Fête des Lumières 2012 – Lyon, França

Mais um ano chegando ao fim e junto com ele mais uma edição do festival de luzes mais importante da Europa!

Como já falamos dela aqui, a Fête des Luminères  acontece todos os anos no primeiro final de semana do mês de dezembro em Lyon, na França.

Este ano não foi diferente… as instalações artísticas feitas com luz espalhadas por toda a cidade espantaram a noite fria e deixaram os mais de 3 milhões de visitantes admirados pela criatividade de suas obras!

Seguem algumas imagens do festival!

light In Hoghlights UP UP AND AWAY ROMAN TYCA Lumieres archipictales light in2 rue edouard herriot le Bal des lumieolesUm ótima semana a todos, cheio de inspiração!!

Referências: http://www.fetedeslumieres.lyon.fr/

Images: Michel Djaoui e Fabrice Dimier

Natal na Cidade Luz!

Um dos momentos mais aguardados da Europa nesta época do ano é: “como será a iluminação de Paris este ano?” e a resposta é sempre a mesma “magnifique!”.

Paris tem o costume de todo o Natal iluminar a Champs-Elysées, cada ano é uma nova proposta, com diferentes profissionais da área.

Este ano coube aos belgas da ACT Lighting Design criarem a iluminação. O conceito foi feito a partir de três anéis de circundam as árvores da alameda mais admirada do mundo.

Poster para o evento – créditos ACT Lighting Design

O resultado você pode conferir nas primeiras imagens divulgadas pelo próprio escritório, e ficou realmente muito bonito!

imagem – ACT Lighting Design

imagem – ACT Lighting Design

imagem – ACT Lighting Design

Pra quem vai à Paris até o início de janeiro, com certeza vai conferir ao vivo não só a iluminação da Champ-Elysèes como todos os outros pontos e também as maravilhosas vitrines que eles fazem para o Natal!

Fazendo jus ao apelido de Cidade Luz!

 

LED – desabafo de um lighting designer italiano

Hoje venho, através do nosso blog, transmitir um post do arquiteto e lighting designer italiano Giacomo Rossi, publicado no seu site Lux Emozione. Tive a oportunidade de conhecê-lo no evento sobre iluminação em que partipei em Como na Itália, no ano passado – você pode ler mais sobre ele neste post.

O assunto a ser abordado é o do momento: LED. Porém visto através do profissional da área de iluminação com todas as vantagens e facilidades da tecnologia (conforme divulgado na mídia) e as dificuldades reais para a sua instalação.

Dificuldades estas que não são exclusividade do mercado italiano. Infelizmente, ainda hoje para certas aplicações a substituição plena para o LED ainda tem como consequência uma boa dor de cabeça. Um pouco do assunto já foi abordado por nós anteriormente no post mudança de comportamento.

Mas vamos ao texto do Giacomo:

Caros amigos projetistas da luz, não sei se vocês já se dispuseram a utilizar a tecnologia LED nos seus trabalhos, talvez como alternativa às tradicionais lâmpadas. Bem, eu tive o prazer de usar recentemente esta tecnologia, em uma aplicação onde a questão não era somente a necessidade da alta eficiência luminosa, mas também uma alta performance em termos de reprodução de cor e possibilidade de escolher a temperatura de cor. Enfim, o resultado final é digno de comentário (ao menos ao meu ver), mas realmente, juro a vocês, foi muito complicado!

Um esforço enorme não tão ligado ao produto mas à tecnologia em si, que realmente, segundo o que penso, apresenta ainda algumas lacunas devido à falta de normas específicas. Fato este que não se deve ao mundo da elétrica e portanto da iluminação tradicional, mas específica da tecnologia LED e a sua evolução.

Temos que ser sinceros, LED e lâmpadas tradicionais (incandescentes, vapor metálico, etc) são dois mundo totalmente diferentes. É inútil esperar o mesmo resultado  obtido com uma e com a outra! Isto é, explicando melhor, é como a mudança da lâmpada incandescente com a halógena com o bulbo de vidro externo (que está substituindo a primeira), que hoje encontramos por tudo: ok a estética é idêntica mas o efeito, mesmo que muito próximo, não pode ser comparado.

Voltando aos problemas encontrados, adianto que as luminárias e produtos usados no caso em questão não são do último chinês que apareceu no comércio, porque como vocês bem sabem, o LED para funcionar corretamente precisa de uma boa dissipação e ter a alimentação adequada, senão adeus à vida média de 50.000h, adeus à alta performance luminotécnica, adeus garantia e muitos outros adeus. A utilização de um produto bem projetado é fundamental para aproveitar as características da luz na sua totalidade.

Se quisermos o único “problema” correspondente ao produto, é justamente na maneira de como operar por nós arquitetos da luz, ou seja, escolher o material mais adequado às exigências do projeto, seja em eficiência, estética e custo. Frequentemente isto nos leva a folhear muitos catálogos de fabricantes e utilizar vários fornecedores para chegar ao melhor resultado possível.

Tudo bem, só que, usar luminárias de fabricantes diferentes significa também LEDs de origens variadas, e logo, como aconteceu comigo, para chegar à seleção da “cor branca”, temperatura de cor de 3000K, que fossem parecidas entre os vários fornecedores, foram utilizados muitos recursos.

Não falemos da difícil avalição prévia feita ainda no escritório, considerando as fotometrias dos produtos LED que, ainda hoje, mesmo existindo uma norma específica, muito frequentemente vem “fotometrados” como se fossem luminárias com lâmpadas comuns.

Uma série de problemas que deixam um pouco mais difícil o trabalho do especialista da luz, que deve sempre manter-se informado, atualizado, comparando produtos, selecionando-os, etc, com muito mais dedicação do que uma vez, para oferecer a melhor solução e para chegar ao optimum final que todos desejam. Esperamos ao menos que todo este trabalho de especializações no campo aumente um pouco mais o nosso reconhecimento no mercado que muitas vezes reduz o projeto de iluminação em 4 pontos no papel (mas isto é uma outra história).

Enfim, apesar da tecnologia LED permitir alcançar resultados, seja do ponto de vista quantitativo, mas também qualitativo da luz, até poucos inesperados anos atrás, diria eu, existem ainda muitas questões a serem abordadas.

No post, o lighting designer Giacomo termina o artigo, falando sobre um workshop que será realizado na Itália, no final do mês de novembro, na sede da Entidade Americana de Certificação Elétrica UL. O título? LED – entre inovação e certificação – o papel do Lighting Designer.

Entrei em contato com os organizadores e este evento não será transmitido online. Será um momento em que os profissionais – construtores e arquitetos do setor da iluminação –  terão a oportunidade de se atualizar e informar, confrontando, questionando e discutindo o Lighting Design.

Quem, por acaso estiver passeando pela península, pode participar ao evento, que é gratuito, na sede da UL de Burago Molgora – o interessante é que ao final da jornada, uma visita guiada ao laboratório será feita. O programa você pode conferir aqui.

 

 

 

UM POUCO MAIS SOBRE GIACOMO ROSSI:

  • Arquiteto especializado em projeto luminotécnico e fundados do Luxemozione.com. De 1999 a 2009 colaborou com o estúdio Ferrara Palladino de Milão como responsável de projetação. Até julho de 2011 foi responsável do escritório de projetos de Milão da empresa Martini Iluminação. De 2011 é titular, juntamente com Maria Lia Ferraro do estúdio de projetos e assessoria de iluminação FerraroRossi Lighting Design. Além da atividade como arquiteto de iluminação, é autor de vários artigos em importantes revistas do setor da iluminação.

 

 

Tom Dixon apresenta: LUSTRE

Tom Dixon, marca britânica relativamente nova no mercado, que desde 2002 desenvolve produtos de design e luminárias, mais uma vez vem anunciar uma série muito interessante.

Se trata da coleção LUSTRE. Em parceria com uma empresa familiar holandesa, que há 5 gerações trabalha com a pedra grés, foram desenhados 4 modelos sendo inspirados nos templos maias e na art-decó .

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Por ser uma produção artesanal, cada luminária feita é única, com a imperfeição humana dando personalidade a ela. A própria cor depende da distribuição dos pós iridescentes da pedra grês, obtidos a 1200 ºC, no esmalte (receita superultrasecreta) por isso é improvável que se consiga obter o mesmo tom em mais de uma peça.

No vídeo abaixo você pode conferir o making of e de onde vieram as inspirações para o design.

Mais informações você pode ter diretamento no site da Tom Dixon, clicando aqui.

Horário de verão: seja bem-vindo!

Muito bem, hoje entrou em vigor o que, nós aqui no Brasil, chamamos de horário de verão.

Por que este nome?

A pergunta é relativamente óbvia: o horário é adotado durante o verão, porque nas regiões mais distantes do Equador, os dias são mais longos.

Se vocês olharem no mapa abaixo, dá para ver esta relação diretamente aplicada. As regiões próximas à linha do Equadro acabam tendo pouca interferência durante o ano inteiro entre a duração do dia e da noite. Logo, colocar em prática a mudança de horário não tem muito fundamento.

Em azul, os países que aplicam o horário de verão. Em laranja, aqueles que já utilizaram o recurso mas hoje em dia não está em vigor. Em vermelho, aqueles que nunca aderiram.

Sempre recebendo a explicação da economia efetiva no consumo elétrico, fico me perguntando: mas como e quando decidiram pular 1h de uma nação inteira? (medida muito corajosa, eu diria!)

1784. Antes mesmo que existisse a energia elétrica – e consequente problema de horários de pico – Benjamin Franklin, político e inventor americano, teve a ideia de adiantar o relógio em uma hora para aproveitar melhor as horas de sol. Porém ele não conseguiu sensibilizar o governo dos Estados Unidos. Teve o seu artigo publicado também na França, ressaltando a possível economia em cera de vela, sem resultados efetivos.

1907. Mais de 100 anos depois, na Inglaterra, o construtor William Willett – integrante da Sociedade de Astronomia Real –  tentou persuadir a sociedade. A motivação: haver mais tempo para o lazer, reduzir a criminalidade e reduzir o consumo de luz artificial. Também sem sucesso.

1916. A Alemanha entra para a História como o primeiro país a adotar oficialmente o horário de verão. Reparem na data, durante a Primeira Guerra Mundial eles decidiram adiantar o ponteiro do relógio para economizar o carvão!

Pegando a onda da Alemanha, outros países europeus – envolvidos na Guerra – e também os Estados Unidos, acabaram adotando a medida nos anos seguintes.

1931. O Brasil passa a seguir a medida, visando a economia no consumo de energia elétrica. Abaixo você confere a advertência do Observatório Nacional.

1932, O decreto

Aqui, foi estabelecida como regra, a adoção do horário de verão a partir do terceiro domingo de outubro até o terceiro domingo de fevereiro, com exceção do ano em que o feriado de Carnaval cai no mesmo domingo. Um evento talmente importante tem a capacidade de adiar para mais uma semana o horário de verão!

Como curiosidade, a confusão acontece quando os Estados que não aplicam a medida – a maior área territorial do Brasil fica próximo ao Equador – tem que adaptar os programas de televisão para não alterar o dia-a-dia da população.

 

Energitismo. O Manifesto

 

O blog aborda principalmente a iluminação – natural e artificial. Porém a segunda não pode existir sem o elemento base: a energia. E é por esta mesma, hoje em dia tão em voga com as fontes renováveis, que eu venho escrever a matéria de hoje.

SIm, o nome é estranho mas você pode conferir no site do próprio movimento energitismo.org.

A ideia é a vontade de colocar em prática o que várias pessoas com certeza já pensaram:

Porque as tecnologias de energia devem ser sem rosto, sem identidade e sem dignidade? Por que a maioria das usinas de energias renováveis devem ser consideradas pouco atraentes? Por que elas são tratadas como pragas que infestam as nossas casas?

O movimento, criado por Claudia Bettiol, visa uma nova tecnologia filosófica. Como? Chamando a atenção de designers, artistas, arquitetos e afins, porque “cada artefato deve ser o fruto de três qualidades: ser estrutural, funcional e estético.”

Eu por exemplo, já me peguei pensando porque certas coisas que nos são úteis todos os dias não são pensadas com um design inteligente. Afinal, qualquer máquina ou objeto para executar bem a sua função não precisa ser feio. O ser humano é dotado da visão e é através dela que detectamos o belo e o feio. E muitos estudos comprovam, o belo nos faz bem.

Por enquanto, praticamente todas empresas que estão investindo na produção de fontes de energias renováveis estão preocupadas no sistema, esquecendo a forma final. Olhanda para a História da Humanidade, uma civilização bem sucedida o foi ao seu tempo porque conseguiu conciliar todas as três características.

Em outubro, o desafio lançado pelo Manifesto ganhará vida na Bienal em Vicenza com o “Energitismo Exhibition”. Entre os artistas que irão participar estarão:

  • Orproject, escritório de arquitetura e design de Londres.
  • Luisa Elia, artista italiana de Lecce.
  • Alberto Tessaro, comandando a Enessere.
  • Fabrizio Borello, desenvolvedor de construções renováveis.
  • Jeroen Verhoeven.
  • Simone Giostra, arquiteto do escritório Giostra&Partners especializado em projetos de arquitetura sustentável
  • Theo Jansen, artista holandês.

Abaixo seguem algumas imagens do que está se propondo no momento:

Stuttgart University.

Solar Tree by Ross Lovegrove. Artemide. Poste urbano a LED com painéis solares.

energia eólica: Simen Super 4 8iRm

Aeroporto de Marrakesh.

detalhe das zenitais.

Solar Balloon

Assim como o tema deste blog, o homem é energia pura, intensa e dinâmica. Somos nós quem desenvolvemos a tecnologia e as cidades. Devemos vivê-las com a plenitude que elas nos oferecem e tornando o nosso modo de viver “renovável” em também bonito, agradável aos olhos.

E para finalizar essa iniciativa mais do que bem pensada, se pode concluir com uma citação de Einstein, muito objetiva para este manifesto e o momento que vivemos hoje:

“Não podemos ter a pretensão de que as coisas mudem se continuamos a fazê-las da mesma maneira. A crise é a melhor coisa que pode acontecer às pessoas e a inteiros países porque é a crise que traz o progresso.

A criatividade nasce da ânsia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nasce a invenção, a descoberta e as grandes estratégias.

Quem supera a crise supera a si mesmo sem ser superado. Quem atribui a suas perdas e erros à crise, violenta o próprio talento e respeita mais os problemas que as soluções.

A verdadeira crise é a crise da incompetência. O erro das pessoas e dos países é a preguiça de procurar por soluções.

Sem crise não existem desafios, sem desafios a vida é rotina, uma lenta agonia. Sem crise não existem méritos. É na crise que o melhor de cada um de nós aflora poque sem crise qualquer vento é um carinho.

Falar de crise é criar movimento; acomodar-se nela exalta o conformismo. Ao invés disso, vamos trabalhar duro! A única crise ameaçadora é a tragédia de não querer lutar para superá-la.”

Albert Einstein (1879-1955).

fonte:

 

Vivid Sydney!

Neste post temos a colaboração da Arq. Fernanda Tissot no nosso blog! Ela nos conta a sua experiência durante o festival Vivid Sydney, na Austrália, onde, é claro, a luz teve um papel fundamental. As fotos são crédito do fotógrafo Guilherme Jordani.

 Segue o relato da Fer:

Durante o período que estive em Sydney aconteceu o 4º festival de música, luz e arte, o Vivid Sydney. Esse festival ocorre anualmente e envolve toda a cidade e seus principais pontos turísticos. Os espaços públicos ganham uma nova roupagem por meio de projeções de luz, espetáculos de música e performances teatrais. E o mais interessante é a interações dos visitantes com essas atrações, que muitas vezes, literalmente, convidam o público a participar e interagir.

Cidade iluminada e colorida para o Festival Vivid Sydeny – ©Guilherme Jordani

Diversas performances aconteceram no centro da cidade durante o festival, todas envolvendo luz e música, como bicicletas em formato de peixes iluminados, que garantiam ainda mais a interação do público.

Bicicletas em forma de peixes iluminados pela cidade – foto do site do evento

Escritórios de lighting design do mundo todo são convidados a participar e dão uma caracterização cênica especial aos monumentos, que são transformados em gigantescas telas de pintura ou cinema. A energia é contagiante e mesmo com a temperatura baixa e ventos típicos da cidade australiana, uma multidão se instala na baía para apreciar o evento.

A Opera House foi transformada pelo premiado escritório alemão, Urbanscreen, em palco para a projeção 3D de uma menina que rolava sob as suas conchas acústicas. Em sincronia com a música, a cobertura da Opera parecia voar com o vento que soprava da baía. Simplesmente incrível.

Opera Houve – ©Guilherme Jordani

Já o Museum of Contemporary Art (MCA), teve projeções coloridas e interativas ao som de música eletrônica.

Projeções nas fachadas – ©Guilherme Jordani

Fernanda Tissot, é arquiteta e diretora da empresa Luxion Iluminação – http://www.luxion.com.br/

Guilherme Jordani, é fotógrafo da JJordani Fotografia e possui um banco de imagens na internet – http://www.jojoimagens.com.br/

http://www.vividsydney.com/

Luminale 2012 no Jardim Botânico

Estando a trabalho na maior feira bienal de iluminação acaba não dando muito tempo para aproveitar a cidade e eventos pós-feira.

Pois bem, remexendo nas minhas fotos encontrei algumas feitas durante a visita no Jardim Botânico de Frankfurt. A brincadeira das instalações é surpreender o visitante em meio à vegetação. Deu certo, não?

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Esse tal de kelvin

Recomeçando a trabalhar no Brasil, me deparei com um problema (por enquanto posso dizer que existente no RS) na hora de comprar uma lâmpada: a falta de opção na cor da luz.

Pois bem, para não tornar o assunto maçante, a luz tem diversas propriedades e características. As mais famosas são potência e voltagem. Além dessas existe a COR que ela emite. Que fique bem claro que não estou envolvendo outros parâmetros como eficiência energética, quantidade de luz ou reprodução das cores.

Nesse post falarei simplesmente do tom de cor emitido pela fonte luminosa. A cor que vemos sair da lâmpada.

Todo mundo na vida falou ao menos uma vez: essa luz é muito “fria”ou então essa luz é muito “amarela”, não?

Acontece que mesmo sendo fria ou amarela, a lâmpada é de cor branca, e não estou falando de aquecimento. Como na hora de pintar as paredes de sua casa, quando mesmo sendo branca a cor que você quer, você vai ter que decidir se vai querer um branco puro, um branco acinzentado, um branco mais amarelo (areia, perola, etc), na hora de iluminar a sua casa você vai poder escolher a COR da lâmpada.

Para distinguir os tons, no caso da iluminação, existe uma unidade de medida: graus Kelvin.

Mas quem é esse Kelvin?

Com a invenção da luz artificial e posteriormente a elétrica, os estudiosos da área se deram conta que materiais diferentes na composição da lâmpada (filamento, gás, etc) emitiam cores diferentes de luz. Dali partiu a necessidade de entender e medir essa alteração.

O físico e engenheiro irlandês William Thomson, a partir de um bloco de carbono, também conhecido como corpo negro porque ele absorve toda a luz que incide nele, fez uma escala das cores que esse material emite quando aquecido – da temperatura mínima, estabelecida como o zero absoluto 0K = -273.15ºC em diante, já que ficou comprovado que não existe uma temperatura máxima. Assim como você pode reparar no fogão de casa, o fogo mais quente é azulado, tendendo à transparência. Um corpo mediamente aquecido fica avermelhado, indo para o amarelo e chegando no tom azul quando aquecido ao máximo. Depois que a Irlanda fez parte do Reino Unido, Thomson passou a ser o primeiro Lorde Kelvin.

William Thomson

Mas como essa teoria foi aplicada para a iluminação?

A temperatura de cor descreve o espectro de luz irradiada de um corpo negro com uma dada temperatura.

O sol, por exemplo, nos dá a impressão de ser uma cor quente, não? TAMBÉM! Só porque ele nos aquece, não quer dizer que a cor da sua luz seja necessariamente quente. Na verdade ao nascer do sol e ao pôr do sol, a luz emitida pelo astro é “quente” sim. E por isso vemos os prédios e tudo o que é iluminado por ele num tom mais amarelado ou avermelhado.

Porém durante o dia, quando o sol está mais alto, a luz que ele emite é muito mais fria. Nós não reparamos nisso ao ar livre pois entram em questão outros fatores de percepção ótica.

Por isso, quando compramos uma lâmpada fluorescente que diz na embalagem LUZ DO DIA ou DAYLIGHT e a ligamos em casa, vemos o quanto ela é azulada de tão branca.

Para termos uma ideia mais clara, vamos aos números:

2500K – 3500K – é a variação de temperatura que se pode encontrar nos vários tipos de lâmpada tungstênio: incandescentes e halógenas.

2700K – é a lâmpada incandescente, ou a luz do sol nos horários próximo ao nascer ou ao por do sol. A luz que vemos é “amarela”. *

3000K – as lâmpadas fluorescentes oferecem essa temperatura de cor: o branco quente. Menos amarela do que a 2700K, ela é a ideal com essa tecnologia para deixar os ambientes mais aconchegantes como a nossa casa.

4000K – branco neutro. Essa temperatura de cor é a mais neutra entre todas. Ao observamos a sua emissão vemos que chega o mais próximo do branco, sem tender para o quente ou para o frio. É como o branco puro nas tintas. E por isso é ideal para ambientes de trabalho. Mais do que 4000, a luz começa aos poucos a tender para o azul.

6500K – ou como pertinentemente as fabricantes chamam: luz do dia. Poderia ser chamada de “luz das 11h” ou então “luz das 14h” (horário de verão). Esse tom é muito mais frio e por isso chega ao tom azulado.

* por sermos acostumados com essa cor de luz nas incandescentes, acabamos instintivamente relacionando a cor ao calor emitido por esse tipo de lâmpada e à menor quantidade de luz emitida por ela (eficiência energética).

Infelizmente, no comércio em geral de lâmpadas fluorescentes compactas com o soquete de rosca (E27) temos à disposição DUAS opções: 2700K ou 6500K. Eu diria que as duas menos utilizadas pelos grandes mercados da América do Norte e da Europa. Deixo a conclusão para o leitor, porém me parece curioso o fato de que as temperaturas ideais para a nossa vida – 3000K e 4000K não chegue facilmente no nosso comércio.

As várias temperaturas de cor também são possíveis com LED. Feira de Frankfurt, Light+Building, este ano.

Nos catálogos das fabricantes, elas disponibilizam todas as temperaturas de cores em produção hoje em dia: 2700, 2900, 3000, 3100, 4000, 5000, 6500K. Ou seja, não é que não existem, é só que se você realmente quiser uma outra temperatura que não seja as standards do mercado brasileiro, você precisa encomendar e saber como instalar pois grande parte requer alimentação.

E daí o consumidor que não entende todas as nuances nas características da iluminação, acaba tendo que se limitar ao mercado normal.