no Forte de Copacabana. O conceito foi desenvolvido por Bia Alessa e sendo uma tipologia efêmera de arquitetura, a edificação foi toda construída com andaimes criando espaços com muita luz natural, ventilação e transparência.

Circulações

“Forro” do pavilhão comporto por calungas de plástico

Rampas

Rampas!

Aqui também acontece a mostra Humanidade  que foi divida em nove temas sendo estes inseridos em nove contêiner em diferentes alturas, para acessar cada contêiner foram criadas grandes rampas também em andaimes.

1 – O Mundo em que Vivemos – reflete sobre o quanto complexo são nossas vidas compradas a outros séculos passados

3 – O Homem e suas Conexões

4 – Brasil Contemporâneo – espaço que mostra dados do Brasil atual

4 – Biodiversidade Brasileira – espelhos e projeções da nossa biodiversidade

5 – Diversidade Humana Brasileira – conta de onde vem as nossas origens – sala espelhadas com cubo iluminados com milhares de nomes de brasilerios

6 – Produções Humanas – sala onde mostra todos os recursos que o ser humano retira da natureza para viver tanto nas cidades quanto no campo – maquete utilizando catodo frio onde cada cor representa um recurso como água, gás e energia.

9 – Museu do Amanhã – sala mostra o conteúdo que será abordado no museu e também o projeto de arquitetura em si.

Sobre a iluminação dos ambientes, muito do que estava no manual de construção para a Rio+20 não foi comprido. Encontramos lâmpadas halógenas e fluorescentes tubulares T8 em diversos ambientes da edificação, onde era permitido utilizar apenas LED, fluorescentes tubulares T5 e Vapor metálico.

Foyer dos auditórios

Mas mesmo assim o resultado foi agradável. Utilizaram as estruturas inclinadas dos andaimes para fixar as fluorescentes tubulares, criando um certo ritmo nos espaços de circulação.
No terraço do pavilhão as jardineiras eram grandes blocos brancos retro-iluminados com fitas de LED, criando uma ambientação e efeito muito interessantes, adorei! Além da vista para a praia de Copacabana.

Terraço do Olhar

detalhe dos blocos iluminados

Copacabana ao fundo

Durante a Rio+20 está acontecendo também o festival de iluminação em diversos pontos da cidade o Luz na Cidade, em breve mostraremos aqui!
Referências:

Quando a luz é líquida

A luminária pode não ser somente um objeto que forneça luz. No quesito luminárias decorativas, a imaginação corre cada vez mais solta em busca de originalidade. Essa última cada vez mais difícil já que com o passar do tempo se deu vida às idéias mais mirabolantes.

Eis que a luminária de etérea passa a brincar com a luz no estado líquido:

Pouring Light Lamp – by Yeongwoo Kim

A Pouring foi especialmente desenhada para transmitir o conceito emocional da queda de luz, como uma queda d’água. A base da luminária reforça essa ideia com a forma da poça que se formaria. A haste foi feita com material fosforescente, o que dá o brilho quando é ligada a lâmpada: o efeito de que a luz escorre como a água pela estrutura; e o mesmo material retém parte da luz quando a luminária é desligada, emitindo-a em tom quente, tornando o ambiente acolhedor e aconchegante para dormir. A tecnologia é LED.

Light Drop – by Rafael Morgan

O design da luminária foi criado para fazer as pessoas pensarem sobre o desperdício dos recursos naturais, particularmente, a água: principal fonte de energia e de vida para todos os organismos presentes no planeta. Água é sinônimo de energia.
Aplicada na parede, o LED se encontra dentro da estrutura da “torneira”, e como tal, é regulável a sua intensidade através do quanto você abre a torneira. Quanto mais aberta, mais luz emite ao longo do policarbonato leitoso que forma o difusor. Isso contextualiza a luminária também como uma forma de conscientizar em termos visuais o quanto se utiliza de água em uma situação normal, sensibilizando a população para o uso de energia.
Esse conceito acabou dando aos idealizadores da luminária o prêmio de terceiro ligar no concurso de design internacional Bright LED, promovido pela Design Boom.
A luminária foi colocada em produção e venda pela Wever& Ducre da Bélgica.

Light Blubs – by Pieke Bergmans

Com essa luminária, se resolveu brincar com a pergunta: “Olhe para a sua luminária, você já pensou que ela pode se aquecer, pode se deformar e simplesmente fluir para fora da lâmpada?”

A partir da silhueta clássica da lâmpada, a Royal Crystal Bergman em conjunto com o designer criou uma coleção exclusiva: BLUBS.

Estas lâmpadas de cristal, com a adição de iluminação LED são muito criativas. A luz, ou melhor, a fonte de luz está agora livre. Cada luminária cria uma sensação de lâmpadas fluídas, de viscosidade luminosa, como uma gota pendurada no abajur, ou se derramando sobre a mesa ou armário. Esta é uma coleção impressionante que pode reviver o interior da casa.

A coleção, de 2008 já rodou o mundo inteiro. Eu tive a possibilidade de vê-la exposta durante o Salão do Móvel em Milão, no bairro Tortona.

Você compraria alguma dessas luminárias? Qual delas?

Rio+20 – debates sobre energias sustentáveis

O Rio+20, que acontecerá no Rio de Janeiro na próxima semana, está prestes a começar e nele serão discutidas questões importantes sobre medidas para um desenvolvimento sustentável que nos guiará nas próximas décadas.

foto: Marília Saccaro

E a questão da energia não poderia ficar de fora. Este elemento presente em nossas vidas 24 horas por dia, que necessitamos para quase tudo o que fazemos hoje em dia. E para isso o retiramos de recursos naturais.
Das reuniões oficiais políticas, terão dois momentos que serão de nosso maior interesse: o debate sobre Cidades Sustentáveis e Inovação e sobre Energia Sustentável para Todos, no dia 18/06/12, onde o Governo Brasileiro, juntamente com as Nações Unidas irão debater as possíveis medidas a serem a adotadas pelos seus dirigentes para melhorar os seus países.

Muitos eventos independentes também se espalharão pela cidade nesta próxima semana, um deles será o TEDxRio+20 (11 e 12 de junho), o debate será sobre o Poder do Ser Humano e a nossa capacidade de pensar, agir e poder de mudança. Achei o tema muito interessante, pois em momentos de mudança é necessário haver um pensamento claro, boas idéias e muita perseverança e coragem para agir.

A sustentabilidade não é algo simples, exige um novo pensamento e a colaboração de tudo e de todos. Implantar novos pensamentos e idéias em uma sociedade que sempre fez um processo igual por anos é difícil, porém com a colaboração de todos e acreditar na nova idéia lhe dá o poder de mudar.
A conferência se preocupou desde o inicio com a sustentabilidade do evento e foram criados manuais descritivos para as instalações efêmeras e temporárias que foram construídas para o evento. Houve sempre a preocupação em utilizar o máximo possível da luz natural em abientes onde isso será possível. Para a geração de energia, serão utilizados nos geradores diesel misturado com 20% de Biodiesel.
Para a iluminação artificial, foram utilizadas as lâmpadas mais eficientes do mercado, como LED, fluorescentes T5 e vapor metálico. Para as áreas externas foi preciso haver cuidado com a questão pouco discutida aqui no Brasil que é Poluição Luminosa, deixando apenas luminárias orientáveis e luz indireta. As lâmpadas permitidas para as áreas externas são vapor de sódio e LED.
Acho muito importante de tenhamos cada vez mais consciência e que dentro do possível possamos fazer a nossa parte para um desenvolvimento cada vez mais sustentável, tanto em nossas casas como no nosso trabalho e tudo isso refletido em tudo que projetamos.

Light+Building 2012. impressões

Passado mais de um mês da última edição de Light+Building em Frankfurt, publico as minhas impressões.

O complexo da feira… TODOS os pavilhões tomados por expositores.

Este ano, mais do que novidades sensacionais em termos de inovação ou de design, a consolidação da tecnologia a LED dominou todos os stands.

Se nas edições passadas se tentava entender um pouco melhor o funcionamento do LED e o como mudar o modo de pensar para projetar as luminárias, a eficiência e a qualidade da emissão luminosa foi destaque em todas as empresas.

LÂMPADAS: 

No quesito tecnologia, Philips e Osram estão substituindo todos os tipos de lâmpadas para versões a LED, mantendo o mesmo soquete encontrado hoje no mercado. Isso facilita o público em geral em não precisar fazer uma troca forçada de todas as luminárias, por enquanto ainda em pequenos ambientes, residencial, hospitality ou retail. Vale lembrar que para alguns desses tipos – como lâmpadas com soquete GU5.3 ou G53, que substituiriam as lâmpadas halógenas dicróicas ou QR111, convêm pedir informações à fabricante da luminária em questão para saber se é possível instalar a nova lâmpada.

Stand da Osram, muita iluminação RGB!

Stand da Philips, como o da concorrente, apresentando o OLED entre os LEDs…

As lâmpadas a LED como alternativa para substituir as incandescentes e halógenas

LUMINÁRIAS TÉCNICAS:

Aqui vem parte do meu desapontamento da feira. Praticamente todas as empresas se concentraram tanto em entender e otimizar o LED, que acabaram esquecendo a evolução do design nas luminárias técnicas – outdoor, office e retail – e o resultado: luminárias IGUAIS, repetidas infinitamente nos pavilhões. A minha crítica maior é que uma das vantagens do LED, em ocupar menos espaço, foi totalmente esquecida. Considerando que quanto mais potente, maior o calor produzido (sim, LED também esquenta) e por isso maior deve ser a superfície de dissipação de calor, não vi grandes estudos sobre como resolver essa questão com um design inteligente. A “cara” das luminárias voltou aos anos 70.

o fechamento das luminárias técnicas utilizam a tecnologia dos primas para difundir melhor a luz sem ofuscar o usuário

iluminação com LED RGB

as diferentes temperaturas de cor do LED – do branco quente ao branco frio… qual vc prefere?

LUMINÁRIAS DECORATIVAS:

As principais fabricantes de luminárias decorativas lançaram poucos produtos originalmente novos. A eficiência energética tomou controle e muitas foram as versões a LED apresentadas. Interessante mas muito caro para o consumidor comum, já que essas versões consideram a troca total da luminária.

Merece destaque a luminária da Artemide IN-EI da sensação do momento no mundo fashion design: Issey Miyake. Por quê? Inteligência, praticidade, tecnologia, design e sustentabilidade colocadas juntas no mesmo objeto!

Inteligência: a sabedoria japonesa dos origamis aplicada na escala de uma luminária. Um módulo que se repete indistintamente com lógica, formando volumes espaciais.

Praticidade: partindo da idéia do origami, a luminária não é nada mais do que uma dobradura. O volume acaba se condensando em uma caixa alta 1cm.

Tecnologia: o material que remete ao papel de arroz e tem uma luz uniforme e difusa ao longo de todo o corpo não é nada mais que o estudo patenteado pelo designer de um material que tem o toque de um tecido, é um tipo de plástico resistente e impermeável, é lavável.

Design: origami, precisa dizer mais? Modernidade da tradição japonesa.

Sustentabilidade: o material plástico com o qual são desenvolvidas as luminárias provêm da reciclagem de garrafas PET. Ecologicamente correto.

Luminale 2012. contagem regressiva

Paralelamente à feira Light+Building, sobre a qual escrevi nos últimos dias neste post, há 5 edições, Frankfurt e região abriga o evento urbano Luminale.

São instalações luminosas encontradas em diversos pontos das cidades, na rua ou em edifícios históricos, abertos à visitação do público internacional que ali se encontra para a feira. Para facilitar, a prefeitura de Frankfurt am Main coloca à disposição linhas de ônibus que faz o circuito deste evento pela cidade. Como citei, não se trata só de Frankfurt, então para quem não tem carro, têm ônibus que levam os turistas às outras cidades participantes da Luminale. A curadora do evento, Helmut Bien espera cerca de 140.000 visitantes diretos e mais 3 milhões de visitantes ocasionais.

Vamos aos números: chegando à 6ª edição em paralelo ao Light+Building, este ano serão cerca de 170 instalações e intervenções luminosas, colocando a Luminale no patamar mais elevado dos festivais de design e arquitetura da Europa. 100 delas se encontrarão em Frankfurt, tendo o centro das atrações no Jardim Botânico Palmengarten. Outras cerca de 40 instalações poderão ser vistas em Offenbach, nas áreas de Heyne Fabrik, nos bancos do rio Main e no centro histórico Mainz.

A Zumtobel será patrocinadora de um “barco de luz”, uma instalação interativa ancorada próxima ao Städel Museum, criada pela Mainz University of Applied Sciences.

Claro a projeção digital nas fachadas mais importantes da cidade não deixarão de faltar. Próximo ao Senckenberg Natural History Museum, os visitantes poderão participar da instalação luminosa e sonora desenvolvida por Philipp Geist. As fachadas do Zeil-Galerie ao Sparda Bank, no Tower 185 e no Tishman Speyer terão inúmeras intervenções.

Na prática, a vantagem de patrocinar essas instalações faz com que se explore ao máximo toda a tecnologia do campo da iluminação. Controle e gestão da luz, sensores e softwares serão testados durante a feira. Dessa forma, no futuro todos estes sistemas poderão ser utilizados para favorecer a população a ter uma iluminação mais eficiente, seja em qualidade, seja em eficiência energética.

Em termos de “energia verde”, a atenção estará voltada para o OLED – Organic LEDs. Material que está sendo pesquisado nos últimos 5 anos e que deu o prêmio “Germain Future” ao Fraunhoffer Institute em 2011.

Uma das instalações previstas será Ovo, parceria belga do estúdio ACT Lighting design  e do escultor Odeaubois, como eles mesmos definem:

A sensory experience to live, in the heart of a luminous egg, symbol of birth, unity and perfection. An installation by ACT lighting design (lighting & scenography) and Odeaubois (sculpture). The purpose of OVO is to offer an art object, global and multi-sensory in scope, to which a dimension of a luminous event is added, provided by the plays of light and the visual and acoustic animations. The visitor is invited to walk on the water to reach the interior, as if to vanish into a metaphysical mist. The watery surface reflects the egg-like structure, the lighting, and also the silhouettes of the visitors which bring the surface to life by their passage. Seen from inside, the sense of intensity, of being drawn towards the sky, underlines the dynamism conveyed by the forms of the structure.

Para quem conseguir dar uma passada lá, ou estiver interessado no que o evento oferecerá este ano, no final de março foi divulgado o programa no site http://www.luminale.de.

Cor e Luz.

Chegou a hora de mostrar alguns projetos de iluminação. Passeando por alguns dos meus favoritos sites de design, acabei me deparando com um apartamento muito interessante no DesignBuzz.

A Anna Marimenko, artista e designer, desenvolveu este apartamento para hóspedes. Com a vantagem de ser um espaço de estadia breve, ela resolveu brincar com elementos e cores marcantes. E fez das luminárias composições que se harmonizaram perfeitamente aos ambientes e ao colorido, se mimetizando ao mobiliário.

Sobre as cores, ela tentou chegar a um equilíbrio, sem ser demasiadamente repetitivo e cansativo para os olhos, e sem ser apenas “uma mancha colorida num fundo branco”, como ela mesma definiu. O resultado ficou muito interessante, quebrando o cotidiano monótono e monocromático. O segredo para as cores não pesarem tanto? Piso e teto brancos. Parece besteira, mas faz toda a diferença na percepção espacial final.

No projeto ela utilizou produtos de renome e fama internacional, principalmente made in Italy.

Para a iluminação, foram utilizadas luminárias da mesma forma mas com dimensões e aplicações diversas: as esferas das linhas Castore e Dioscuri, ambas desenhadas por Michele De Lucchi e produzidas pela Artemide, com o difusor em vidro, e as lâmpadas suspensas BingoIngo da Alt Lucialternative, criação de Admir Jukanovic.

Na Sala de Estar se pode entender o conjunto das cores e luminárias escolhidas. Suspensas, tipo plafond ou apoiada na mesa, a uniformidade se dá pela forma esférica e difusão luminosa. Design Michele De Lucchi - Castore e Dioscuri de Artemide.

O hall do apartamento conta com a iluminação principal fornecida pelo Established & Sons Corner Light de Peter Bristol. Uma idéia interessante para quebrar a ortogonalidade dos ângulos do ambiente, se destacando também do amarelo presente em todo o espaço. Apoiada na prateleira, vemos a versão de mesa da Dioscuri.

Na cozinha as luminárias suspensas BingoIngo auxiliam o momento de cozinhar, colocando uma luz concentrada na superfície de trabalho manual. Dica importante para ver bem o que se faz, evitando correr riscos de acidentes domésticos. No corredor de passagem, para valorizar a altura do espaço, foi a vez de uma composição de Dioscuri em diferentes diâmetros.

O layout luminotécnico esquemático com as imagens das luminárias escolhidas.

 

Aqui foram citados:
Artemide
ALT Lucialternative
Peter Bristol
Anna Marimenko
DesignBuzz

abril. o mês da luz.

Uma feira que acontece a cada dois anos e este ano chega na sua sétima edição. Está se aproximando o momento de participar deste evento, cada vez mais consagrado, no que se refere a mostrar ao público toda a pesquisa e produção na iluminação mundial, eletrotécnica, gestão e controle da luz.

Estou falando da Light+Building, que acontece sempre em abril, frequência bienal, em Frankfurt Alemanha. Quem é da área sempre dá um jeito em aparecer para ver as tendências dos próximos anos.

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Na última edição que se realizou em 2010, a feira atraiu mais de 180.000 visitantes, sendo 43% dele do exterior. A atração que acaba fidelizando e ampliando o seu público, é o fato que dentro da feira você encontra praticamente tudo o que está ligado com a iluminação: luminárias de design das maiores e mais renomadas empresas do mundo, componentes luminotécnicos e acessórios.

Em 2010, a cidade de Frankfurt contou com eventos paralelos à manifestação: teve a premiação da segunda edição do Concurso de Idéias do AIDI – Associação Italiana de Iluminação – com parceria do Gruppo Cariboni, há mais de 100 anos atuando na área energética.
A iniciativa, voltada para o mundo universitário se destaca pela sua importância cultural e didática teve como vencedores Francesco Guastella e Saara Sofia Ingeborg Jaaniten com o produto “Twist”, desenvolvido para o âmbito urbano.

Além dos tradicionais nomes, já consolidados no mercado luminotécnico mundial como Axo Light, Artemide, Catellani&Smith, Flos, IGuzzini, algumas empresas se destacarams em 2010 que ganharam espaço na mídia. São elas:

Lucente – fabricante de luminárias para ambientes interno, a luminária de piso Semjase impressionou pela sua dimensão. Desenhada pelo Studio Santantonio. Com a estrutura em poliuretano expanso, se destaca pelo perfil delgado, remetendo às imagens”extraterrestres”. O arco acaba permitindo uma área mais ampla iluminada auxiliada pela orientabilidade da parte superior.

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O projetor Kalypso desenhado por Paolo De Lucchi, em versões suspensa, à parede e tipo plafond foi outro destaque da marca. A particularidade do produto é dada pelas bolhas escavas na parte superior da calota. A grande jogada é também o utilizo da tecnologia a LED, com baixo consumo de energia e por isso mais procurada.

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Sao, luminária fixada na parede ou teto e Style, com aplicação a suspensão ou parete, foram outros dois produtos muito comentados para o uso não só residencial mas também do setor Contract, Hoteleiro.

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Metalspot – outra empresa italiana que tem como lema o respeito pelo ambiente e a atenção ao detalhe e apresentou muitas propostas com LED. O modelo Epsilon, suspenso, tem como designer o famoso Karim Hashid. O diferencial é o material utilizado: espelho AntichMirror.

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Já a suspensão Tratto brinca com a leveza dos prismas luminosos.

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O mundo visto pelos astronautas

Nos afastando do planeta teríamos idéia do quanto a civilização marca o território através da iluminação.

Fotos noturnas mostram a interferência da vida urbana na paisagem, interagindo com outros fatores naturais.

É o caso das fotos feitas pelos astronautas. As mais impressionantes são as que mostram a beleza da Aurora Boreal com a iluminação das cidades causa um efeito contrastante da monocromia da artificialidade das lâmpadas com a intensidade de cores da atmosfera.

foto AFP feita em fevereiro de 2012. A aurora boreal e o estado de Washington, USA.

foto Andre Kuipers - 28 de março 2012. Em primeiro plano a ilha da Irlanda, seguida pelo Reino Unido com a aurora boreal no horizonte.

Na Europa existe a preocupação do excesso de iluminação utilizada durante a noite. Normas e Recomendações estão sendo elaboradas a níveis nacionais e regionais para controlar o fluxo de luz emitido no espaço.

A questão não nasce do problema do desperdício de energia ou do consumo excessivo de energia elétrica. Ela vai muito além: com tanta iluminação na cúpola celeste, é praticamente impossível para os astrônomos visualizarem as estrelas, constelações e tudo o mais que estiver no espaço. Como o continente é densamente ocupado, os centros de observação se encontram em zonas povoadas, muitas vezes próximas a grandes zonas urbanas.

Levando um pouco adiante esse problema, a fauna e flora também são diretamente prejudicados. Só não ganham tanta importância no discurso porque infelizmente eles quase não existem mais…

Quando vamos começar a tratar a iluminação com a competência necessária?

mudança de comportamento. um pensamento critico

Hoje eu venho falar sobre a evolução que o campo da iluminação está sofrendo nos últimos anos, e o quanto ainda irá mudar nos próximos.

Na Europa a mudança já começou em setembro de 2009: a lâmpada incandescente não existe mais. Sabe aquela leitosa, superconfortável e não ofuscante? Pois é, ela morreu e eu sinto muito a falta dela por aqui. A transparente hoje você ainda encontra no comércio, mas no seu interior apresenta uma minihalógena. O filamento incandescente desapareceu, juntamente com o seu charme.

a nova incandescente com uma halopin no lugar do filamento

Mas não pensemos que o Brasil está muito atrás e que necessitará de anos-luz para entrar no mérito da questão. A mesma decisão foi aprovada e a produção será interrompida num futuro muito próximo. Por quê?

foto extraida da pagina de Wind Virtual Insanity no facebook

Ponto 1. A motivação oficial é a questão da economia que se fará no cálculo geral de consumo de energia elétrica. De todas as lâmpadas, a incandescente é aquela que mais consome energia e a que menos produz quantidade de luz. Ou seja, menos eficiente.

O meu poder crítico e o conhecimento adquirido na área me fazem pensar que não é so essa a motivação. Aliás, a vejo mais como uma desculpa.

Ponto 2. Outro estudo – desenvolvido na última decada pela WWF – acabou sendo aproveitado como argumento: a pegada ecológica. Resumindo muito superficialmente, nele é apresentado um cálculo sobre a quantidade  de gás carbônico emitido na atmosfera de todas as atividades e hábitos quotidianos. A ideia é genial, afinal a emissão de CO2 é um dos maiores fatores para o aquecimento global, mas vejo que em muitos casos decisões estão sendo tomadas – apressadamente e erroneamente – se apoiando sempre no estudo.

a pegada ecológica da WWF

Ponto 3. Obviamente o mundo está em crise, e já fazem alguns anos. O que mantem o sistema em funcionamento é a evolução das tecnologias que impulsiona o capitalismo, afinal se não vende, não se enriquece. Porém pensando na realidade da iluminação, uma vez feito um projeto luminotécnico coerente, a necessidade de uma total reforma não ocorre com a mesma frequência de tantos outros projetos de arquitetura. Falo de uma vida de ao menos 5 anos para um projeto padrão comercial, 10 -15 anos para escritórios e hotéis, sem mencionar o projeto residencial.

Um dos grandes nomes que estão por trás da decisão é nada menos que a Philips. Criar novas lâmpadas, sempre mais eficientes acaba não sendo o melhor negócio. Voce não precisa substituir toda a luminária, só a lâmpada. Mas incentivar a troca de uma lâmpada que é utilizada em grande escala e encontrada em qualquer casa em todo o mundo, aborda cifras muito mais elevadas. Em muitos casos será necessário trocar TODA a luminária. Uma lâmpada de 1 real, que já começou a ser substituída pela fluorescente compacta eletrônica de 15 reais, deverá ser substituída agora por uma de no mínimo 50 reais*. Interessante isso, não?

Eu fico imaginando, num país que ainda tem uma diferença social enorme, famílias deverão investir 50x mais para trocar uma simples lâmpada, que se usada de forma errada – e isso ainda será um tema a ser abordado – dura tanto quanto uma incandescente, na pior das hipóteses. País esse que produz energia elétrica suficiente, exemplo em todo o mundo pela tecnologia “limpa” – hidrelétrica, solar e eólica. Mas não vou me apegar a pequenos detalhes, o balanço no final das contas chega a bilhões. Positivo para as fabricantes.

Chi ha spento la luce? Projeto de Helena Gentili do Studio Susanna Antico Lighting Design de Milao para a mostra Contemporary Lighting Context realizado em 2011 na cidade de Como, Italia.

No blog italiano LuxEmozione, do arquiteto e lighting designer (e posso dizer amigo) Giacomo Rossi, foi publicado ao seu tempo – 2009 – uma matéria a respeito da “morte” da lâmpada incandescente. Voce pode ler na íntegra aqui.

A conclusão dele infelizmente é a mesma a qual eu cheguei: todo esse bafafá estourou na parte mais frágil do sistema de produtos elétricos/eletrônicos.

A iluminação em uma casa representa cerca de 10% do valor final da conta elétrica. Trocando a incandescente por uma fluorescente ou LED, a contribuição seria de 5%. Geladeiras, microondas, ar-condicionado cada vez mais potente, chuveiro elétrico, secador de cabelo, máquina de lavar-roupas ou louças, sem mencionar todos os pequenos gadgets tecnológicos, computadores, iPad, celulares, etc, poderiam ser desenvolvidos para economizar 50% de energia!

Termino a minha conclusão com um pensamento pessoal e (admito) muito crítico: negar à civilização o direito de usar uma tecnologia sem antes desenvolver outra que tenha todas as vantagens da anterior, me parece burrice e estupidez.

Até hoje, todos os tipos de lâmpada que vocâ encontra hoje no mercado – incandescente, halógena, fluorescente, vapor metálico, LED – tem caracteristicas muito diferentes uma da outra, e você não pode simplesmente substituir sem nenhuma desvantagem.

A conscientização é a nossa esperança para um mundo melhor em todos os sentidos. 

Lampadinha, o ajudante do Professor Pardal com certeza não gostou da idéia

Acho que as crianças no futuro não entenderão mais o personagem... será que vai virar LEDzinho?

O próximo passo na Europa é a “otimização” das halógenas. O que irá retirar do mercado muitos outros modelos, até a sua gradual extinção.

* a proporção dos preços foi baseada na diferença encontrada hoje no mercado europeu.