Fuorisalone 2013

Depois de uma semana em Milão, com muita caminhada em busca das novidades na nossa área, voltamos com algumas novidades que acreditamos que serão tendência!

Com a nossa experiência de outros anos no Salone e nos Fuorisalone, não podemos deixar de observar que a crise financeira na Europa afetou todos os campos da sociedade e a questão da criatividade e viabilidade de projetos e produtos ficou mais limitado. Foi possível notar que uma solução para isso foi a derivação de produtos que já haviam sido lançados nos anos anteriores  Mas claro, há sempre uma luz no fim do túnel e ainda há grandes empresas e muitos jovens designers que conseguem trazer à tona novas formas e idéias em meio a um clima de contenção financeira e, pode-se dizer também, artística.

Neste post falarei mais sobre os Fuorisaloni, onde neste ano encontramos não somente a tradicional Via Tortona mas também muitos outros bairros da cidade que apresentavam produtos e idéias muito interessantes.

O museu dedicado ao desgn, o Triennale di Milano, remodelou a sua mostra permanente com o tema A Síndrome da Influência, onde nos mostra os grandes nomes do design italiano pós-guerra e os novos artistas que hoje ainda são influenciados por eles. Muito interessante a retrospectiva. Também uma mostra interessante é sobre a obra de Iosa Ghini, um grande designer que leva a sua criação intimamente ligada à mídia, com esse conceito, desenvolveu muitas logomarcas e conceitos para muitas lojas que muitas vezes a utilizamos e nem sabemos que por trás daquilo tem todo um pensamento de um grande designer! Exposta em ordem cronológica, podemos ver um pouco do seu trabalho nas diversas áreas e seus maravilhosos croquis!

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O que mais gostei e achei interessante foi a região da Via Ventura, onde são apresentados os projetos e objetos de muitas escolas de design da Europa, sendo os mais interessantes os belgas, dinamarqueses, ingleses e escandinavos. 

Notamos que foram muito utilizados os materiais como cobre (tanto polido como oxidado), vidros com esfumatura parcial (apenas onde há a fonte luminosa), utilizo de tubos metálicos, papel tratado utilizado como difusores.

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Já na Via Tortona, achamos interessante a instalação luminosa feita pela Hyundai, chama Fluidic, onde as pessoas podem interagir com a instalação, movimentando a massa de luz produzida por lasers.

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Outro produto que nos chamou a atenção foi a lâmpada da Gispen, situada no SuperStudioPiù, na Via Tortona. O produto consiste em uma esfera dividia em duas partes onde cada parte pode ser controlada separadamente, podendo mudar de cor e dimerizar a luz.

A Melogranoblu também trouxe ao SuperstudioPiù uma instalação luminosa com a sua luminária difusa Drop.

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Saindo do burburinho da Via Tortona, porém não menos agitada, na Via Savona encontrava-se o pavilhão da Moooi, com suas novidades e uma belíssima cenografia para a sua nova coleção, você pode conferir um giro 360º pelo pavilhão no site www.moooi.com.

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Nos próximos posts, falaremos mais sobre os outros locais Fuorisalene e a feira Euroluce!

Até em breve!

Euroluce 2013: Preview

Faltando poucos dias para a feira bienal de iluminação, pipocam imagens e informações sobre produtos que serão apresentados.

Entrando no clima de posts anteriores, como a dica em o que está por vir: Most Salone e unido à tridimensionalidade discutida em luz e sombra no papel, eis que uma luminária chamou a minha atenção.

WALL SHADOW – Omikron

Reproduzindo o texto da empresa italiana:

a luminária é um projeto híbrido entre arte e design, que nasceu da pesquisa contínua sobre a tridimensionalidade de superfícies por Kalpakian. O sinal gráfico se transforma em uma textura que se ilumina através da tecnologia LED posicionada no interno dos vários elementos que compões o objeto, criando um verdadeiro quadro de sombras.

Complicado? Basta olhar as imagens para entender perfeitamente!

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imagem reproduzida do portal Lightingbit

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imagem reproduzida do portal Lightingbit

O idealizador, Charles Kalpakian, nascido no Líbano e de pouco mais de 30 anos, vem se destacando nos últimos anos no cenário internacional do design, como nas Design Week de Milão e Paris.

Charles Kalpakian merece ficar sob a nossa atenção!

MAIS

http://www.omikrondesign.com

http://www.lightingbit.com

Cor e luz: Peter Struycken

Hoje, véspera de Páscoa, vamos colocar um pouco de cor nos projetos!

O holandês Peter Struycken é conhecido pela sua intrínseca relação com a cor. Formado em Artes, Struycken trabalha com diferentes tipos de instalações artísticas, como pinturas, desenhos, tecidos, cinema, mídias digitais e design de espaços interiores e exteriores. Nestes últimos, muitas vezes usando o recurso do controle da luz pela informatização.

Peter Struycken

Peter Struycken

Em 1969 ele usou pela primeira vez um computador para uma obra de arte. Desde então, passou a ser elemento-chave de sua pesquisa sobre a visualização de estruturas. Lógica, precisão e variação são as diretrizes para o seu trabalho. Struycken cria uma estrutura base que serve para criar uma infinidade de formas, cores e processos.

‘Splash’ é o nome de um programa informático criado por Peter. Da apresentação, o artista acabou por explicar o seu pensamento:

“No curso dos últimos séculos, particularmente na Europa, as artes plásticas se desenvolveram através da esfera pessoal, estritamente individual. Antes de mais nada, as pessoas ainda buscam transmitir as suas emoções nela. (…) A arte pode ser comparada a um organismo vivo, a substância da qual pode ser definida, mas a essência que escapa de qualquer análise.”

No entanto, é verdadeira a percepção de que pinturas e esculturas se fazem notar primeiramente por significados visuais, estes dispostos pelo artista em uma determinada maneira, ainda muito intuitiva, revelando o seu temperamento quando em criação.

Alguns artistas, entretanto, mostram uma crescente tendência em banir o elemento pessoal da arte para determiná-la a partir de regras particulares. Tal arte estaria então em um patamar acima de preferências subjetivas ou conceitos como bonito ou feio; a obra torna-se o resultado de uma lógica, matemática e como tal, verdadeira.”

“Eu tenho procurado pelo significado elementar da expressão e formulei as minhas descobertas em um conjunto de proposições: a minha proposta é mostrar que forma e cor podem ser correlacionados matematicamente. E o resultado não é apenas a unidade completa mas a comprovação de que ela pode ser calculada. Esta fórmula pode ser de grande valia no planejamento urbano, arquitetônico e do design industrial.”

Splash é um programa que permite explorar a cor com uma série de condições logicamente formuladas. O seu caráter é formalista, sem conteúdo ou significado. O resultado da execução do programa o número de cores ou série de padrões de cores. A ideia é determinar a forma da mudança entre as cores, se gradual, se contrastante, pequena ou grande. A diferença entre as cores no seu padrão é muito mais importante que os padrões de cores em si. É este o objetivo do programa: indicar o tipo e o grau da variação, o que é bonito e o que é feio.

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Splash – cores em valores numéricos

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Splash – os valores numéricos em cores

Na iluminação arquitetural, ele usou estes instrumentos para executar o lighting design do Muziektheater em Amsterdam, assim como para o auditório da Faculdade de Beatrix, a Sala de Concerto de Tilburg e a colunata do Netherlands Architectuurinstituut (Instituto de Arquitetura) em Roterdam. Você pode conferir algumas fotos que mostram a dinamicidade do programa, que altera a cada 10 minutos as cores do espaço.

caminhando pelas colunas

caminhando pelas colunas

São 550 metros de colunas iluminados linearmente como linhas de tela, formando um imenso arco-íris. Com um sistema de engenharia simples – lâmpadas azuis, vermelhas e vermelhas – o computador comanda a variação da intensidade de cada uma, o famoso sistema RGB, transformando as 3 cores em infinitas opções.

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Uma feliz e colorida Páscoa a todos!

Fonte:

  • atariarchives.org
  • nl.wikipedia.org
  • mymodernmet.com

Fortuny 110 anos!

Quando um objeto de design se transforma em um ícone, ele simplesmente torna-se atemporal, sempre contemporâneo, e é exatamente isso que acontece com a maravilhosa luminária pedestal Fortuny, que hoje completa 110 anos!!

Elaborada no início do século passado, Mariano Fortuny era não somente um pintor mas sim uma pessoa multidisciplinar e soube desenvolver muitos talentos não só na pintura e na fotografia mas principalmente na moda e na iluminação. Ficou famoso em devido às suas criações em tecidos luxuosos e no modelo de vestido Delphos que ganha admiração ainda nos dias de hoje.

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Porém a sua obra que mais nos apaixona é a luminária Fortuny, onde naquela época pode estudar em como ter uma iluminação difusa e aconchegante. Hoje, patenteada pela Pallucco, possui diversas versões inclusive com o utilizo dos tecidos puro luxo da Fortuny na cúpula da luminária!

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Uma peça de design-desejo!

o que está por vir: Most Salone

Faltando pouquíssimo para mais uma edição da Feira Internacional do Móvel em Milão, e começam a pipocar as novidades que serão apresentadas em vários sites, blogs e portais do design. Você pode conferir a descrição dos Salões deste ano no site oficial, clicando aqui.

Este ano, assim como ocorre bienalmente, a Euroluce acompanhará a feira. O momento é de expor tudo o que está sendo desenvolvido no campo da iluminação, principalmente as luminárias que estarão disponíveis nos próximos meses. 

Muitas empresas aproveitam para lançar um número elevado de protótipos para entender o quanto agrada o público e só então partir para a produção em escala industrial. 

Paralelo aos stands da feira, Milão se enche de eventos e mostras, o famoso Fuori Salone. Aliás, para quem se encontrará em Milão durante a feira, recomendo e muito dar uma conferida na programação deste ano do Fuori Salone. A cidade transborda vida como nunca! 

Neste ano, Tom Dixon participa do Most Salone com uma série de luminárias que trata dois temas contrastantes: a ‘rugosidade’ e a ‘maciez’. Em parceria com a Adidas para a mostra, a equipe de Dixon promete uma experiência única no percurso do seu espaço.

 

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Onde?

Museo della Scienza e Tecnologia (vale a pena dar uma passada por lá em qualquer época do ano para ver o acervo de máquinas e manuscritos de Leonardo Da Vinci)

Quando?

Durante a Feira Internacional, de 09 a 14 de abril de 2013.

 

 

o criador e as criaturas: ACHILLE CASTIGLIONI

Dentre os principais nomes de designers e criadores de luminárias, um dos capítulos mais importantes foi – literalmente – desenhado por Achille Castiglioni.

Italiano, formado em Arquitetura no final da Segunda Guerra Mundial, começa a estudar e desenvolver novas tecnologias, materiais e formas para um processo completo de criação.

Juntamente com seus irmãos, Livio e Pier Giacomo, se dedica à experimentação nos produtos industriais. O período pós-guerra na Itália foi um celeiro para a fundação de diversas empresas, hoje consolidadas no mercado mundial, onde a produção em série aliada com o design e a busca de novos materiais fervilhavam pelo país. Apesar da destruição e através dela, uma população inteira aprendeu a se reerguer com estilo.

Mas voltando ao nosso criador, o estúdio dos irmão Castiglioni renderam peças icônicas e até hoje, atuais na sua forma e material. Achille foi professor das principais faculdades de Arquitetura e Desenho Industrial, além de ter curado exposições nos principais espaços de Milão.

Sobre os produtos criados, uma breve lista dos nove prêmios obtidos no Compaso d’Oro (título de referência mundial na competência do design) ao longo de sua carreira:

  • Compasso d’Oro 1955 – luminária Luminator
  • Compasso d’Oro 1960 – cadeira sedia T 12 Palini
  • Compasso d’Oro 1962 – máquina de café Pitagora
  • Compasso d’Oro 1964 – naja de cerveja Spinamatic
  • Compasso d’Oro 1967 – fones de ouvido para tradução simultânea
  • Compasso d’Oro 1979 – luminária Parentesi
  • Compasso d’Oro 1979 – leito hospitalar Omsa
  • Compasso d’Oro 1984 – talheres Dry
  • Compasso d’Oro 1989 – menção especial à profissão dedicada ao design

Para conferir toda a sua carreira, vale a pena conferir o seu site, clicando aqui.

Hoje, me detenho às luminárias criadas por este gênio do século XX:

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TACCIA – 1958

Luminária de mesa, projetada por Achille e Pier Giacomo Castiglioni, produzida a partir de 1962 pela Flos.

Uma luminária de dimensões consideráveis, a Taccia tem na sua base a lâmpada escondida para não ofuscar diretamente o usuário. A luz refletida por uma cúpola branca opaca, convexa do lado onde os raios luminosos surgem, é sustentada por uma parábola transparente em vidro apoiada sobre o suporte. Sendo simplesmente apoiada, essa estrutura pode ser movida, dirigindo a luz refletida na direção preferida. O próprio peso e forma da luminária dá esta flexibilidade sem a necessidade de fixação mecânica. A base, em metal cromado perfurado nas extremidades, contém a lâmpada – 100W conforme projeto original. O projeto foi apresentado em Chicago, Illinois.

 

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GATTO e GATTO PICCOLO – 1960 e 1962

Luminárias de mesa, criadas por Achille e Pier Giacomo Castiglioni, sendo reeditada em 2005 e produzida por Heisenkeil e Flos.

Os irmãos Castiglioni experimentam nestes produtos um material patenteado pela empresa Heisenkeil de Merano, Itália (utilizado também pela Flos), explorando as possilidades de expressão de uma fibra sintética formada por polímeros plásticos. Este material conhecido como Cocoon, utilizado originalmente pelas forças americanas para preservar armas bélicas em desuso tinha sido utlizado na década anterior, anos 50, por George Nelson para luminárias onde a estrutura era evidenciada, enquanto que nos modelos Gatto a forma dos difusores é gerada pela disposição da fibra que se apoia na estrutura metálica com acabamento em laca branca. A fibra borrifada na estrutura gerou um volume bastante insólito como resultado, objetivo pretendido pelos projetistas mas que teria sido praticamente impossível de desenhar na época sem a experimentação prática do material em laboratório.

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ARCO – 1962

Luminária de piso, projeto de Achille e Pier Giacomo Castiglioni, produzido pela Flos. Um dos maiores ícones, a luminária emite luz direta, dispensando a necessidade de outra fonte de luz sobre uma mesa além de não exigir um ponto elétrico no teto. A base da luminária é um paralelepípedo em mármore – branco ou preto – de cerca de 65kg. As quinas da base são suavizadas e um furo no seu baricentro serve para auxiliar na fixação da estrutura vertical assim como facilitar a sua movimentação. A haste em arco é composta por três setores em perfis de aço inoxidável com seção U, permitindo que uma parte deslize dentro da outra. Além da estrutura esconder a passagem da fiação elétrica, permite a regulagem em 3 alturas diferentes. A cúpola é composta por duas peças: uma fixa à estrutura perfurada – para facilitar o resfriamento do porta lâmpada, e outra sendo um anel em alumínio, apoiada à primeira e por isso ficando sempre na posição correta, independente da altura escolhida.

A distância máxima, em projeção horizontal, do refletor à base é de dois metros e a altura máxima de dois metros e meio.

Ao longo das décadas em que foi produzida – 60 aos dias de hoje – a luminária sofreu apenas uma alteração do seu projeto original: o sistema elétrico foi revisto para cumprir as normas vigentes.

Foram vendidos milhares de unidades, igualmente repartidas entre Italia e mercado exterior. E por este sucesso, sofreu inúmeras cópias de outras empresas. Em 2007 a Justiça reconheceu a tutela do direito de propriedade, como acontece com obras renomadas de arte, também a um objeto de design.

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SNOOPY – 1967

Luminária de mesa, desenhada por Achille e Pier Giacomo Castiglioni. Produção pela Flos em 1967 e relançamento em 2003.

Luminária de mesa com emissão luminosa direta e intensidade variável. Composta por uma base cilíndrica em mármore (como a Arco), oblíqua em relação à superfície de apoio,  e um disco em cristal transparente bastante espesso, perfurado e pensado para sustentar um refletor leve em alumínio com 3 furos superiores para o esfriamento interno da luminária, a luminária não parece ser muito equilibrada à primeira vista, mas na verdade é muito estável como estrutura devido à correta distribuição do peso da base em mármore. O dimmer que regula a intensidade luminosa do produto se encontra nesta base.

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PARENTESI – 1970

Luminária “sobe e desce”, desenhada por Achille Castiglioni e Pio Manzù, fabricada pela Flos.

O projeto da Parentesi, uma luminária orientável com deslizamento vertical, ganha vida com um croqui de Pio Manzù pouco antes de sua morte, onde um cilindro com uma fissura por onde a luz escorria sobre uma haste e se fixava com um parafuso. Castiglioni então substitui a haste por um fio metálico, deixando uma fração dela com um desvio que faz o atrito suficiente para a estrutura não deslizar pelo fio e assim não necessitar de nenhum parafuso. Parentesi é uma luminária tão simples na sua ideia, que pode ser resumida como um cabo de aço, preso por um peso no chão e um gancho no teto, no qual um soquete fixado em uma haste ‘não reta’ pode ser orientado conforme o desejo do usuário. Esta haste, pela sua forma, deu o nome à luminária. Para movê-la, basta tensionar com as mãos o fio metálico e escolher a altura desejada.

A primeira embalagem foi idealizada por Achille. Em um kit, eram colocados todos os elementos componentes da luminária.

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GIOVI – 1982

Arandela, luminária de parede criada por Achille Castiglione. Produção da Flos.

A luminária Giovi reflete sobre a parede uma luz indireta em raios. Sobre a base de fixação à parede, uma espécie de gaiola cilíndrica constituída por 24 hastes é instalada, como suporte ao porta lâmpada, mantendo uma distância pretendida entre lâmpada  e parede. O fechamento metálico em metade da luminária sustenta o refletor e ao mesmo tempo impede o ofuscamento.

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TARAXACUM 88 – 1988

Luminária suspensa ou aplicada no teto e/ou parede. Desenhada por Achille Castiglioni e produzida pela Flos.

Esta luminária nasceu para ser uma substituição moderna dos clássicos chandeliers: a interação e repetição de um módulo base serviu de inspiração para a sua criação. Triângulos equiláteros em alumínio brilhoso, presos uns aos outros, obtém um volume próximo à esfera: o icosaedro (composto por 20 faces). A estrutura portante para fixar as lâmpadas suporta por módulo de 3 a 10 unidades (bulbo transparente com o filamento visível, de 25 a 40W cada), se torna quase que invisível, ligada ou desligada.

O maior dos modelos da Taraxacum tem 200 lâmpadas incandescentes na sua estrutura.

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FUCSIA – 1996

Luminária suspensa, desenhada por Achille Castiglioni e parte do catálogo da Flos.

A ideia nasceu para resolver a questão de iluminar uniformemente, de maneira difusa e direta vários planos de diferentes dimensões.

O corpo da luminária apresenta no desenho a característica de poder ser usada sigularmente ou em composições múltiplas. O módulo é formado pelo porta lâmpada cilíndrico em metal. A lâmpada é protegida por um cone em vidro soprado transparente com a borda inferior acetinada para evitar o ofuscamente do usuário. Na base do cone um anel em silicone protege a luminária contra choques.

Quando em composição, uma estrutura em braços fixada no teto facilitam a instalação, dando o passo da modularidade do sistema e auxiliando nas conexões elétricas. O acendimento pode ser determinado de acordo com a necessidade do projeto, múltiplo, único ou com dimmer.

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DIABOLO – 1998
Luminária projetada por Achille Castiglioni e fabricada no mesmo ano pela Flos.
O corpo da luminária é em alumínio envernizado com sistema de regulagem -sobe-desce- escondido dentro de um cone, fixado no teto de onde através de uma ponta arredondada sai o conector elétrico que alimenta a lâmpada e sustenta o difusor em forma de outro cone.
A distância entres estes dois cones é variável, o que dá uma flexibilidade sobre os efeitos de luz, gerando novas percepções entre os volumes.

A luz e o cinema

Outro assunto que nos fascina é o cinema! Nada mais lógico falar de luz e falar de cinema.

E que papel a luz desempenha na sétima arte?

Como na fotografia e na pintura, a matéria-prima que materializa as imagens e as idéias é a luz. A câmera é apenas o meio de conexão entre esses elementos sobre a luz e a emoção do espectador.

As imagens estruturam um filme, são elas que traduzem, de uma forma não textual, o modo de enxergar a história a ser contada. Porém não podemos esquecer que no cinema não são as imagens que fazem um filme e sim a alma delas.

E o que dá sentido a essas imagens se não a luz? É função dela criar ambientes, cenas, contrastes, mostrar o que deve ser destacado e esconder o que deve ser mistério, é ela que traz ao espectador algo que vai além do visível – a dramaticidade.

No Cinema Noir, movimento que surgiu entre as décadas de 40 e 50 em que se narravam histórias geralmente policiais, o utilizo intenso de contraste entre escuro e claro eram predominantes para dar ênfase na dramaticidade da história.

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Já no Cinema contemporâneo a luz serve para dar realidade às cenas e ambientes.  Porém ela não serve apenas para registar a imagem e sim para inserir a mensagem que está por trás daquela imagem, a luz é muitas vezes a identidade visual de um filme, é a poesia. Nos filmes atuais há toda uma equipe envolvida na Fotografia do filme, onde se estudam todos esses aspetos como enquadramento, foco e luz nas cenas.

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Hoje a iluminação no cinema aparece muito mais sutil aos nossos olhos, porém muito mais poderosa no seu efeito subjetivo que nos faz entender e nos emocionar com essa arte que é o cinema!

Março!

Começando não apenas mais uma semana como também um novo mês!

Para inspirar, achamos bacana a coleção “Shapes of Cities” do artista Yoni Alter em que ele ilustra as principais cidades do mundo com uma cartela de cores que se adicionam quando interseccionadas!

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Os principais edifícios dessas cidades são identificados com uma cor conforme a sua altura, assim podem ser comparados com os edifícios das outras cidades!

Março, seja bem-vindo!

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luz e sombra no papel.

Batendo sempre na mesma tecla, a LUZ é a responsável por nos dar a terceira dimensão. Deixar tudo visível e volumétrico através do contraste de luz e sombra.

Volumétrico = 3D = 3 dimensões = largura x comprimento x profundidade (altura)

Pois bem, a luz na arte é o que dá a sensação de transformar um material bidimensional em tridimensional. Quem é estudioso do tema, sabe que a evolução histórica da pintura está estritamente ligada ao domínio da reprodução e da capacidade em dar volumetria e destaque através do contraste de claro-escuro.

Nos tempos de hoje, um ilustrador mostra a sua sensibilidade sobre o papel. Através de jogos de sombra (e lembremos que sem a luz isso não aconteceria), ele transforma o material nos fazendo esquecer das limitações bidimensionais do materiais e criando sensações volumétricas.

Eiko Ojala.

A dinamicidade dada ao papel através dos traços curvos, os diferentes planos e sombras são as características do talento deste ilustrador. De Tallin, Estônia, ele foi nominado no “Young Illustrators Award”.

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A estranha figura do lighting designer

Hoje o assunto é teórico.

Quem é o lighting designer?

Antes de mais nada, para usar alguma coisa, seja um serviço ou objeto, devemos entender a real necessidade e o objetivo ao qual chegaremos através dele.Nos últimos anos temos acompanhado um crescente interesse de todos na Arquitetura. Isso se concretiza ao ver que todo mundo está querendo um conforto maior no seu dia-a-dia, seja em casa como no trabalho. Este fator determina o que podemos definir como as diversas “especializações” que apareceram.

Antes, uma obra funcionava como uma fórmula simples:

ARQUITETO (X) + ENGENHEIRO (Y) + MAO-DE-OBRA (Z) = PROJETO EDIFICADO

Hoje a fórmula continua a mesma, porém podemos dizer que dentro de cada item existem diversos profissionais:

X = Arquiteto + Arquiteto de Interiores + Decorador + Comunicação Visual + Lighting Designer

Y = Engenheiro Civil, Engenheiro Elétrico, Engenheiro Hidrossanitário, Lógica e Sistemas

Z = pedreiro, hidráulico, eletricista, gesseiro, colocador de pisos, colocador de revestimentos nas paredes (azulejo, papel de parede), pintor, colocador de acabamentos (rodapés, luminárias, marceneiro, etc)

E para fazer a conexão entre X, Y e Z, existe o gerenciador de projetos, elemento D e o gerenciador de obras (E).Ou seja, para sermos mais exatos, a fórmula de hoje passaria a ser um emaranhado como este:

[D*(X+Y)] + (E*Z)= PROJETO EDIFICADO

A terceirização e a especialização das áreas estão diretamente ligadas às exigências do cliente. Cada vez mais consciente do que ele deseja, a necessidade de serviços específicos aumenta exponencialmente. E dali, da setorização destes, vem a maior dificuldade de entender a interrelação de todos estes serviços. O que geralmente acontece é a confusão de que uma área sobrepõe a outra, gerando uma falsa e inexistente “concorrência”.

É o caso do Lighting Designer.

Uma profissão considerada “nova” porque até pouco tempo era desconhecida, e que vem ganhando muito espaço e curiosidade graças aos apagões e avanços tecnológicos, como o LED.

Então, afinal, para que serve um lighting designer?

Ao programar um novo projeto, seja arquitetônico ou de interiores, se deveria fazer entre as perguntas fundamentais do programa de necessidades, uma em particular: como será a iluminação deste projeto? Uma “boa” iluminação é importante para ele?

Todo e qualquer espaço a ser projetado TAMBÉM deverá ser iluminado.

A questão principal sobre o tema é que a luz é um meio tecnicamente difícil e extremamente surpreendente, exigindo o domínio de diversas disciplinas que estão em contínua evolução. Como já escrevemos em alguns posts anteriores, a matéria LUZ ainda não foi 100% decifrada pelo homem, mesmo estando no século XXI e tendo todos os recursos tecnológicos para desvendar este mistério.

Um projeto de iluminação além da base teórica – programa de necessidades, adaptação das exigências arquitetônicas, consideração das atividades exercidas e materiais para fins de cálculos luminotécnicos, decisão da tecnologia e tipologia de sistema elétrico, luminárias, lâmpadas e acessórios – deve considerar o fator humano e ambiental, assim como um projeto arquitetônico.

Falando sobre o fator humano, o maior problema é que cada indivíduo tem uma reação diferente com a luz. Alguns gostam de muita luz, outros de uma iluminação tênue. Mas, o que é muito? O que é pouco?

A iluminação, antes de mais nada é subjetiva.

Existem parâmetros que garantem a ergonomia da luz, o conforto e quantidade “recomendadas”. Assim como a ergonomia dos móveis depende da condição física do usuário – estatura, limitações, etc – para a iluminação a variação também é grande. E assim como para o desenho dos móveis, para a melhor iluminação precisamos ter profissionais especializados.

Além do fator “físico” do usuário, a iluminação também deve ter em conta os fatores psicológico e fisiológico do cliente. Distúrbios de sono, hiperatividade, concentração e fotosensibilidade são alguns elementos a serem considerados em um projeto de iluminação.

Um lighting designer entende que não só de lux, watts e grau Kelvin se executa um bom projeto.

O ambiente é outro personagem importantíssimo, essencial. Completa a tríade da iluminação: usuário – espaço construído – ambiente.

Considerar a reação da luminosidade natural, já por si um elemento imprevisível por uma série de questões como a posição da Terra em relação ao Sol, o movimento deste, a nebulosidade do céu, poluição do ar, entorno edificado, para complementarmos com a iluminação artificial, garantindo a iluminação ideal em todas as horas do dia ao longo de todo ano, é uma tarefa árdua se somarmos também a reflexão. A luz como princípio se torna visível quando é refletida. Para ser refletida ela necessita de um material. E para cada tipo de material, o efeito da reflexão é diferente. E todo o material sofre algum tipo de deterioração com o passar do tempo, o que interfere diretamente na reflexão e por consequência, na iluminação.

Ou seja, pensar em iluminar um espaço comporta muitas condicionantes variáveis.

É por isso que hoje, com tantos meios tecnológicos, o conhecimento da técnica e da teoria deve ser obrigatório para trabalhar com a iluminação.

E nem todo o conhecimento nos livra de alguma interpretação errônea de dados que podem acarretar em um efeito luminoso inesperado. Porém, assim como qualquer outro profissional, ter o conhecimento sobre o assunto faz diminuir a chance disto.

Quando um lighting designer deve ser contratado?

O melhor a dizer seria SEMPRE. Não necessariamente para um projeto de iluminação. Vale a consultoria, um esclarecimento aplicado mesmo que em pequena escala, em detalhes.

O lighting designer trabalha em equipe.

Para o arquiteto, o lighting designer deve estar pronto a ajudar, a melhorar, a agregar valor ao projeto arquitetônico.

Para o engenheiro elétrico, o lighting designer auxilia no cálculo de cargas necessárias para a iluminação. Um projeto de iluminação eficiente pode comportar uma redução de potência instalada em 40%, se compararmos um sistema elétrico tradicional. Basta ter o conhecimento das atividades para calcular de maneira eficiente a carga total da iluminação.

Em fases de projeto, o lighting designer pode colaborar paralelamente com os demais profissionais. Participando em todas as fases, poderão ser analisadas as possibilidades de iluminação e chegar a um melhor rendimento custo x benefício x resultado.

Para o cliente privado, o lighting designer poderá aconselhar os melhores efeitos para o conforto e a obtenção de uma maior qualidade de vida.

Uma iluminação eficiente agrega valor ao projeto, ao espaço, aos materiais, às atividades exercidas.

O contratante e o responsável do projeto podem não ter consciência das vantagens que acarretam servir-se de uma consultoria luminotécnica externa, consideradas as modernas modalidades de projetação e construção.

Por exemplo: Que diferença existe entre a consultoria dada por um profissional da iluminação daquela fornecida por um engenheiro elétrico ou por um arquiteto de interiores? O engenheiro elétrico projeta a iluminação porque faz parte do sistema elétrico, e o arquiteto de interiores escolhe as luminárias conforme o estilo dos móveis. Certo? E portanto, o que tem mudado tanto para necessitar de um profissional especializado em iluminação?

Mais uma tríade para a iluminação: tecnologia + técnica + formação.

Tecnologia.

Os produtos da área de iluminação sofrem constantes aprimoramentos: luminárias, lâmpadas e acessórios evoluem rapidamente. A cada ano aparecem no mercado centenas de novos produtos.

O lighting designer deve estar a par de todas as novas informações para então oferecer as soluções projetuais mais apropriadas. Para isso, faz parte a contínua visitação em feiras e seminários do setor, examinar as novidades, manter-se informado para ter certeza de que a tecnologia a ser escolhida responderá como o desejado. Não faz parte do papel do lighting designer vender ou instalar produtos.

O bom profissional se preocupa com a pesquisa e com a honestidade do produto que está propondo, sem conflitos de interesse. 

Técnica.

A luz é um parceiro efêmero da Arquitetura. Intocável mas visível. E é justamente o controle sobre este meio transitório que dá ao artista da luz a capacidade de criar hierarquias, dinâmicas, contrastes e estados de espírito. A iluminação é na verdade a extensão criativa da projetação arquitetônica, ressaltando a visibilidade, integrando formas, finalidade, cores e volumetrias.

Formação.

O conhecimento de assuntos como a física, a ótica, a eletricidade, a ergonomia, as normas e recomendações, os problemas ambientais, a edificação, a visão e a arte da projetação são essenciais para idealizar soluções de iluminação adequadas.

Os profissionais da iluminação devem ter um vasto dominio do assunto e ter um contínuo aperfeiçoamento profissional para poder fornecer o melhor serviço possível. Para realizar isto, devem manter um constante relacionamento com os colegas, ler revistas especializadas, participar de seminários como espectador ou também como relatores. Este tipo de interação, de troca (além de uma concorrência saudável), favorece a profissão no todo.

O arquiteto é o instrumento que dá volumes, formas e cores aos desejos dos clientes.

O lighting designer é aquele que transforma os desejos em sensações visuais.