Esse tal de kelvin

Recomeçando a trabalhar no Brasil, me deparei com um problema (por enquanto posso dizer que existente no RS) na hora de comprar uma lâmpada: a falta de opção na cor da luz.

Pois bem, para não tornar o assunto maçante, a luz tem diversas propriedades e características. As mais famosas são potência e voltagem. Além dessas existe a COR que ela emite. Que fique bem claro que não estou envolvendo outros parâmetros como eficiência energética, quantidade de luz ou reprodução das cores.

Nesse post falarei simplesmente do tom de cor emitido pela fonte luminosa. A cor que vemos sair da lâmpada.

Todo mundo na vida falou ao menos uma vez: essa luz é muito “fria”ou então essa luz é muito “amarela”, não?

Acontece que mesmo sendo fria ou amarela, a lâmpada é de cor branca, e não estou falando de aquecimento. Como na hora de pintar as paredes de sua casa, quando mesmo sendo branca a cor que você quer, você vai ter que decidir se vai querer um branco puro, um branco acinzentado, um branco mais amarelo (areia, perola, etc), na hora de iluminar a sua casa você vai poder escolher a COR da lâmpada.

Para distinguir os tons, no caso da iluminação, existe uma unidade de medida: graus Kelvin.

Mas quem é esse Kelvin?

Com a invenção da luz artificial e posteriormente a elétrica, os estudiosos da área se deram conta que materiais diferentes na composição da lâmpada (filamento, gás, etc) emitiam cores diferentes de luz. Dali partiu a necessidade de entender e medir essa alteração.

O físico e engenheiro irlandês William Thomson, a partir de um bloco de carbono, também conhecido como corpo negro porque ele absorve toda a luz que incide nele, fez uma escala das cores que esse material emite quando aquecido – da temperatura mínima, estabelecida como o zero absoluto 0K = -273.15ºC em diante, já que ficou comprovado que não existe uma temperatura máxima. Assim como você pode reparar no fogão de casa, o fogo mais quente é azulado, tendendo à transparência. Um corpo mediamente aquecido fica avermelhado, indo para o amarelo e chegando no tom azul quando aquecido ao máximo. Depois que a Irlanda fez parte do Reino Unido, Thomson passou a ser o primeiro Lorde Kelvin.

William Thomson

Mas como essa teoria foi aplicada para a iluminação?

A temperatura de cor descreve o espectro de luz irradiada de um corpo negro com uma dada temperatura.

O sol, por exemplo, nos dá a impressão de ser uma cor quente, não? TAMBÉM! Só porque ele nos aquece, não quer dizer que a cor da sua luz seja necessariamente quente. Na verdade ao nascer do sol e ao pôr do sol, a luz emitida pelo astro é “quente” sim. E por isso vemos os prédios e tudo o que é iluminado por ele num tom mais amarelado ou avermelhado.

Porém durante o dia, quando o sol está mais alto, a luz que ele emite é muito mais fria. Nós não reparamos nisso ao ar livre pois entram em questão outros fatores de percepção ótica.

Por isso, quando compramos uma lâmpada fluorescente que diz na embalagem LUZ DO DIA ou DAYLIGHT e a ligamos em casa, vemos o quanto ela é azulada de tão branca.

Para termos uma ideia mais clara, vamos aos números:

2500K – 3500K – é a variação de temperatura que se pode encontrar nos vários tipos de lâmpada tungstênio: incandescentes e halógenas.

2700K – é a lâmpada incandescente, ou a luz do sol nos horários próximo ao nascer ou ao por do sol. A luz que vemos é “amarela”. *

3000K – as lâmpadas fluorescentes oferecem essa temperatura de cor: o branco quente. Menos amarela do que a 2700K, ela é a ideal com essa tecnologia para deixar os ambientes mais aconchegantes como a nossa casa.

4000K – branco neutro. Essa temperatura de cor é a mais neutra entre todas. Ao observamos a sua emissão vemos que chega o mais próximo do branco, sem tender para o quente ou para o frio. É como o branco puro nas tintas. E por isso é ideal para ambientes de trabalho. Mais do que 4000, a luz começa aos poucos a tender para o azul.

6500K – ou como pertinentemente as fabricantes chamam: luz do dia. Poderia ser chamada de “luz das 11h” ou então “luz das 14h” (horário de verão). Esse tom é muito mais frio e por isso chega ao tom azulado.

* por sermos acostumados com essa cor de luz nas incandescentes, acabamos instintivamente relacionando a cor ao calor emitido por esse tipo de lâmpada e à menor quantidade de luz emitida por ela (eficiência energética).

Infelizmente, no comércio em geral de lâmpadas fluorescentes compactas com o soquete de rosca (E27) temos à disposição DUAS opções: 2700K ou 6500K. Eu diria que as duas menos utilizadas pelos grandes mercados da América do Norte e da Europa. Deixo a conclusão para o leitor, porém me parece curioso o fato de que as temperaturas ideais para a nossa vida – 3000K e 4000K não chegue facilmente no nosso comércio.

As várias temperaturas de cor também são possíveis com LED. Feira de Frankfurt, Light+Building, este ano.

Nos catálogos das fabricantes, elas disponibilizam todas as temperaturas de cores em produção hoje em dia: 2700, 2900, 3000, 3100, 4000, 5000, 6500K. Ou seja, não é que não existem, é só que se você realmente quiser uma outra temperatura que não seja as standards do mercado brasileiro, você precisa encomendar e saber como instalar pois grande parte requer alimentação.

E daí o consumidor que não entende todas as nuances nas características da iluminação, acaba tendo que se limitar ao mercado normal.