A estranha figura do lighting designer

Hoje o assunto é teórico.

Quem é o lighting designer?

Antes de mais nada, para usar alguma coisa, seja um serviço ou objeto, devemos entender a real necessidade e o objetivo ao qual chegaremos através dele.Nos últimos anos temos acompanhado um crescente interesse de todos na Arquitetura. Isso se concretiza ao ver que todo mundo está querendo um conforto maior no seu dia-a-dia, seja em casa como no trabalho. Este fator determina o que podemos definir como as diversas “especializações” que apareceram.

Antes, uma obra funcionava como uma fórmula simples:

ARQUITETO (X) + ENGENHEIRO (Y) + MAO-DE-OBRA (Z) = PROJETO EDIFICADO

Hoje a fórmula continua a mesma, porém podemos dizer que dentro de cada item existem diversos profissionais:

X = Arquiteto + Arquiteto de Interiores + Decorador + Comunicação Visual + Lighting Designer

Y = Engenheiro Civil, Engenheiro Elétrico, Engenheiro Hidrossanitário, Lógica e Sistemas

Z = pedreiro, hidráulico, eletricista, gesseiro, colocador de pisos, colocador de revestimentos nas paredes (azulejo, papel de parede), pintor, colocador de acabamentos (rodapés, luminárias, marceneiro, etc)

E para fazer a conexão entre X, Y e Z, existe o gerenciador de projetos, elemento D e o gerenciador de obras (E).Ou seja, para sermos mais exatos, a fórmula de hoje passaria a ser um emaranhado como este:

[D*(X+Y)] + (E*Z)= PROJETO EDIFICADO

A terceirização e a especialização das áreas estão diretamente ligadas às exigências do cliente. Cada vez mais consciente do que ele deseja, a necessidade de serviços específicos aumenta exponencialmente. E dali, da setorização destes, vem a maior dificuldade de entender a interrelação de todos estes serviços. O que geralmente acontece é a confusão de que uma área sobrepõe a outra, gerando uma falsa e inexistente “concorrência”.

É o caso do Lighting Designer.

Uma profissão considerada “nova” porque até pouco tempo era desconhecida, e que vem ganhando muito espaço e curiosidade graças aos apagões e avanços tecnológicos, como o LED.

Então, afinal, para que serve um lighting designer?

Ao programar um novo projeto, seja arquitetônico ou de interiores, se deveria fazer entre as perguntas fundamentais do programa de necessidades, uma em particular: como será a iluminação deste projeto? Uma “boa” iluminação é importante para ele?

Todo e qualquer espaço a ser projetado TAMBÉM deverá ser iluminado.

A questão principal sobre o tema é que a luz é um meio tecnicamente difícil e extremamente surpreendente, exigindo o domínio de diversas disciplinas que estão em contínua evolução. Como já escrevemos em alguns posts anteriores, a matéria LUZ ainda não foi 100% decifrada pelo homem, mesmo estando no século XXI e tendo todos os recursos tecnológicos para desvendar este mistério.

Um projeto de iluminação além da base teórica – programa de necessidades, adaptação das exigências arquitetônicas, consideração das atividades exercidas e materiais para fins de cálculos luminotécnicos, decisão da tecnologia e tipologia de sistema elétrico, luminárias, lâmpadas e acessórios – deve considerar o fator humano e ambiental, assim como um projeto arquitetônico.

Falando sobre o fator humano, o maior problema é que cada indivíduo tem uma reação diferente com a luz. Alguns gostam de muita luz, outros de uma iluminação tênue. Mas, o que é muito? O que é pouco?

A iluminação, antes de mais nada é subjetiva.

Existem parâmetros que garantem a ergonomia da luz, o conforto e quantidade “recomendadas”. Assim como a ergonomia dos móveis depende da condição física do usuário – estatura, limitações, etc – para a iluminação a variação também é grande. E assim como para o desenho dos móveis, para a melhor iluminação precisamos ter profissionais especializados.

Além do fator “físico” do usuário, a iluminação também deve ter em conta os fatores psicológico e fisiológico do cliente. Distúrbios de sono, hiperatividade, concentração e fotosensibilidade são alguns elementos a serem considerados em um projeto de iluminação.

Um lighting designer entende que não só de lux, watts e grau Kelvin se executa um bom projeto.

O ambiente é outro personagem importantíssimo, essencial. Completa a tríade da iluminação: usuário – espaço construído – ambiente.

Considerar a reação da luminosidade natural, já por si um elemento imprevisível por uma série de questões como a posição da Terra em relação ao Sol, o movimento deste, a nebulosidade do céu, poluição do ar, entorno edificado, para complementarmos com a iluminação artificial, garantindo a iluminação ideal em todas as horas do dia ao longo de todo ano, é uma tarefa árdua se somarmos também a reflexão. A luz como princípio se torna visível quando é refletida. Para ser refletida ela necessita de um material. E para cada tipo de material, o efeito da reflexão é diferente. E todo o material sofre algum tipo de deterioração com o passar do tempo, o que interfere diretamente na reflexão e por consequência, na iluminação.

Ou seja, pensar em iluminar um espaço comporta muitas condicionantes variáveis.

É por isso que hoje, com tantos meios tecnológicos, o conhecimento da técnica e da teoria deve ser obrigatório para trabalhar com a iluminação.

E nem todo o conhecimento nos livra de alguma interpretação errônea de dados que podem acarretar em um efeito luminoso inesperado. Porém, assim como qualquer outro profissional, ter o conhecimento sobre o assunto faz diminuir a chance disto.

Quando um lighting designer deve ser contratado?

O melhor a dizer seria SEMPRE. Não necessariamente para um projeto de iluminação. Vale a consultoria, um esclarecimento aplicado mesmo que em pequena escala, em detalhes.

O lighting designer trabalha em equipe.

Para o arquiteto, o lighting designer deve estar pronto a ajudar, a melhorar, a agregar valor ao projeto arquitetônico.

Para o engenheiro elétrico, o lighting designer auxilia no cálculo de cargas necessárias para a iluminação. Um projeto de iluminação eficiente pode comportar uma redução de potência instalada em 40%, se compararmos um sistema elétrico tradicional. Basta ter o conhecimento das atividades para calcular de maneira eficiente a carga total da iluminação.

Em fases de projeto, o lighting designer pode colaborar paralelamente com os demais profissionais. Participando em todas as fases, poderão ser analisadas as possibilidades de iluminação e chegar a um melhor rendimento custo x benefício x resultado.

Para o cliente privado, o lighting designer poderá aconselhar os melhores efeitos para o conforto e a obtenção de uma maior qualidade de vida.

Uma iluminação eficiente agrega valor ao projeto, ao espaço, aos materiais, às atividades exercidas.

O contratante e o responsável do projeto podem não ter consciência das vantagens que acarretam servir-se de uma consultoria luminotécnica externa, consideradas as modernas modalidades de projetação e construção.

Por exemplo: Que diferença existe entre a consultoria dada por um profissional da iluminação daquela fornecida por um engenheiro elétrico ou por um arquiteto de interiores? O engenheiro elétrico projeta a iluminação porque faz parte do sistema elétrico, e o arquiteto de interiores escolhe as luminárias conforme o estilo dos móveis. Certo? E portanto, o que tem mudado tanto para necessitar de um profissional especializado em iluminação?

Mais uma tríade para a iluminação: tecnologia + técnica + formação.

Tecnologia.

Os produtos da área de iluminação sofrem constantes aprimoramentos: luminárias, lâmpadas e acessórios evoluem rapidamente. A cada ano aparecem no mercado centenas de novos produtos.

O lighting designer deve estar a par de todas as novas informações para então oferecer as soluções projetuais mais apropriadas. Para isso, faz parte a contínua visitação em feiras e seminários do setor, examinar as novidades, manter-se informado para ter certeza de que a tecnologia a ser escolhida responderá como o desejado. Não faz parte do papel do lighting designer vender ou instalar produtos.

O bom profissional se preocupa com a pesquisa e com a honestidade do produto que está propondo, sem conflitos de interesse. 

Técnica.

A luz é um parceiro efêmero da Arquitetura. Intocável mas visível. E é justamente o controle sobre este meio transitório que dá ao artista da luz a capacidade de criar hierarquias, dinâmicas, contrastes e estados de espírito. A iluminação é na verdade a extensão criativa da projetação arquitetônica, ressaltando a visibilidade, integrando formas, finalidade, cores e volumetrias.

Formação.

O conhecimento de assuntos como a física, a ótica, a eletricidade, a ergonomia, as normas e recomendações, os problemas ambientais, a edificação, a visão e a arte da projetação são essenciais para idealizar soluções de iluminação adequadas.

Os profissionais da iluminação devem ter um vasto dominio do assunto e ter um contínuo aperfeiçoamento profissional para poder fornecer o melhor serviço possível. Para realizar isto, devem manter um constante relacionamento com os colegas, ler revistas especializadas, participar de seminários como espectador ou também como relatores. Este tipo de interação, de troca (além de uma concorrência saudável), favorece a profissão no todo.

O arquiteto é o instrumento que dá volumes, formas e cores aos desejos dos clientes.

O lighting designer é aquele que transforma os desejos em sensações visuais.

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