A luz no trabalho. Ergonomia

O post de hoje quer trazer uma “luz” para a importância de uma iluminação adequada no ambiente de trabalho. Para cada atividade que se faça, existem maneiras ‘mais coerentes’ de iluminar. Hoje começo com o exemplo da iluminação no trabalho – considerando uma pessoa que permanece na frente de um computador – por ser aquela em que empregamos mais tempo diariamente, mínimo 8 horas.

Esqueça a idéia de uma só luminária central no escritório, de “luz fria”*.

anos 80: a clássica iluminação com fluorescente linear e nada mais.

Assim como o espaço construído e o design de interiores têm suas respectivas proporções que fazem ser mais ou menos confortáveis ao ser humano, a luz também merece um pouco de atenção. E daí entramos no fator Ergonomia**. O termo foi utilizado pela primeira vez somente em 1857. Definitivamente, a Ergonomia é um assunto moderno. A questão é que sempre foi focada para a produtividade no trabalho tendo como beneficiário maior o sistema.

Agora, vamos esquecer a cadeia de produção e pensar no conforto de quem trabalha.

exemplo de um cálculo luminotécnico, considerando a área de trabalho com luminárias específicas.

Existem normas que sugerem os níveis de iluminação mínimo, médio e máximo que respeitam a acuidade visual exigida por cada atividade, conferidas por um técnico superior de seguranção já que é vista como um risco físico ao trabalhador pelo setor de Higiene e Segurançao do Trabalho. Estima-se uma redução de 30 a 60% na ocorrência de erros de trabalho, além de diminuição do cansaço visual, que muitas vezes é o motivador de dores de cabeça, náuseas, dores de pescoço e nos casos mais críticos, insônia.

liga ou desliga: um só ponto para todo o espaço = luz insuficiente e nada ergonômica

Se você reparar, nos últimos anos o mobiliário de escritório tem se aproximado mais em design e material do ambiente residencial.

Assim como a flexibilidade dos móveis, a iluminação ganhou muitas opções.

2 em 1. flexibilidade em uma só luminária: uma lâmpada focada na escrivaninha e a outra nos complementos da sala

O que antes era uma iluminação massificada fornecida por apenas um tipo de luminária, e muitas vezes com um só interruptor para ligar e desligar, começou a ter uma flexibilidade quando, no momento da previsão dos circuitos e comandos elétricos, se começou a separar as filas de luminárias com vários acendimentos. Assim, aquelas que se encontravam próximas às janelas poderiam permanecer desligadas quando a luz solar fazia a sua parte.

Do acendimento separado, como consequência, veio a consciência da economia na conta da energia elétrica no final do mês.

Na década de 90 se intensificou a pesquisa e desenvolvimento nos reatores para oferecer uma maior flexibilidadena iluminação: a lâmpada não precisava mais ter o comando de liga e desliga. Ela poderia ter a sua intensidade controlada.

Mais um tempo depois e esse controle passou a considerar a contribuição da luz natural. Afinal, era burrice colocar cortinas em todas as janelas, desperdiçando uma fonte gratuita de luz (sem dizer que sem comparação em termos de qualidade), porque a iluminação artificial era muito forte.

aproveitar a luz natural é fundamental: claro com a possibilidade de controlar a quantidade de luz que entra no ambiente, através de cortinas.

Uma iluminação eficiente no trabalho é uma iluminação inteligente, que acompanha o nosso ritmo e o passar do tempo – dia e noite. As normas existentes recomendam uma iluminância média no plano de trabalho, ou seja, sobre a escrivaninha, de 500 lux. Nesse momento não entrarei no mérito do valor específico, temos apenas que tomar como parâmetro geral. Como iluminância média em todo o espaço, é recomendável um déficit de 30%, o que resultaria em cerca de 350lux médios. Essa diferença entre as iluminâncias é importante porque aborda a questão do contraste. Assunto já tratado aqui.

Luminária da Artemide, que considera as diferentes nuances da luz branca, acompanhando a mudança da luz solar ao longo do dia.

Eu considero a forma mais inteligente do momento a iluminação combinada: luz geral, responsável pelos 70% finais com sistema de regulação baseado na luz natural, com a integração de uma luminária concentrada para cada escrivaninha – seja de apoio na mesa ou de piso – que forneça os 30% restantes sobre o plano de trabalho. Assim, quem tem menos necessidade de luz pode trabalhar confortavelmente satisfeito com a sua luminária ‘pessoal’, enquanto quem precisa de maior claridade liga a sua.

Além de inteligente, esse sistema é democrático.

iluminação mais do que plural: natural, perimetral e focada na escrivaninha, sempre com estilo.

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* Até hoje existe o pré-conceito de relacionar erroneamente a fluorescente linear com a luz azul. O tom azulado emitido pela lâmpada se dá porque logo no início da sua produção, como já mencionei no post  24h ligado ela tinha maior eficiência energética com a temperatura de cor maior que 4000K. Mas convenhamos, muitas décadas já se passaram e está na hora de cair esse mito.

** Do dicionário se descobre a sua origem: do grego Ergon (trabalho) e Nomos (lei natural), em uma só palavra se resume a disciplina que aborda a avaliação de todos os aspectos humanos. Cientificamente falando, é a compreensão das interações entre as pessoas e outros elementos de um sistema.  Como profissão, é a aplicação da teoria para otimizar o bem-estar humano e o desempenho geral das interrelações.

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fontes:

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