Olafur Eliasson e a importância do sol

Não é a toa que no primeiro post eu mencionei a frase da Bíblia FIAT LUX! (e que se faça a luz!).

Sem entrar em méritos religiosos, a luz solar está intrinsecamente ligada ao nosso organismo. Não é só uma questão psicológica, o sol ativa os nossos hormônios – melatonina e serotonina – e regula o nosso ciclo circadiano, que nos fazem ter sono durante a noite e despertar de manhã com a luz do sol. Esse ciclo também pode ser alterado com a luz artificial. E aqui está a verdadeira importância de um projeto luminotécnico bem realizado: a qualidade do sono.

Mas tem outros fatores que só a luz do sol pode nos fornecer: a absorção da vitamina D que fortalece o nosso sistema através da radiação UVB. Estudos afirmam que a produção da vitamina deve ser potencializada em países onde a incidência solar é menor com apenas meia hora ao dia, rosto e braços expostos SEM proteção solar. O protetor solar nesse sentido, acaba bloqueando tanto raios UVA como o UVB. Então, já que o ideal é ter nessa meia hora a pele totalmente “desprotegida”, temos que usar a consciência para a exposição nos horários corretos. Nada de se colocar ao meio-dia embaixo do sol. Mesmo no inverno ele queima.

Há alguns anos atrás, Olafur Eliasson, um lighting designer dinamarquês – que estará expondo sua obra na Bienal de SP este ano – realizou uma instalação no Tate Modern em Londres.

Todo mundo sabe que Londres é conhecida como a cidade da neblina, onde pouco se vê o sol, durante todo o ano.

A ideia dele foi justamente transportar o sol, que quase não tem lá, para dentro do edifício. A instalação “The Weather Project” foi um experimento atmosférico com os londrinos: um sol que não se põe nunca durante todo o inverno. Utilizando toda a sala das turbinas, da antiga central elétrica onde hoje se encontra o museu, comprida 155 metros e larga 23 metros, Olafur Eliasson montou um sol artificial com 200 lâmpadas a vapor de sódio atrás de uma semi-esfera translúcida. O teto foi todo revestido por lâminas espelhadas, assim a semi-esfera se transforma na esfera completa correspondendo ao sol. O vapor de sódio foi escolhido como tecnologia da lâmpada pela cor da emissão de luz, amarela-alaranjada, lembrando o sol quando se põe.

O legal de tudo isso é que a instalação é realmente simples. Eliasson não utilizou nada de demasiadamente tecnológico. Espelhos, lâmpada de vapor de sódio (entre as mais baratas – dura tanto, faz muita luz em relação à potência dela, o que explica o porquê dela ser largamente utilizada na iluminação pública em geral), e um pouco de vapor de água para lembrar o clássico clima londrino.

O interessante foi o resultado dessa experimentação: as pessoas que ali entravam se sentiam tão bem ao ponto de sentar, deitar por minutos, como se realmente estivessem em uma praça ensolarada. O vapor quando se condensava criava a sensação de nuvens, tornando o projeto mais dinâmico e mais próximo da realidade.

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